Notícia divulgada pelo jornal Folha de São Paulo on-line no dia 1º de dezembro trata do fato que
Seis medicamentos fitoterápicos são incluídos na lista do SUS – Angela Pinho (Brasília)
Seis novos fitoterápicos foram incluídos ontem na lista de remédios do SUS (Sistema Único de Saúde) que podem ser comprados com recursos do Ministério da Saúde. Até então, havia apenas duas plantas medicinais nesse rol: guaco, para tosse, e espinheira-santa, para úlcera. Agora, foram incluídos medicamentos à base de alcachofra, aroeira, cáscara-sagrada, garra-do-diabo, isoflavona de soja e unha-de-gato. Eles são indicados para prisão de ventre, inflamações e dores abdominais, entre outros problemas.
A isoflavona da soja, por exemplo, é usada para aliviar sintomas da menopausa, já que tem estrutura molecular semelhante à do estrogênio. Entretanto, para o presidente da Sociedade Brasileira do Climatério, César Eduardo Fernandes, a reposição hormonal é mais indicada, já que a isoflavona não tem ação a longo prazo e pode causar os mesmos efeitos colaterais. Para Fernandes, só deve ser utilizada quando a paciente não quiser ser tratada com hormônio.
Rosany Bochner, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), alerta que, ao utilizar um fitoterápico, as pessoas devem ter a mesma cautela que têm em relação a outros medicamentos, como avisar aos médicos sobre a utilização, já que alguns podem interagir com outros remédios. Outra preocupação é com as plantas vendidas sem indicação médica, porque podem não funcionar corretamente na dose comercializada e podem ser tóxicas.
O presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto d’Ávila, diz não ter nada contra a aprovação de novos fitoterápicos, desde que tenham eficácia comprovada cientificamente – o que o ministério garante – e sejam receitados por médicos. Para o secretário de Ciência e Tecnologia do ministério, Reinaldo Guimarães, a vantagem dos fitoterápicos é que eles são baratos e têm uso tradicional no país.
A iniciativa do governo é louvável, pois, além de mais baratos do que os medicamentos tradicionais, presume-se que a ação terapêutica das plantas selecionadas tenham sido investigadas à exaustão. O grande problema, porém, é o controle de qualidade das plantas a serem comercializadas. Muitas, senão todas, as plantas apresentam variações de metabolismo ao longo do ano, ou de 1 mês, uma semana e até mesmo ao longo de um mesmo dia. E por isso o conteúdo dos princípios ativos pode variar significativamente. Além disso, na forma desidratada em embalada muitas plantas podem ser falsificadas. Por isso, o controle de qualidade destes medicamentos vegetais deve ser extremamente rigoroso, uma vez que a sua “substituição” pode, além de ineficácia do tratamento, até mesmo causar intoxicações.
E ninguém gosta de comprar gato por lebre. Muito menos de tratar da saúde com algo do qual não se tem certeza se é autêntico ou não.
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