Pesquisa realizada pelo Instituto de Defesa do Consumidor – IDEC – e publicada na “Revista do IDEC” (número 145, julho 2010, páginas 20 a 23), mostra que a internet do Brasil é um LIXO! A pesquisa foi realizada avaliando-se os serviços prestados pelas companhias Ajato, GVT, NET, Oi e Telefônica. A pesquisa mostra que não existe concorrência entre estas companhias; que os planos de banda larga oferecidos por cada companhia variam de acordo com a cidade; que os consumidores não são informados sobre os serviços oferecidos; que os contratos apresentam cláusulas abusivas. Resultado: preços altos e serviços de péssima qualidade.
Atualmente o Brasil possui um dos serviços de banda larga mais caros do mundo. O brasileiro paga US$ 28.00 para ter banda larga, o que corresponde a 4,58% da renda per capita no país. Nos EUA é de 0,5% da renda per capita e na França 1,02%. Se levarmos em conta as diferenças de salários médios do trabalhador entre estes 3 países, a diferença se torna ainda maior. Finalmente, a qualidade do serviço oferecido no Brasil é bem pior. A pesquisa realizada pelo IDEC mostra que a ANATEL não consegue controlar a qualidade do serviço oferecido, e se omite de suas obrigações como órgão regulador.
Além dos preços de banda larga apresentarem uma enorme variação de localidade para localidade (ver na tabela), a velocidade média de navegação na internet no Brasil é de 1,085 Kbps (1,085 quilobits por segundo), 93% menor do que a veolocidade da navegação na Coréia do Sul, aonde a navegação é a mais rápida do mundo. Além disso, segundo a mesma reportagem do IDEC, 20% das conexões do Brasil têm velocidade inferior a 256 Kbps, muito menor do que a velocidade mínima estabelecida pela União Internacional de Telecomunicações (UIT): entre 1,5 e 2 Mbps. O preço da conexão à internet no Brasil também é uma das mais caras do mundo. Consumidores de Manaus pagam 395 vezes mais caro do que no Japão!
As empresas não conseguem cumprir com os serviços contratados. Algumas chegam a incluir em seus contratos que só podem cumprir com 10% da velocidade da conexão contratada. A restrição de velocidade é ilegal, e o IDEC impetrou uma ação na justiça e conseguiu uma liminar para obrigar as empresas a informar o máximo REAL dos serviços oferecidos. O IDEC está monitorando a propaganda enganosa de todas as empresas que oferecem serviços de banda larga no Brasil. Clique na tabela a seguir para ampliar.
Além disso, o IDEC, junto com outras entidades, enviou carta à Casa Civil do Governo Federal, logo depois deste lançar o Plano Nacional de Banda Larga. Nesta carta, as organizações signatárias defendem várias propostas, dentre as quais: considerar a banda larga um direito fundamental a ser garantido pelo Estado a todos os cidadãos e prestado em regime púbico; a universalização e continuidade do serviço; regras tarifárias. Na Finlândia, 96% da população têm acesso à internet, e foi o primeiro país do mundo a tornar o acesso á internet por banda larga um direito fundamental da população.
A pesquisa do IDEC ainda aponta falhas das empresas nos cumprimentos dos serviços contratados, como suspensão temporária do serviço (falha na conexão) e variação na velocidade oferecida.
Veja a seguir um gráfico comparativo das velocidades médias de conexão em 20 diferentes países do mundo, com os preços mensais de custo para estas conexões (clique no gráfico para ampliar). São os 20 países em que a conexão é a mais rápida. O Brasil nem entra na lista. A conexão da internet aqui no Brasil é um LIXO. Uma VERGONHA. E ainda pagamos caro por esta porcaria de serviço. E a ANATEL não faz absolutamente nada para resolver o problema. Pior: a ANATEL fará concessões de TV a cabo para as empresas de telefonia no Brasil, a preços irrisórios, deixando de arrecadar 1 bilhão de reais nestas concessões. Você duvida, leitor(a)? Pois então veja aqui. Agora se o serviço de internet oferecido no Brasil por estas companhias já é um lixo, imagine só o serviço de TV a cabo a ser oferecido por estas empresas verdadeiramente prejudiciais à sociedade brasileira. Será pior ainda.
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