Álcool no cérebro

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Qual a razão dos efeitos inebriantes decorrentes do consumo de álcool? Entender estas causas é o objetivo de investigações conduzidas pela equipe de pesquisadores coordenada por Paul A. Slesinger, do Instituto Salk para Estudos Biológicos, da Universidade de Califórnia em San Diego. Resultados preliminares indicam que, no cérebro, as moléculas de etanol, presentes em bebidas alcoólicas, ligam-se a uma proteína de canais iônicos dos neurônios.

Investigações anteriores realizadas pelo mesmo grupo de pesquisadores procuraram estabelecer quais seriam as funções neuronais destes canais iônicos, denominados de canais GIRK (G-protein-activated inwardly rectifying potassium channels). Canais iônicos são locais encontrados nas membranas das células, como os neurônios, por onde são transportados íons, como Na+, K+ e Ca2+, que atuam regulando diversos processos celulares. Os canais GIRK se abrem durante processos de comunicação química entre neurônios e “amortecem” o sinal entre estes, criando o equivalente de um curto-circuito. Quando os canais GIRK se abrem em resposta à ativação por um neurotransmissor, ocorre a saída de íons potássio (K+), o que faz que ocorra um decréscimo na atividade neuronal. As moléculas de etanol também promovem a abertura dos canais GIRK, também promovendo o mesmo efeito.

alcool-proteínaEsquerda: análise por difração de raios-X que indica o sítio de ligação do etanol (álcool) no canal iônico que exerce várias funções em neurônios. Direita: detalhe do local de interação da molécula de etanol (no centro, a pequena estrutura em amarelo e vermelho) com a proteína GIRK.

Conhecendo o local de interação das moléculas de etanol (álcool) com uma proteína que faz parte dos canais GIRK pode levar a novas estratégias para o tratamento de doenças neuronais. Pode-se, por exemplo, desenvolver um medicamento que antagonize a ação do álcool para o tratamento de alcoolismo, ou ainda novas formas de tratamento da epilepsia.

O artigo completo relatando este estudo foi disponibilizado on-line pela revista Nature Neuroscience, e pode ser visto aqui. Embora ainda não tenha sido publicado, a referência deste trabalho é:

Prafulla Aryal, Hay Dvir, Senyon Choe & Paul A Slesinger, A discrete alcohol pocket involved in GIRK channel activation. Nature Neuroscience 28 June 2009 | doi:10.1038/nn.2358.

Mais informações sobre este assunto no site Newswise Science News.

Atualização: o problema do consumo de álcool é muito mais grave do que se imagina. Levantamento recente realizado por pesquisadores canadenses indicaram que 1 em cada 25 mortes no mundo está associada ao consumo de álcool. Os pesquisadores também avaliam que, apesar dos aparentes efeitos benéficos para a saúde ligados ao consumo constante e moderado de álcool, o saldo da bebida é muito mais negativo do que positivo, em especial entre os homens. Além de doenças diretamente relacionadas ao álcool, como problemas de fígado, alguns dos males ligados à bebida são tumores de boca, garganta, do cólon e do reto, de mama; depressão, derrames; além de acidentes de trânsito e violência, entre outros.

Estes estudos foram publicados na revista médica The Lancet, e também foram divulgados na página da BBC News.



Categorias:ciência, educação, informação, química

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