Anotações na forma de diários do Professor Paulo Nogueira Neto foram lançadas na forma de livro de 800 páginas. Paulo Nogueira Neto foi secretário especial do Meio Ambiente, órgão vinculado ao Ministério do Interior, com prerrogativas de ministro, de 1973 a 1985, nos governos Ernesto Geisel e João Figueiredo. Este cargo equivale atualmente ao de ministro do Meio Ambiente. Após sair da SEMA, foi Secretário de Meio-ambiente do Distrito Federal por dois anos, organizando e dirigindo a SEMATEC. Criou e implantou a Área de Proteção Ambiental de Cafuringa, no DF.
Em 1945 tornou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Em 1959, bacharelou-se em História Natural na Universidade de São Paulo. Pesquisou o comportamento das abelhas indígenas sem ferrão (Meliponinae). Defendeu Tese de doutorado em 1963, sobre a arquitetura dos ninhos dessas abelhas. Sua Tese de Livre-docência (1980) foi sobre o comportamento de pombas e psitacídeos silvestres.Tornou-se professor Titular em Ecologia, na USP, em 1988. Foi um dos fundadores do Departamento de Ecologia Geral, no Instituto de Biociências da USP. Aposentou-se em 1992. Em 1999, recebeu a Ordem Nacional do Mérito Científico, no grau de Grã Cruz, em abril de 1999, no Palácio do Planalto. Em 2001 recebeu o titulo de Professor Emérito do Instituto de Biologia, USP.
Paulo Nogueira Neto é presidente da ADEMA-SP (Associação de Defesa do Meio Ambiente – São Paulo). Foi Secretário de Meio-ambiente do Distrito Federal, organizando e dirigindo a SEMATEC. Criou e implantou a Área de Proteção Ambiental de Cafuringa, no DF. Fez parte da Comissão Brundtland, das Nações Unidas, de 1983 a 1986, como um dos dois representantes da América Latina. Foi nessa comissão que surgiu pela primeira vez a expressão “Desenvolvimento Sustentável”. Atualmente, é vice-presidente da S.O.S. – Mata Atlântica; vice-presidente da W.W.F. Brasil; Presidente da ADEMA-SP (Associação de Defesa do Meio-ambiente); Presidente da Comissão para implantação da Área de Proteção Ambiental Capivari-monos (SP); Membro do Board do World Resources Institute; Vice-presidente do International Bee Research Association; Membro do Advisory Group do PP-G7.
O “Diário de Paulo Nogueira-Neto – Uma trajetória ambientalista” começou a ser organizado em 2003, sendo lançado no final de 2010 pela editora Empresa das Artes. O livro foi elaborado a partir de quase 15 mil páginas manuscritas sobre os bastidores da carreira do professor-ambientalista-conservacionista.
Paulo Nogueira Neto foi responsável pela criação do primeiro órgão oficial de meio ambiente, a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), entre 1972 e 1973. Segundo Dean (2010), a SEMA foi concebida para monitorar e controlar a poluição, para prevenir a extinção de plantas e animais. Apesar de atuar durante o governo militar (Geisel-Figueiredo), Nogueira Neto não se vinculou a este. Posteriormente a SEMA se tornou o IBAMA e formou também o embrião do Ministério do Meio Ambiente. Colaborou de forma decisiva na elaboração da legislação ambiental brasileira, estabelecendo licenciamentos ambientais, as primeiras Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Participou na criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e também representou a América latina na Comissão Brundtland (1987), que foi o embrião que deu origem à ECO-92.
Seus diários relatam toda sua atuação buscando agregar valor à conservação da natureza e à valorização da biodiversidade. Segundo Nogueira Neto, 40 anos mais tarde, “Naquela época, os interessados em meio ambiente cabiam numa Kombi. Hoje já há uma consciência não só brasileira mas mundial”.
O livro dos Diários de Nogueira Neto está disponível gratuitamente, e pode ser baixado aqui (o arquivo pdf tem 445 páginas e 13,4 Megabytes).
Fontes
Dean, W. – A Ferro e Fogo – A história e a devastação da mata atlântica brasileira, Companhia das Letras, 2010, 1ª edição, 7ª reimpressão.
Categorias:biodiversidade
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