737 mil universitários cursam escolas ruins no Brasil

Este é o título de reportagem do jornal “Folha de São Paulo” de hoje, 01/09/09. A reportagem da “Folha on-line” sumariza os dados colhidos por Fabio Takahashi, Larissa  Guimarães e Ângela Pinho, autores da reportagem completa, transcrita a seguir. Na verdade, as conclusões dos artigos da Folha não são diferentes das assinaladas neste blog, nas três postagens anteriores. Não é preciso ser um gênio para chegar a estas conclusões. Mesmo assim, de acordo com a reportagem da Folha, o Ministro da Educação Fernando Haddad minimizou o fato des as universidades particulares terem tido um desempenho tão ruim na avaliação.

custo-educação-particular

O texto da reportagem da Folha

Dados divulgados ontem pelo Ministério da Educação mostram que aumentou o número de instituições de ensino superior reprovadas no país -que obtiveram notas 1 e 2 em uma escala que vai até 5. Em 2008, 36% das escolas (universidades, faculdades e centros universitários) estavam inadequadas (588). Eram 31% no ano anterior (454). Com isso, há atualmente 737 mil universitários estudando em estabelecimentos reprovados -25% a mais que na avaliação do ano anterior (levantamento feito com base no último censo universitário).

O número supera todos os universitários do Rio de Janeiro (490 mil ) e Santa Catarina (202 mil) somados. O país tem 4,8 milhões de matriculados. A avaliação do MEC é feita com base num indicador chamado IGC (Índice Geral de Cursos), que considera fatores como desempenho dos universitários em uma prova (Enade), qualificação dos professores (número de doutores) e a nota da pós-graduação, entre outros. Divulgado pela segunda vez, esse índice é utilizado pelo MEC para decidir quais instituições devem sofrer maior fiscalização e restrições para a abertura de vagas.

A análise dos dados permite importantes conclusões: a) os piores desempenhos são das instituições privadas (39% receberam notas 1 e 2) e municipais (51%); b) as federais se destacam (52% levaram 4 ou 5).

USP e Unicamp não participaram da avaliação por discordarem da metodologia -são as únicas ausentes. As sete maiores notas foram de faculdades pequenas (até três cursos). Segundo pesquisadores, elas têm a vantagem de poder focar investimentos em poucos estudantes. Por outro lado, os alunos perdem o contato com outras áreas, o que é possível nas universidades. A escola de economia e finanças da FGV do Rio foi a faculdade mais bem avaliada do país. Entre as universidades, a Unifesp obteve a melhor nota. O MEC diz não ser adequado comparar instituições com tamanhos tão diferentes. Por isso, divulga as notas em três blocos (universidades, centros universitários e faculdades).

Para o professor da Unesp João Cardoso Palma Filho, membro do Conselho Estadual de Educação, o MEC deveria controlar a abertura de vagas, para evitar que os estudantes entrem em instituições ruins. “O aluno é enganado. Faz um curso de baixa qualidade e, geralmente, em cursos em que já há saturação no mercado”, disse Palma. “Só deveriam ser autorizadas vagas em instituições que comprovassem qualidade de corpo docente e infraestrutura. E em áreas com demanda no mercado de trabalho.”

Já o presidente do sindicato das universidades particulares de SP, Hermes Figueiredo, contesta o indicador. “Dá muito peso à prova. O aluno pode chutar e responder qualquer coisa no questionário socioeconômico [dois fatores considerados].”

will work for tuition

Cabem alguns questionamentos:

a) Porque as universidades particulares consideram desnecessário a contratação de doutores qualificados para seu corpo docente? Pesquisas indicam que a porcentagem de professores doutores em universidades particulares raramente ultrapassa 20% (veja por exemplo aqui; ou artigo de Renato Mezan, conceituado psicanalista; também, artigo sobre este assunto na Revista do Ensino Superior).

b) Qual a contrapartida que o atual governo exige às instituições particulares beneficiadas com a concessão de bolsas do Prouni para seus alunos?

c) Existe uma real preocupação das instituições de ensino superior particulares em formar bons profissionais, ou só pensam em ganhar dinheiro?

Afinal, à hora do almoço (entre 12:00 e 13:30 h) na região de São Carlos, os anúncios das universidades particulares na TV Globo dominam nos intervalos do “Globo Esporte” e “Jornal Hoje”. Uma destas universidades, a UNIP, “vende” sua imagem como sendo a maior e mais bem equipada universidade do Brasil.

Até quando o discurso sobre a “efetiva melhoria na educação do Brasil” vai perdurar?

Como disse Abraham Lincoln, “Se as pessoas acham que educar custa muito caro, experimentem a ignorância”.

abraham-lincoln



Categorias:educação, informação

Deixe um comentário