Sustentando a Vida

Outro livro muito interessante e bonito é “Sustaining Life – How Human Health Depends on Biodiversity”. Editado por Eric Chivian e Aaron Bernstein, o livro inclui 10 capítulos sobre os mais variados temas relacionados à importância da biodiversidade.

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A definição do termo biodiversidade, no seu sentido mais amplo, é assunto do primeiro capítulo, que tem a Dra. Maria Alice S. Alves (professora de ecologia da UERJ) como uma das co-autoras. O segundo capítulo discute os impactos da atividade humana na biodiversidade da Terra. Não é um capítulo fácil de ser ler, pois as atividades humanas tem se mostrado muito mais danosas à biodiversidade do que benéficas. O capítulo “Ecosystem Services” é muito interessante, e mostra como a utilização racional e bem planejada de recursos naturais pode levar à obtenção de recursos financeiros e à melhoria da qualidade de vida em geral. “Medicines from Nature” deve ser o capítulo de maior interesse dos leitores deste blog. Apresenta exemplos clássicos (outros nem tanto) de recursos naturais que foram, e ainda são, utilizados pela humanidade no tratamento das mais variadas doenças. O capítulo “Biodiversity and Biomedical Research” é absolutamente fantástico, e mostra como vários organismos vivos apresentam sistemas de extremo interesse na pesquisa em bioquímica, fisiologia, anatomia, ecologia, dentre outros. O capítulo seguinte, sobre grupos de organismos vivos ameaçados que são de imenso valor aos estudos médicos, apresenta enfoque complementar ao anterior, e ilustra como alguns animais e plantas podem constituir verdadeiros laboratórios vivos para pesquisa. O capítulo “Ecosystem disturbance, biodiversity loss, and human infectious disease” apresenta um quadro bastante negro de como a alteração de habitats e biomas pode resultar na emergência de verdadeiras pandemias infecciosas, de doenças tais como leishmaniose, esquistossomose, doença de Chagas, febre amarela, dengue e outras. O capítulo “Biodiversity and food production” ressalta a importância em se manter a diversidade ecológica para a produção de alimentos de forma sustentada, assunto que segue no capítulo seguinte “Genetically modified foods and organic farming”. Este discute os aspectos positivos e negativos de alimentos geneticamente modificados, bem como as experiências bem sucedidas na produção de alimentos orgânicos. Particularmente interessante são exemplos de fazendas orgânicas dos EUA (tamanho: cerca de 2000 campos de futebol) e do Japão, a ponto de atualmente se considerar seriamente a possibilidade de que a população mundial poderia ser nutrida com alimentos orgânicos. Talvez o capítulo mais importante seja o último, “What individuals can do to help conserve biodiversity”. Com forte viés educacional, apresenta as muitas alternativas inteligentes que podem ser adotadas para minimizar a perda de biodiversidade.

O livro é excelente. Editado pela Oxford University Press, obteve o apoio da “Convention of Biological Diversity”, da “United Nations Development Programme”, da “United Nations Environment Programme” e da “World Conservation Union”. Além da autoria dos capítulos por especialistas, estes contam com a colaboração de pesquisadores como a Profa. Elaine Elisabetsky, o Dr. Gordon Cragg, o Dr. William Fenical, o Dr. John Daly (falecido), dentre vários outros. Lindamente ilustrado, o livro contém mais de 1.400 referências bibliográficas, a grande maioria de periódicos científicos. Considerando-se o preço (R$ 102,02 na livraria Martins Fontes em São Paulo), realmente vale a pena ser adquirido.



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