Os exames vestibulares, segundo o Ministro da Educação

Ao afirmar que o vestibular “criou cotas para populações mais abastadas”, o Exmo. Ministro da Educação, Professor Fernando Haddad, parece estar colocando no vestibular a culpa da falha do sistema educacional em criar condições para os alunos de 2º grau egressos de escolas públicas (na sua maioria) em ter condições de cursar o ensino superior. Ou seja, que as universidades que aplicam vestibulares criteriosos estariam “criando cotas” para populações mais abastadas. Tal afirmativa está longe de ser verdadeira. Primeiramente porque as universidades não estão interessadas em segregar alunos de acordo com sua classe social, ou por sua cor, ou pelo seu grau de conhecimento. Mas, sim, procuram avaliar se o aluno está preparado para cursar o ensino superior. Se o aluno não está preparado, a culpa não é do vestibular, e sim do ensino médio.

A reportagem publicada ontem no jornal Folha de S. Paulo on-line também diz que

O ministro da Educação, Fernando Haddad, criticou nesta sexta-feira o modelo do vestibular tradicional que, na avaliação dele, exclui os jovens pobres da universidade pública. “O vestibular é uma cláusula de barreira impeditiva ao desenvolvimento profissional dos nossos jovens, [o vestibular] criou cotas para populações mais abastadas que são capazes de pagar cursinhos e taxas elevadas de inscrição”, afirmou.

Haddad defendeu que, além de excluir os estudantes mais pobres, o vestibular “massacra o ensino médio do ponto de vista pedagógico” o que causa o desinteresse dos jovens. “Os programas de vestibular se amontoam e criam uma matriz enorme para o ensino médio. Nem os enciclopedistas franceses passariam no vestibular do Brasil com facilidade com essa quantidade de conteúdos para aprender”, comparou.

Que o exame de vestibular não seja o modelo mais adequado para se avaliar os alunos egressos do médio pode até ser verdade. Mas e o ensino médio? Como vai o ensino médio público? A questão foi reduzida à qualidade do vestibular, sem levar em conta a qualidade do ensino médio.

Bem, qual a proposta para substituir os exames vestibulares? Porque algum critério de seleção há de haver, pois não existem condições das instituições de ensino superior de absorver todos os alunos egressos do ensino médio.

Outra alternativa seria uma avaliação contínua dos alunos de ensino médio durante os três anos deste. Embora interessante, esta avaliação implica em um sério problema de critérios uniformes de avaliação, por um lado, e, por outro lado uma questão de logística: como e quem vai realizar tal avaliação.

Fato é que as universidades têm se debruçado sobre este problema com maior ou menor atenção, tentando estabelecer critérios adequados para a avaliação dos alunos ingressantes no ensino superior. Não é tarefa simples. De qualquer maneira, no atual estágio da educação no Brasil critérios de seleção para ingresso no ensino superior sempre haverão de existir, uma vez que o acesso é numericamente limitado e porque infelizmente boa parte dos alunos egressos do 2º grau não têm formação suficientemente adequada para entrar nas universidades (públicas, ainda as de melhor qualidade, na sua maioria).



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