Faltam universidades ou bons alunos?

Segundo o Ministério da Educação, ensino superior para de crescer em São Paulo. Este é o tema de notícia de Fábio Takahashi, publicada na Folha on-line ontem 4/12/2009.

Após três anos de crescimento, o número de alunos que entra nas universidades privadas de São Paulo parou de crescer, ainda que a maioria dos jovens esteja fora do ensino superior. Segundo o censo do Ministério da Educação, o número de ingressantes no sistema aumentou apenas 0,6% entre 2007 e o ano passado – ou seja, ficou estável. No período anterior, havia crescido 14,8%.

Os dados foram tabulados por Oscar Hipólito, ex-diretor da USP de São Carlos e pesquisador do Instituto Lobo. A desaceleração ocorre em um momento em que só 15% dos jovens no Estado estão no ensino superior. O Plano Nacional de Educação prevê como meta um patamar de 30%. As explicações para a queda do crescimento são diversas. As universidades privadas afirmam que a taxa vinha aumentando devido ao Prouni, programa criado pelo governo federal em 2005 que concede bolsas a estudantes pobres em universidades privadas, em troca de isenção fiscal às escolas.

Para o sindicato que representa as universidades, o modelo chegou ao ápice e não conseguirá aumentar mais a quantidade de alunos. A taxa de novas bolsas caiu de 21,1% em 2007 para 1,1% no ano seguinte. O governo Lula diz que houve desaceleração devido ao aumento da fiscalização e da criação de indicadores de qualidade, como o Enade, o que inibe o crescimento de cursos ruins. Já o presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Estadual de Educação-SP, João Cardoso Palma Filho, cita a opção das instituições por implementar cursos baratos, mas que enfrentam saturação de diplomados no mercado de trabalho – é a situação de administração e direito.

Dessa forma, afirma ele, o jovem fica desestimulado a procurar uma faculdade.

Apesar de discordarem dos motivos que levaram à desaceleração, os educadores ouvidos foram unânimes em afirmar que a taxa de ingresso de alunos precisa voltar a crescer. O MEC aposta no novo modelo do Fies, programa federal de financiamento estudantil, que pode ser aprovado na próxima semana pelo Congresso. O projeto prevê juros mais baixos (de 6,5% para 3,5%), tempo maior para pagar a dívida e um período de 18 meses de carência (o aluno só começa a pagar a dívida um ano e meio após ter se formado). “Hoje o aluno tem medo de pegar o financiamento. Vamos mudar isso”, disse a secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci. Neste ano, 32 mil alunos fizeram o financiamento. O MEC diz ter recursos para financiar 200 mil no ano que vem.

O Semesp (sindicato das particulares de SP) propõe outras duas alternativas. Uma é abater mais impostos no Prouni, em troca de aumento de bolsas. A ideia vai ser levada à União. A outra é a possibilidade de o estudante usar o fundo de garantia para pagar o curso superior -proposta que está nos passos iniciais de análise no Congresso. “Se o FGTS pode financiar a casa própria, por que não os estudos?”, afirmou o diretor-executivo do sindicato, Rodrigo Capelato. Já o pesquisador Oscar Hipólito sugere que o financiamento seja mais amplo, com condições mais favoráveis aos alunos e que possa custear também gastos como material escolar.

O negócio é o seguinte: o acesso ao ensino superior deve aumentar em função da melhor formação dos alunos no ensino médio. E destes em função da muito melhor formação no ensino fundamental. De outra maneira, torna-se pouco efetivo  tentar se melhorar a formação profissional simplesmente aumentando a oferta de cursos para alunos que tem uma formação deficiente.

E tem mais: nem todo mundo deveria precisar fazer um curso de nível superior. Existem profissões e profissões, nesta intrincada rede, neste intrincado mutirão chamado de sociedade. O que seria de todos nós sem os prestadores de serviços? Há que se valorizar adequadamente todas profissões, para que não existam carências no mercado profissional. Não adianta todos serem empresários se não existirem empregados. Há que se identificar competências, e que estas competências profissionais sejam devidamente valorizadas. De outra forma, o ensino superior ficará banalizado, e se tornará de qualidade ainda mais discutível do que já é na grande maioria das instituições de ensino superior.



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