Plágio

plagio

quadro de Maurits Cornelis Escher - Drawing Hands (1948)

Texto divulgado pela reitoria da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) em 21-05, de autoria de Margaret Alves Antunes, responsável pelo apoio aos editores das Revistas UNESP, e da Coordenadoria Geral de Bibliotecas, assinala que:

“Têm  sido amplamente divulgados na mídia casos de plágio em publicações científicas. A Coordenadoria Geral de Bibliotecas possui entre suas competências  o apoio aos editores de periódicos UNESP. Com este intuito foi feito um  levantamento em publicações internacionais acerca do assunto nos quais foram obtidas informações que são descritas a seguir. A grande novidade nesses fatos  é que atualmente há facilidades tanto para a prática do “copia e cola”, quanto  para a identificação dela. Todos sabemos que antes da popularização do uso do  computador e da internet havia o xerox. Antes, as cópias eram feitas somente à mão.

Estão sendo  divulgadas informações sobre ferramentas desenvolvidas para detecção de plágio. Pode-se mencionar o eTBLAST, o Dejà vu, entre outros. Originalmente essas  ferramentas foram desenvolvidas para a ordenação do resultado de buscas em bases  de dados, de maneira que o resultado de uma pesquisa retorne em ordem de relevância. Essa relevância é definida de acordo com a freqüência com que as palavras contidas na estratégia de pesquisa aparecem nos artigos, considerando-se o  título, palavras-chave e resumo. Como é fácil verificar, não é um método  infalível de detecção de plágios, além de também indicarem casos de  “falso-plágio”. Vale lembrar que há casos em que a similaridade de artigos pode  ser além de legítima, valiosa, como é o caso, por exemplo, de seguimento de casos (divulgação de novos resultados) e erratas. É importante também lembrar  que a conduta antiética não tem se restringido ao plágio. Podemos, também, citar  os casos de submissão de um mesmo artigo a diversos periódicos, violando a política editorial, inclusão de outros autores em nova publicação do mesmo  artigo, com pequenas mudanças (com a providencial inclusão de citação do artigo original), divulgação de pesquisas que contenham dados falsos ou manipulados e  interpretação “questionável” de resultados de pesquisas, entre outros.

Existe a necessidade de reflexão sobre os motivos que podem levar um autor a ter  comportamento antiético no que se refere à comunicação científica. A comunidade  científica vem sendo pressionada para aumentar tanto o número de publicações  quanto o de citações destas publicações. Estes dados devem ser incluídos em  seus currículos profissionais que são analisados pelas agências de fomento para  destinação de seus recursos de pesquisa.

A responsabilidade sobre a legitimidade da pesquisa publicada tem sido atribuída aos editores  de revistas científicas.  Esta responsabilidade não deve ser atribuída somente aos  editores e revisores dos periódicos e comitês de ética das instituições.  Especialmente no Brasil, são claras as dificuldades enfrentadas por estes profissionais, que também possuem uma carreira científica que deve ser igualmente  produtiva, sob pena de influenciarem na qualificação do periódico pelo qual se  responsabilizam. Além disto, casos como os de manipulação de resultados, análise  “questionável” dos resultados, uso de informações confidenciais, dificilmente poderão ser verificados por estes profissionais.

Integridade, de acordo  com o Office of Research Integrity (ORI), significa “adesão às normas,  regulamentos, orientações e códigos e também às normas profissionais comumente  aceitos”. A formação de um profissional íntegro deve ser preocupação das instituições envolvidas em sua formação. A construção de um  profissional consciente da necessidade de conduta responsável em pesquisa deve  ter seu início na graduação e continuar durante toda a vida acadêmica do  indivíduo. A integridade do trabalho em pesquisa é essencial para a confiabilidade  dos resultados e manutenção do suporte público à pesquisa.”



Categorias:educação, publicações científicas

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