Visitar blogs como fonte de informações pode ser divertido e até didático. Muitos blogs são enriquecedores e informativos, como a maioria dos blogs inscritos no metablog “Blogs de Ciência”. Outro metablog muito bom é o “Science Blogs“, que reúne uma série de blogs de acadêmicos e estudantes brasileiros, que postam sobre os mais variados temas.
O blog “Desafiando a Nomenklatura Científica” é, no mínimo, curioso. Seu autor, Enézio E. de Almeida Filho, é, antes de tudo, um divulgador da ciência. Inúmeras postagens do seu blog apresentam artigos científicos, outros nem tanto.
Enézio é um ferrenho defensor do design inteligente. Não pretendo discorrer sobre as idéias do design inteligente, pois estas tomariam muito espaço e tempo. Existem centenas de páginas na internet que explicam o design inteligente. O curioso, porém, foi um post inserido por Enézio no seu blog no último dia 20. Intitulado “Assine a lista dos dissidentes científicos de Darwin”, o texto é uma cópia de outra página “Uma Dissensão Científica do Darwinismo”. Tanto no blog de Enézio como nesta página, os autores não identificados do texto exortam leitores acadêmicos a assinar uma lista de manifestação contra o darwinismo.
Seria interessante, se a idéia não fosse velha. A lista foi criada em 2001, em resposta à excelente série “Evolution” produzida pela Public Broadcasting Services (PBS) e pela Scientific American (composta de 4 DVDs, em português “Evolução”, disponível para aquisição na página da Duetto). Em 27 de julho de 2007 a lista contava com 748 assinaturas de acadêmicos e doutores. A lista atual não cresceu muito, está com aproximadamente 800 assinaturas.
800 assinaturas. É muito? Não. Corresponde a exatos 14,7% do número total de professores da Universidade de São Paulo (veja aqui). Ou seja, é um número irrisório. Pífio. Se em 8 anos tal manifesto angariou somente 800 assinaturas no mundo todo, deveria rever seus propósitos.
O problema principal do manifesto é que é contra o Darwinismo. Muito bem. O que oferece em troca? Nada. O design inteligente é nada, pois não se fundamenta em qualquer dado experimental ou evidência, mas apenas em idéias sem qualquer fundamento científico. É muito pouco para a comunidade científica internacional, cada vez melhor informada, com acesso a publicações científicas e publicações de divulgação científica de excelente qualidade, que mostram que a teoria da evolução não é uma brincadeira, nem uma falácia, nem motivo de risos. É fruto de muita pesquisa desenvolvida ao longo de 150 anos, de maneira muito séria, avaliada e avalizada por centenas de pesquisadores do mundo todo.
Como resposta ao manifesto contra o darwinismo, o arqueólogo R. Joe Brandon iniciou um movimento pró-darwinismo. No ano de 2005, em 4 dias (isso mesmo, dias), Brandon angariou 7733 assinaturas. Quase 10 vezes mais do que os criadores do movimento anti-darwinista conseguiram em 8 anos. Está faltando gente para dar crédito ao design inteligente.
Categorias:ciência, educação, informação

Enézio, “divulgador da ciência”???
É bom tomar cuidado com essa gente, ainda mais agora com a candidata criacionista ganhando terreno.
Mas você não está contando com um detalhe, os nossos cientistas (da dissidência) são mais inteligentes que os seus! (Risos).
Cada um dos nossos vale por 100 mil dos seus.
Esse diferença nos números só demonstra uma coisa:
O numero de pessoas medíocres é muito maior que as pessoas inteligentes.
O próprio Darwin sofreu grande oposição quando lançou sua idéia, a maioria da “classe cientifica” classificava sua idéia como insanidade, mas bastou o falador Huxley fazer algumas reuniões secretas, que pronto todo mundo aceitou.
Todas as novas idéias são recebidas com descrença e estupidez, as pessoas são medíocres.
O Design inteligente está com a verdade, e leve o tempo que levar vai vencer essa Guerra.
Oi Bruno,
Pode até ser que os “defensores” do design inteligente sejam mais inteligentes do que os que não aceitam o DI. Porém, você tem como provar isso? (risos). Afinal, tua avaliação é quantitativa e, consequentemente, você deve estar se baseando em algum dado estatístico, como testes de QI, por exemplo.
Interessante você dizer que o número de pessoas medíocres é muito maior do que o número de pessoas inteligentes. Afinal, se o design inteligente opera de maneira tão eficiente, deveria ser o contrário! Ou será que as células humanas não apresentam nenhuma estrutura com complexidade irredutível (Behe) ou que gera informação complexa especificada (Dembski)?
Acho que você conhece pouco sobre a história da teoria da evolução, e também sobre “A Estrutura das Revoluções Científicas”, de Kuhn. Afinal, à época de Darwin a teoria da evolução provocou, literalmente, uma mudança do paradigma vigente. Logo, foi normal que muitos cientistas não compreendessem as idéias de Darwin. Todavia, centenas de trabalhos posteriores mostraram que ele estava absolutamente correto.
Se o DI está com a verdade, deverá provar isso. O problema é que mais de 10 anos depois da publicação do livro de Behe “A Caixa Preta de Darwin”, as idéias do DI ainda não foram aceitas pela comunidade científica. Mas, se de fato o DI for verdade, e for comprovado através de dados experimentais e fatos observados, deverá ser necessariamente incorporada ao conhecimento geral da biologia. Por enquanto, só foi questionada, e muito questionada, por vários biólogos evolucionistas e outros cientistas.
cordialmente,
Roberto.
Oi Bruno,
Encontrei um texto que pode ser bastante esclarecedor sobre os problemas encontrados para explicar a “complexidade irredutível” de alguns sistemas biológicos. Veja em:
http://scienceblogs.com.br/rnam/2009/08/criacionistas_perdem_mais_um_r.php
Tem também a lista do Projeto Steve, do National Center for Science Education.
A lista fez diferente: saiu procurando cientistas que aceitam o fato da evolução E SE CHAMAM STEVE (Steve pode ser, além de um nome próprio, um apelido para Stephen – aliás escolhere Steve em homenagem a Stephen Jay Gould).
A lista conta com quase 1200 Steves: http://ncse.com/taking-action/project-steve