Pássaros da espécie Mimus polyglottos (primos do sabiá, que imitam sons de insetos e anfíbios) aprendem rapidamente a identificar humanos que possam ameaçá-los ou não. Estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Flórida observaram que estes pássaros imitadores passaram a emitir canto de alerta depois de serem “perturbados” por humanos. No experimento, voluntários tocaram em ninhos dos pássaros uma vez por dia, durante quatro dias. Após o segundo dia, os pássaros começaram a emitir pios de alerta e a realizar vôos de ataques cada vez mais rápido, chegando até a executar vôos rasantes sobre a cabeça dos intrusos. No quinto dia, no entanto, uma pessoa estranha se aproximou dos ninhos, e a resposta dos pássaros havia desaparecido. Os pesquisadores concluíram que os pássaros “aprendem rapidamente a avaliar o nível de ameaça representado por diferentes seres humanos e respondem de acordo com essa avaliação”. Isso pode explicar porque esses pássaros imitadores e alguns outros se adaptaram tão bem a ambientes urbanos.
Aparentemente estes pássaros necessitam apenas de dois contatos de 30 segundos por alguns dias para reconhecer pessoas e saber se estas constituem uma verdadeira ameaça ou não. Ou seja, São Francisco de Assis não era tão santo assim. O comportamento de defesa pode ser arriscado e consumir muita energia, de forma que uma reação exagerada – ou insuficiente – aos transeuntes que passam perto de seus ninhos pode ser uma desvantagem diferenciada num ambiente urbano. O estudo mostra que esses pássaros prestam muita atenção a detalhes, o que claramente constitui uma vantagem adaptativa decorrente do processo de seleção natural.
O estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, e pode ser lido aqui. A mesma notícia foi também divulgada na página da Scientific American.
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