Estratégias de ensino e aprendizado que funcionam

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Esta é a tradução do título de artigo publicado hoje, na Science, por Roald Hoffman (prêmio Nobel de química em 1981) e Saundra Y. McGuire. Os autores levantam vários pontos muito interessantes sobre ensino e aprendizado. Segue um breve resumo do artigo.

Para os professores:

Os autores ressaltam a importância do professor estabelecer uma relação de mentor com seus estudantes, de forma a que estes se interessem pelo que o professor têm para ensinar. Mostram que também é importante para os professores ensinarem aos alunos como estudar, e a refletir sobre o conteúdo das disciplinas. Estabelecer critérios claros de avaliação, de maneira a valorizar o esforço e o trabalho do aluno, é extremamente importante de maneira a mostrar ao aluno que vale a pena investir tempo e esforço no aprendizado. Trabalhar com exemplos e demonstrações ajudam muito os alunos a entender conceitos. Em geral, atitudes como a empatia do professor pelos alunos, a promoção de aprendizado ativo (com a participação dos estudantes) e trabalhos em grupo, e valorização dos estudantes em geral, promove melhoras no desempenho dos alunos.

Para os alunos:

Anotar, mesmo que sejam fornecidas informações impressas pelo professor, ajuda na assimilação do conteúdo. No caso de faltas, buscar informações com colegas em vez de na internet ou em livros ajuda no aprendizado devido à interação e troca de conhecimento. No estudo em casa, é melhor antes rever o conteúdo para depois resolver problemas. Resolver problemas de maneira honesta, antes de olhar as soluções, é melhor do que simplesmente verificar as respostas corretas. Comparar a resolução de problemas com a resposta correta e tentar compreender como resolver problemas em vez de sempre conseguir a resposta certa permite ao aluno adquirir maior capacidade de raciocínio. Trabalhar em conjunto deve ser uma segunda etapa, depois de se tentar estudar sozinho. A posterior reflexão sozinho, depois de se trabalhar em grupo, também é importante.

Finalmente, os autores indicam que é importante para os professores reconhecerem que os alunos são diferentes e aprendem de diferentes maneiras. Logo, procurar diferentes formas de ensinar favorece uma resolução mais ampla de problemas de aprendizado em uma mesma turma de alunos.

O artigo de Hofmann e McGuire é bem interessante, e, na minha opinião, merece ser lido, tanto por professores como por alunos. Na atual conjuntura, em que o ensino e o aprendizado passam por muitas transformações, em decorrência da disponibilidade de novas tecnologias e um volume de informações muito maior, nada como a reflexão de profissionais experientes sobre este assunto. É um artigo para reflexão.

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Outro artigo, publicado no “Estado on-line” de hoje, já não é tão estimulante. Só a manchete já preocupa: “25% dos futuros professores do País se formam em cursos ruins”. Veja aqui.



Categorias:educação, informação

4 respostas

  1. Berlinck,

    Quando vi o artigo, pensei imediatamente em lhe enviar uma cópia. Você foi mais rápido! Muito do que já conversamos aparece citado no artigo. Um novo jeito de ensinar começa a ganhar espaço no meio acadêmico. Que seja bem vindo!

    Aprigio

    • Caro Aprígio,
      A rapidez, no caso, se deve essencialmente a quem foi ao “google reader” primeiro, certo?
      Mas é isso: concordo com você. Gostei muito do artigo, e acho que tem muitas boas idéias e sugestões para um ensino e aprendizado mais proveitosos.
      Roberto.

  2. Prezado Berlinck
    Agradeço por compartilhar conosco este artigo. Certamente, o levarei para sala de aula na próxima terça e o discutirei com meus alunos de Química Orgânica Teórica I. Estou cada dia mais convencida que meu papel em sala de aula não é ensinar Química Orgânica aos alunos, mas ensiná-los a gostar da disciplina. Afinal, se eles gostam, eles estudam e, se estudam, aprendem. Meu trabalho em sala é torná-los tão motivados ao ponto de garantir que dêem continuidade aos estudos em casa, sozinhos ou em grupo (melhor estratégia, na minha opinião).
    Grande abraço!

    • Oi Conceição,
      Você tem toda razão. Que adianta “tentar ensinar” sem fazer os alunos gostarem do conteúdo da disciplina? Isso, sim, é mais importante (e também mais difícil…). Bem ensinar é uma arte.
      Tudo de bom.
      Roberto.

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