Pesquisa melhora ensino

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Artigo publicado da Science desta semana relata estudo realizado por pesquisadores da Columbia University, que demonstrou que estudantes (de 2º grau) de professores treinados em pesquisa apresentaram melhor desempenho em aulas de ciências do que aqueles que não tiveram professores com a mesma experiência. O estudo demorou 12 anos para ser realizado. A pesquisa também relacionou o desempenho dos estudantes destes professores bem treinados a menores investimentos em educação, uma vez que o grau de repetência dos estudantes diminuiu. Ou seja, o que aparentemente poderia ser um aumento de custos (o investimento no melhor preparo dos professores), deixou de ser em decorrência do melhor desempenho dos estudantes.

O programa criado pela Columbia University, denominado “Columbia’s Summer Research Program for Science Teachers”, provê condições para professores de escolas de 2º grau adquirir experiência didática de caráter prática, além de recursos para a aquisição de material para aulas práticas de ciência. Os alunos são estimulados a participar das aulas práticas e na resolução de problemas, de maneira a aumentar seu interesse e compreensão do conhecimento científico.

O principal autor do trabalho, Samuel C. Silverstein, explica a abordagem: “É um conceito simples, que faz uso dos recursos físicos e humanos já disponíveis. Os benefícios econômicos ultrapassam os custos. Ou seja, funciona.” Após a aplicação da metodologia, os estudantes de segundo grau que tiveram professores melhor preparados passaram a apresentar melhor desempenho no exame de conclusão do 2º grau (high school), que inclui: álgebra integrada, história e geografia mundial, história e governo dos EUA, e uma área científica (biologia, química, ciências da terra ou física).

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Segundo Silverstein, “consideramos que, se os professores [de 2º grau] aprendem sobre problemas científicos do mundo real utilizando as ferramentas científicas modernas, passam a apresentar uma compreensão mais profunda e ampla sobre a ciência que ensinam, o que leva aos seus estudantes a aprenderem de maneira mais efetiva.” Quase 200 professores da Columbia University participaram do programa, orientando os professores de 2º grau em seus laboratórios, apresentando seminários de interesse científico geral e observando as atividades didáticas dos professores de 2º grau em suas escolas. As atividades, desenvolvidas durante o verão, tiveram a participação de professores da Columbia University e de estudantes de pós-graduação e de pós-doutorado. Para muitos estudantes do ensino médio, foi a primeira oportunidade de ter contato com o mundo científico.

Apesar de existirem mais de 100 programas deste tipo nos EUA, a pesquisa desenvolvida pelo grupo coordenado por Silverstein foi a primeira a apresentar o impacto positivo das atividades desenvolvidas. Os professores de 2º grau participantes do programa da Columbia University recebem US$ 6.000,00 por verão, acesso às bibliotecas da Columbia University, e podem ainda solicitar US$ 1.000,00/ano para a compra de material didático para seus cursos e mais US$ 1.000,00/ano para participar de encontros científicos.

Ainda segundo Silverstein, “a ciência é o mais poderoso método desenvolvido para que possamos entender a nós mesmos, o nosso universo e o nosso lugar no mundo. A missão da Columbia University é de preservar, comunicar e gerar conhecimento e a compreensão deste conhecimento. Ao criar oportunidades para estudantes e professores do 2º grau ter um contato mais direto com a ciência, a Columbia University confirma seu compromisso com sua missão e com a tradição de uma educação liberal pela qual é conhecida.”

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O artigo por Samuel C. Silverstein, Jay Dubner, Jon Miller, Sherry Glie e John D. Loike, “Teachers’ Participation in Research Programs Improves Their Students’ Achievement in Science”, Science, Vol. 326, pp. 440 – 442 (2009), pode ser lido aqui (para os que têm acesso à assinatura da revista). Veja também uma divulgação em inglês deste mesmo trabalho, aqui.

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