Review publicado na revista Conservation Biology que incluiu 24.000 referências bibliográficas de artigos sobre conservação biológica revela um quadro verdadeiramente desolador sobre a extinção de espécies biológicas na Oceania, que inclui a Austrália, Nova Zelândia e Tasmânia. De acordo com o autor principal dos 14 autores do trabalho, Professor Richard Kingsford da University of New South Wales, o planeta está atualmente vivendo seu 6o período de extinção em massa. De acordo com o estudo, a Oceania, região de ocorrência de altas taxas de endemismo (uma espécie biológica é considerada endêmica quando ocorre em apenas um país ou região muito restrita), está vivenciando uma grande perda de espécies biológicas devido à degradação de habitats naturais, inserção de espécies invasoras, mudanças climáticas, super exploração de recursos naturais, poluição e doenças em espécies selvagens.

Lobo da Tasmânia
Os números apresentados no artigo são estarrecedores. A taxa de extinção de espécies no mundo é atualmente de 1.000 a 10.000 vezes maior do que há 60 milhões de anos. Mais de 1.200 espécies de pássaros foram extintas, a agricultura na Austrália promoveu a destruição de cerca de 50% das coberturas naturais, espécies invasoras causaram a extinção de cerca de 75% das espécies de vertebrados locais, mais de 2.500 espécies de plantas invasoras foram catalogadas.
De acordo com os pesquisadores, a fauna do planeta Terra foi minimamente catalogada: cerca de 5% dos peixes, 6% dos répteis, 7% dos anfíbios. O problema está se fazendo sentir nos países da Oceania, mas os governos avaliam que leis conservacionistas ameaçam a economia local. Mesmo assim, os cientistas propõem medidas a serem adotadas, como reservar 10% do território dos países da Oceania para Parques Nacionais, bem como 50% das áreas marinhas. A pesca na região afetou muito as espécies de peixes. Para agravar o problema, estima-se que a população na região aumentará significativamente até o ano 2050: 35% na Austrália, 25% na Nova Zelândia, 76% na Papua Nova Guiné e 49% na Nova Caledônia.

Como sempre, os autores estimam que as gerações futuras serão as mais seriamente afetadas pela perda de diversidade biológica e pela não adoção de estratégias de gerenciamento de conservação, preservação e exploração racional dos recursos naturais.
Comentários do autor deste blog:
Em 1992, o explorador francês Jacques-Yves Cousteau angariou 5 milhões de assinaturas em sua “Petição [abaixo-assinado] pelos direitos das gerações futuras” em todo o mundo. Vergonhosamente, empresários, banqueiros, políticos, etc., nunca deram atenção aos problemas apresentados por exploradores e pesquisadores sobre os problemas da perda da biodiversidade.
Mesmo antes, em 1987, foi criada a Comissão Brundtland,da qual participou Paulo Nogueira Neto (então professor na USP e Secretário da Secretaria Especial do Meio Ambiente). As conclusões do trabalho desta comissão foram publicadas no livro “Nosso futuro comum”, conhecido como Relatório Brundtland, que fundamentou as propostas a serem apresentadas na ECO-92.

Também nesta época realizaram-se a Toronto Conference on the Changing Atmosphere, no Canadá (outubro de 1988), seguida pelo IPCC’s First Assessment Report em Sundsvall, Suécia (agosto de 1990) e que culminou com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CQNUMC, ou UNFCCC em inglês) na ECO-92 no Rio de Janeiro, Brasil (junho de 1992). Subsequentemente, tais iniciativas levaram à elaboração do Protocolo de Kyoto (1997, ratificado em 1999).
Tais ações permaneceram apenas no papel. Ações efetivas, mesmo, quase nenhuma. O preço a pagar será grande, difícil de ser medido. Uma das conseqüências é a emergência de doenças desconhecidas, uma vez que linhagens virais, bacterianas e fúngicas selvagens estão sendo removidas de seus habitats originais. Apenas como um exemplo, o fungo Aspergillus sydowii, originário do deserto do Saara, é atualmente considerado a maior praga que afeta corais do Caribe. Parece filme de ficção científica. Seria bom se fosse.
PS – Infelizmente nossos governantes consideram que as leis ambientais são um estorvo para desenvolver a infra-estrutura do Brasil. Veja aqui.
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