A Universidade de Califórnia em Los Angeles (UCLA) será multada em US$ 32.000,00 pela Divisão de Saúde e Segurança Ocupacional da Califórnia pelo acidente que causou a morte da estudante Sheharbano Sangji de 23 anos, em 16 de janeiro. A estudante realizava experimento de síntese manipulando t-butil lítio com uma seringa de má qualidade quando o reagente, extremamente inflamável, espirrou sobre ela. Por não estar com avental (nenhum!), a roupa pegou fogo e a estudante sofreu queimaduras extremamente sérias, levando-a à morte. Originária do Paquistão, aparentemente sua família ainda não pôde ser notificada pelo governo norte americano.
Químicos em geral manipulam uma série de solventes e reagentes tóxicos e inflamáveis, os quais necessitam de extremo cuidado. Em laboratórios de química, segurança nunca é demais. Os fatos recentes ocorridos no Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia são uma prova disso.
Esta notícia foi divulgada na edição de hoje (15/05/2009) do boletim da revista Nature Chemistry. Veja aqui.
Categorias:síntese orgânica

Fala Berlinck ! Queria parabenizar pelo site ! Realmente está muito bom e tenho certeza que vou conferir mais muitas e muitas vezes. Quanto a essa notícia envolvendo segurança em laboratórios, apesar de não ter lido a notícia na íntegra, da revista originalmente publicada, discordo em certos pontos. Acho que é errado em muito culpar a universidade de alguns descuidos de estudantes/profissionais. A UCLA é conhecidíssima, deve ocupar, se não me engano, uma posição entre as 20 melhores do mundo. Creio que assim como na USP e qualquer instituição séria, sempre há o repasse de informações e cuidados necessários para se tomar em laborátorios. E, convenhamos, um trabalho de síntese orgânica, manipulando-se lítio ainda por cima, é de bom senso que o estudante (a esse nível, já podendo se chamar de um profissional qualificado) tenha a consciência de se usar as vestimentas corretas no laborátorio. É como querer culpar a universidade por um profissional que manipula um reagente altamente carcinogênico em condições desapropriadas. A única diferença pode vir a ser a ordem cronológica das mortes. Acho que incidentes como esse, assim como na UFBA, servem pra mostrar que cuidado nunca é pouco. Não há de se ter um orientador a toda falando para usar luvas para tal reagente, mascára para outro e vestimentas apropriadas para tais. É um absurdo querer achar que o exemplo vem sempre de cima, e sim vem de nós mesmos. Enfim, é um fato realmente triste…Mas talvez deva servir para dar um toque a consciência de outras futuras gerações. Continue com esse blog de qualquer jeito !!Abraços.
Sabe Berlinck, esta é uma questão muito séria e que nós ainda não nos mobilizamos para tentar resolver, na verdade minimizar eventuais consequências.
A nossa profissão tem esta característica, a PERICULOSIDADE. Ela pertence ao nosso dia a dia, queiramos ou não. Se estamos devidamente paramentados, os riscos são menores, mas estão presentes.
Acredito que um movimento poderia gerar uma legislação que nos amparasse, e às nossas famílias, numa fatalidade.
Grande abraço
Bruno e Milton,
A segurança deveria ser um tema constante e contínuo nos cursos de química, de maneira a enfatizar a real necessidade de se PREVENIR acidentes. Não somente as atitudes individuais são importantes, como trabalhar adequadamente protegido (com avental, luvas e óculos, por exemplo), como também as iniciativas institucionais. Estas deveriam incluir laboratórios com sistemas de alarme de detecção de fumaça e calor, sistema para disparo de chuveiro de água em laboratórios onde isso é possível, minimizar a permanência de grandes quantidades de solventes em laboratórios, manutenção periódica preventiva de equipamentos elétricos próximos a solventes inflamáveis, entre outras iniciativas que são muito menos custosas (tanto em termos de esforço quanto em termos financeiros) do que recuperar instalações inteiras, como as da UFBA, por exemplo. Lembro-me de um acidente na UNICAMP, no laboratório dos Profs. Ulf Schuchardt e Marco Aurélio de Paoli, quando eu fazia graduação. Também me lembro da ocorrência de outro acidente, de proporções muito grandes, no Centro de Ciências Exatas (?) da UFMG durante os anos 80. Já na Bélgica (durante meu doutorado) soube que, pouco antes de eu chegar, o andar superior onde ficava o laboratório do meu supervisor, havia sido queimado por completo devido a um acidente de química. Minha pergunta é: quantos acidentes mais terão que acontecer para que a comunidade de química no Brasil, e principalmente os administradores dos centros de ensino e pesquisa, começem a considerar a segurança em laboratórios de química como um problema realmente sério?