José Saramago

José-Saramago

Ao término de “O Caderno” fica a sensação de que muito foi dito em poucas palavras. Mais do que um romancista, José Saramago é poeta, por seu cuidado com as palavras e com tudo o que diz. “O caderno” são as postagens de Saramago em seu blog, “O caderno de Saramago”, desde o início, em 17 de setembro de 2008, até dia 15 de março, onde trata dos mais variados assuntos, como a história de Portugal, economia, política, religião, direitos humanos, literatura. Saramago não economiza assuntos, tampouco palavras, das quais faz uso na justa medida.

“A jangada de pedra” foi o primeiro romance que li de Saramago. Tive uma forte impressão desta história de final triste, que tem um toque de Gabriel Garcia Márquez. As idiossincrasias lusitanas pelas quais Saramago navega em sua jangada são às vezes assustadoras, mostrando um lado humano muito forte. Ironicamente, apesar da jangada ibérica incluir a Espanha, Saramago pouco revela sobre esta.

Outros livros que li de Saramago não são menos diferentes, como “O conto da ilha desconhecida”, “A bagagem do viajante” e “Objecto quase”. De “Todos os nomes” ficou-me a sensação que somos todos iguais, como o Sr. José, protagonista em busca de si-mesmo, que me lembrou “Escuta, Zé ninguém”, de Wilhelm Reich, lido muitos anos atrás. A saga surrealista de Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas, que tem como pano de fundo a construção do Convento de Mafra em “Memorial do convento”, traduz um pouco da insanidade de alguns personagens históricos de Portugal, como o padre Bartolomeu Lourenço e D. João V. A delicadeza e sensibilidade d‘As intermitências da morte são de uma beleza singular, quando se tem a impressão que o autor chama a morte para si, mais perto, para que, como no livro, ela se apaixone por Saramago e o deixe viver, por muitos anos mais. Que assim seja.

Ainda não li os outros livros de José Saramago, mas pretendo. Embora não tenha o tempo que gostaria para ler livros de muitos outros autores, dentro de minhas limitações considero três “os” autores atuais: José Saramago, Umberto Eco e Chico Buarque. Muitos irão discordar de minha opinião.

Uma sugestão: no caso da visita ao blog “O caderno de Saramago”, que se leia do início (17 de setembro de 2008) para o fim (31 de agosto de 2009). Mas é apenas uma sugestão.

Em tempo: “Ensaio sobre a cegueira”, que me perspassou como um dos mais lúcidos tratados sobre a natureza humana, na qual Saramago piamente acredita, como no amanhecer final.



Categorias:educação, informação

2 respostas

  1. Apesar de não ter lido nenhuma obra dele, respeito muito seu trabalho e muitas citações do qual tomei como lema ou reflexão. Não obstante, a imensa dificuldade que passo desejo-lhe não o mesmo, mas como exemplo de escritor bem-sucedido comercialmente.

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