O verme Caenorhabditis elegans é uma pequena maravilha da natureza. Além de pequeno e fácil de manter em laboratório, sua fisiologia simples e genoma completamente sequenciado fazem deste animal um dos melhores modelos de laboratório para inúmeros estudos. O mais recente, realizado por pesquisadores da University of Maryland, Baltimore, objetivou entender como funcionam extratos complexos de plantas medicinais. Os extratos destas plantas podem ter dezenas ou centenas de substâncias, das quais poucas, às vezes só uma, apresenta a atividade medicinal.
Nos EUA, a utilização de plantas medicinais como medicamentos, os chamados fitofármacos, não é fácil. Pelo fato das plantas terem tantas substâncias, a aprovação de uma preparação feita com base em uma planta pode necessitar muita pesquisa para saber como atuam as substâncias desta planta. Por isso, só existe um fitofármaco aprovado nos EUA pelo órgão federal que regulamenta a aprovação de fármacos para ser comercializados – o Food and Drug Administration (FDA).
Utilizando os vermes C. elegans, os pesquisadores da U. de Maryland conseguiram descobrir como e quais substâncias de duas plantas medicinais atuam de maneira a prolongar a expectativa de vida do verme: a canela e o Ginseng.
Inicialmente os pesquisadores testaram um total de 10 extratos de 10 diferentes plantas que poderiam apresentar o mesmo efeito. Os testes foram realizados tanto com as plantas em mistura como separadamente. A casca da canela, Cinnamomum cássia, promoveu um aumento na vida média dos vermes de 14,5%, enquanto que o Ginseng promoveu um aumento médio de 7,7%. Além disso, as duas plantas reduziram a expressão de um fator de toxicidade em C. elegans,que é associado ao desenvolvimento da doença de Alzheimer em humanos.
Embora 49% dos adultos americanos utilizem medicamentos de origem vegetal, entender como tais medicamentos funcionam é extremamente difícil pelo fato de serem constituídos por misturas complexas de muitas substâncias químicas. Levando-se ainda em conta que medicamentos de origem vegetal são, muitas vezes, misturas de extratos de diferentes plantas, a análise destas preparações é muito demorada, podendo levar vários anos.
A utilização de C. elegans para entender o modo de funcionamento de extratos vegetais pode acelerar significativamente a utilização regulamentada destes medicamentos. Como o ciclo de vida do verme é curto, este se reproduz rapidamente, e o efeito das plantas pode ser observado em várias gerações. Como ainda a similaridade dos genes de C. elegans com o genoma humano é da ordem de 80%, a utilização de C. elegans para testar a eficácia de fitofármacos pode se tornar um método padronizado para a realização de estudos deste tipo.
Yu, Y., Dosanjh, L., Lao, L., Tan, M., Shim, B., & Luo, Y. (2010). Cinnamomum cassia Bark in Two Herbal Formulas Increases Life Span in Caenorhabditis elegans via Insulin Signaling and Stress Response Pathways PLoS ONE, 5 (2) DOI: 10.1371/journal.pone.0009339
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Nossa, que descoberta interessante! Dizem que esse verme tem diversos usos para fins medicinais, como eu vi nessa reportagem:
“Lori L. Anderson, C. Michael Crowder e colegas relatam, no periódico científico “Science”, que os espécimes do C. elegans que sobreviveram à hipoxia durante 22 horas possuem uma mutação em um gene que codifica uma enzima usada na tradução, um dos passos da produção de proteínas. Introduzir essa mutação em outros vermes tornou-os mais aptos a sobreviver em condições de baixo oxigênio.
Em um nível básico, a descoberta mostra que a síntese reduzida de proteínas aumenta a resistência de uma célula à hipoxia. Mas experimentos adicionais sugerem que há mais a concluir.
Para funcionar adequadamente, as cadeias protéicas precisam ser dobradas da maneira correta, com a sequência adequada de giros e voltas. Quando elas se desdobram, podem ocorrer coisas ruins, e a falta de oxigênio é uma forma pela qual elas podem se desdobrar.
O trabalho dos pesquisadores sugere que, nos vermes com a mutação genética, não só há menos proteínas por ali, mas também há menos das proteínas desdobradas.
A descoberta indica a possibilidade de que, algum dia, a sensibilidade de uma célula à falta de oxigênio poderá ser manipulada – o que poderia levar a tratamentos para condições como derrames ou ataques cardíacos, onde a falta de oxigênio leva à morte celular”
fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL987061-5603,00-MUTACAO+AJUDA+VERME+A+SOBREVIVER+COM+POUCO+OXIGENIO.html
Espero que consigam êxito nessas pesquisas, poq esse verme possui um ciclo de reprodução rápido e é um ser vivo muito resistente =D
Muito legal a notícia 😉
abraços.
Oi Gabi,
Muito obrigado pelo seu comentário e por trazer mais informações sobre a utilização de C. elegans em outras pesquisas científicas. Este verme é, realmente, uma espécie única e muito versátil, que permite sua utilização em inúmeros projetos de pesquisa para se estudar os mais variados processos fisiológicos. Já conseguiram até mesmo criar uma variante de C. elegans com a proteína verde fluorescente, que permite “visualizar” os processos que ocorrem “dentro” de C. elegans.
Tudo de bom,
Roberto