A busca de financiamento de pesquisa pelos acadêmicos junto à iniciativa privada parece estar diminuindo nos EUA. Pelo menos é o que indica estudo realizado pelo Massachusetts General Hospital Institute for Health Policy. Por outro lado, o interesse na utilização de pesquisa publicada em artigos científicos parece estar crescendo, mesmo entre pesquisadores sem financiamento privado. Os fatores que podem ter contribuído para a mudança na busca pelo financiamento para projetos científicos parecem estar relacionados a conflitos de interesse entre as partes envolvidas, bem como pelo aumento de verbas para pesquisa por parte do National Institutes of Health (NIH, Instituto Nacional de Saúde) dos EUA, um dos principais órgãos de fomento.
O levantamento foi realizado entre 2006 e 2007, quando foram enviados questionários para membros de 50 universidades que receberam financiamento do NIH em 2004. Os formulários foram enviados para 2.900 acadêmicos, dos quais 2.100 responderam (74%). Destes, 53% disseram ter mantido algum tipo de convênio com a iniciativa privada durante os três anos anteriores, principalmente como consultores. Dos 2.100 que responderam, 20% disseram ter recebido apoio financeiro da iniciativa privada em 2006 – 8% a menos do que 10 anos antes (1995), quando este levantamento foi feito pela última vez. Porém, em termos de valores totais o volume financeiro de financiamento permaneceu inalterado, indicando, assim, um decréscimo no financiamento acadêmico per capita pela iniciativa privada em 10 anos. Dentre os que obtiveram apoio financeiro da iniciativa privada, a maioria eram consultores seniores, em média o dobro do número de membros com pouco tempo de vida acadêmica.
Os que obtiveram financiamento privado também apresentaram maior produtividade científica em revistas científicas de melhor qualidade. Provavelmente porque a indústria procurou financiar pesquisadores experientes e ativos. Todavia, boa parte dos resultados obtidos demorou a ser publicada, devido à confidencialidade que envolve o financiamento privado quando objetiva o desenvolvimento de processos e/ou produtos de interesse comercial. Mas o levantamento assinala que esta foi uma tendência geral entre pesquisadores acadêmicos, mesmo para aqueles sem financiamento da iniciativa privada, dos quais o número de patentes e contratos de confidencialidade mais do que dobrou desde 1985.
O estudo indica que as relações universidade – iniciativa privada deram uma “esfriada” nos EUA, devido ao aumento de processos regulatórios internos às universidades (burocracia?), mas também porque esta relação não é bem vista pela sociedade americana em geral.
No que tange ao Brasil, a tendência parece ser exatamente a contrária. Os investimentos da Petrobrás em projetos desenvolvidos nas universidades nos últimos anos são enormes. De maneira extremamente positiva, muitas universidades federais brasileiras que abrigam um corpo docente de alta qualidade têm conseguido financiamento por parte da Petrobrás e de outras empresas, para desenvolver projetos tanto de caráter aplicado como de pesquisa básica (ainda que voltada à aplicação). Além disso, o volume financeiro de aplicação de recursos federais em pesquisa aumentou de maneira sem precedentes nos últimos anos, inclusive de maneira a fortalecer a infra-estrutura de pesquisa de regiões como o Norte, o Centro-Oeste e o Nordeste. Levando-se em conta o quadro atual de financiamento à pesquisa científica no Brasil, cabe agora aos pesquisadores não somente aproveitar bem estes recursos, como desenvolver projetos e gerar resultados de qualidade cada vez melhor.
fonte: ScienceDaily.
Categorias:ciência, informação


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