Quando líderes, de qualquer natureza, se reúnem para discutir problemas e estabelecer metas para a redução das emissões de gases que promovem efeito estufa, o resultado é mais do que aéreo. Aparentemente falta qualquer senso terreno a políticos, economistas e até mesmo a ambientalistas. Segundo notícia veiculada hoje (17/08/09) no jornal Folha de São Paulo, a Convenção do Clima da ONU em Bonn (Alemanha) resultou em nada. Discordâncias entre metas e comprometimentos fazem com que a discussão sobre o aquecimento global caia no vazio de um buraco negro. Até agora, nenhuma discussão séria sobre este assunto resultou em qualquer consenso.
O problema é que as consequências estão aí, para quem quiser ver. As notícias de alteração de diversos biomas e de derretimento das calotas polares surgem a todo instante. Todavia, os céticos dizem que todos estes efeitos são absolutamente normais. Um dos argumentos mais interessantes que já vi contra o aquecimento global foi a dissertação de mestrado defendida por Daniela Onça na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP em 05/06/2007 (disponível aqui). Daniela argumenta que o fato midiático do aquecimento global resulta apenas de muita propaganda, e deixa de lado a real valorização da vida. Eu trouxe o debate para a sala de aula no primeiro semestre de 2009, quando ministrei disciplina de química orgânica para o curso de Engenharia Ambiental da Escola de Engenharia de São Carlos. A celeuma foi grande, e os debates calorosos, com argumentos às vezes nem um pouco convincentes, mas com outros muito fortes.
A valorização da vida, em suas múltiplas manifestações, e que resulta na gigantesca diversidade biológica (des)conhecida, deve ser evidenciada. Os argumentos finais de Daniela Onça são bem elaborados. Porém, o debate sobre o aquecimento global não deve ser resolvido com argumentos, e sim com fatos. A coleta de dados deve prover (ou não) evidências sobre o aquecimento global, e direcionar a tomada de decisões e implementação de ações efetivas. Neste quesito, infelizmente o tempo não está a nosso favor.
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