Lendo sobre a vida e trabalhos de cientistas especiais, sempre tive a curiosidade de saber como tais pessoas pensam e elaboram suas idéias, muitas vezes consideradas geniais. À Einstein se atribui a afirmação que “ciência = 10% de inspiração + 90% de transpiração” (ou algo parecido). Pois pesquisa realizada pela Dra. Nancy J. Nersessian (School of Interactive Computing, Georgia Institute of Technology) mostra que as descobertas e as “sacadas” (insights) nas fronteiras da ciência não “surgem do nada”, mas quase sempre são decorrentes de processos que ocorrem por incrementos de imaginação e analogias, imagens e simulações, de maneira focada. Em ciência de fronteira, os problemas são sempre mal definidos e as evidências experimentais são limitadas. De maneira a desenvolver compreensão sobre um determinado sistema sob investigação, cientistas constroem modelos com o mundo real e tentam realizar predições. Tais modelos são inicialmente apenas tentativos, mas são posteriormente revisados e refinados, de maneira a trazer para a comunidade novas formas de soluções para problemas novos. Desta forma, modelos são de extrema importância no processo de pensamento criativo dos cientistas.
A Dra. Nersessian estudou processos cognitivos que formam a base da criatividade científica, observando cientistas trabalhando em seus laboratórios. Ela afirma que a resolução de problemas complexos na fronteira da ciência envolve problemas cognitivos complexos. Refletindo sobre tais modelos, parte do processo é mental, mas parte também ocorre no mundo real. Em geral a resolução dos problemas abordados pela ciência é resolvida pela interação cientista/modelo, que é um processo cognitivo altamente criativo.
As pesquisas de Nersessian objetivam entender como as características de aulas e laboratórios de aprendizado podem ser melhoradas para promover criatividade, e como novos métodos de ensino podem ser desenvolvidos a partir desta compreensão. Segundo a pesquisadora, tais métodos podem levar estudantes de ciência a dominar abordagens de raciocínio baseadas em modelos para a resolução de problemas, bem como estimular aqueles investigadores que não se consideram cientistas tradicionais.
Confesso que já “me peguei” muitas vezes tendo idéias em situações as mais inusitadas, como dirigindo, durante uma refeição sozinho, viajando ou praticando esportes. Mas é muito difícil perceber como as idéias surgem. Por isso é sempre bom estar atento, pois “a sorte favorece somente os espíritos preparados” (ou algo assim), segundo Pasteur.
Veja o artigo da Dra. Nersessian, aqui. Fonte: ScienceDaily.
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