O meio-ambiente que se f***!!??

Esta é a nítida impressão que se tem, quando se lê as notícias dos últimos dois dias sobre este assunto. A situação parece estar chegando a um ponto sem retorno, segundo a ONU, a partir do qual as conseqüências podem ser imprevisíveis e irreversíveis.

“Perda de biodiversidade já ameaça economia, diz ONU” é a manchete de reportagens dos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo.

A destruição de ecossistemas da Terra deve começar a afetar economias de vários países nos próximos anos, de acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta segunda-feira.

O Terceiro Panorama Global de Biodiversidade (Global Biodiversity Outlook ou GBO-3, na sigla em inglês) afirma que vários ecossistemas podem estar próximos de sofrer mudanças irreversíveis, tornando-se cada vez menos úteis à humanidade. Entre estas mudanças, segundo o relatório da ONU estariam o desaparecimento rápido de florestas, a proliferação de algas em rios e a morte generalizada de corais.

Até o momento, a ONU calculou que a perda anual de florestas custa entre US$ 2 trilhões e US$ 5 trilhões, um número muito maior que os prejuízos causados pela recente crise econômica mundial. O cálculo foi feito com base nos valores estipulados em um projeto chamado Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (EEB) para serviços prestados pela natureza, como a purificação da água e do ar, a proteção de regiões litorâneas de tempestades e a manutenção da natureza para o ecoturismo.

Leia o restante das reportagens aqui e aqui.

Além destas, de ontem, outra, também publicada n’O Estado de S. Paulo de ontem não é mais animadora

Danos ambientais podem ser irreversíveis, alerta ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu hoje que a “enorme” perda de vida sustentável em ambientes naturais deve se tornar irreversível se os objetivos globais para impedir as perdas não forem atingidos neste ano. “Este relatório indica que estamos chegando a um ponto sem retorno no qual danos irreversíveis serão causados a menos que tomemos atitudes urgentemente”, disse Ahmed Djoghlaf, secretário-executivo da Convenção de Diversidade Biológica da ONU.

O estudo “Perspectivas Globais de Biodiversidade” descobriu que o desmatamento, a poluição e a exploração excessiva estão prejudicando a capacidade produtiva dos ambientes mais vulneráveis, dentre eles as florestas da Amazônia, lagos e recifes de corais. Djoghlaf argumentou que as taxas de extinção de algumas espécies animais e vegetais atingiram um pico histórico, até mil vezes maiores que as vistas antes, chegando mesmo a afetar colheitas e criação de animais.

O relatório da ONU foi baseado, em parte, em 110 relatórios nacionais feitos com o objetivo de atender a promessa de 2002 de “reduzir significativamente” ou reverter a perda de biodiversidade. Djoghlaf disse aos jornalistas que nenhum país atingiu as metas. “Continuamos a perder biodiversidade numa taxa sem precedentes”.

Leia o restante da reportagem, aqui. E tem as reportagens de hoje

ONU: degradação florestal custa até US$ 4,5 tri ao ano

Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) alerta para os impactos econômicos da perda da biodiversidade no mundo. Em âmbito global, os desmatamentos e a degradação florestal levam a um custo anual entre US$ 2 trilhões e US$ 4,5 trilhões (R$ 3,6 trilhões e R$ 8,2 trilhões) – para se ter uma ideia, o valor é maior do que os prejuízos provocados pela recente crise financeira mundial.

Chamado de Terceiro Panorama Global de Biodiversidade, o estudo do Pnuma demonstra também que espécies invasoras (que podem competir com espécies nativas e danificar plantações) podem custar para a economia global US$ 1,4 trilhão (R$ 2,5 trilhões) ou mais. Somente na África subsaariana, os invasores são responsáveis por perdas anuais que somam US$ 7 bilhões (R$ 12,8 bilhões).

“Muitas economias continuam cegas para o enorme valor e papel da diversidade de animais, plantas e outras formas de vida num ecossistema saudável e funcional de florestas e água para solos, oceanos e a atmosfera”, diz Achim Steiner, diretor executivo do Pnuma. Alguns países começam devagar a perceber a importância econômica da biodiversidade. Porém, segundo as Nações Unidas, as iniciativas precisam ganhar escala mais rapidamente.

Mas o pior mesmo é saber que, segundo outra reportagem d’O Estado de S. Paulo,

Ainda é fácil garantir lucros sendo ambientalmente irresponsável

De forma geral os grandes bancos brasileiros  não têm políticas voltadas para floresta. Ou, se têm, não fazem questão de divulgá-las. Esta é uma das conclusões do recém-lançado relatório Close the Gap, que estuda a qualidade políticas de crédito e de investimento desenvolvidas por 49 bancos de 17 países.

Foram incluídas no estudo políticas bancárias para segmentos como agricultura, pesca, atividade florestal, mineração, petróleo e gás e geração de energia. Além de avaliar as instituições financeiras, o documento, publicado pela rede internacional Bank Track, que monitora as ações dos bancos voltadas à sustentabilidade, indica lacunas que devem ser preenchidas pelo setor bancário para que o segmento se torne mais responsável social e ambientalmente.

No mundo todo, somente um banco ganhou conceito máximo no setor florestal. Banco do Brasil, Bradesco e Itaú/Unibanco, os bancos brasileiros avaliados, levaram zero.

Leia o restante da reportagem aqui.

Bom, o que fazer, caro leitor?

Certamente não basta ler estas notícias aqui e comentá-las com os colegas de trabalho, de estudo, ou os familiares. É necessário pressionar as autoridades. Como? Bom, este ano é ano de eleições. Informe-se sobre seu partido de preferência, sobre seu possível candidato à presidência, ao governo de seu estado, sobre os candidatos a deputado federal e estadual. Onde? Um bom início é pelo site “Transparência Brasil”, que disponibiliza um mundo de dados sobre os partidos, os parlamentares e casas legislativas brasileiras. Visite o site da “Transparência Brasil” e procure as informações que deseja.

Além disso, você se lembra em quem votou nas últimas eleições? Não, não é mesmo? Pois bem, neste ano, ANOTE em quem você votou e guarde sua anotação junto a seu título de eleitor. Daqui a 1 ano, tente descobrir o que anda fazendo seu candidato eleito. Atualmente é possível se obter todas as informações que se deseja sobre deputados e senadores nos portais da Câmara dos Deputados e do Senado. Busque informações sobre estes, se informe e, de preferência, exija informações sobre o que seu candidato andará fazendo daqui a 1 ano e meio. Acompanhe seu desempenho, e, caso julgue importante, exija que seu candidato eleito apresente projetos para um desenvolvimento econômico, social e cultural que leve em conta o gerenciamento do meio-ambiente de maneira decente.

Não se omita! Ao se omitir, você não somente estará se prejudicando, mas também, e principalmente, a seus filhos, e netos. Não seja acomodado(a), não se contente com pouco. Exija informações do poder público, exija boa aplicação do dinheiro público e ações efetivas para minorar a degradação ambiental e o desaparecimento de espécies de maneira irreversível.

Se for o caso, organize passeatas, manifestações, abaixo-assinados e protestos. Pacíficos, sempre. Mas não se omita, nunca. Exija informações, cobre um desempenho de acordo com suas expectativas para que a vida possa ser boa para todos, sem o prejuízo ambiental. Reciclar lixo, economizar energia, andar de bicicleta, ter 1 carro só, comer menos carne vermelha, tudo isso é muito legal, mas não basta. O maior problema são as grandes corporações, os grandes bancos, os grandes empresários. Pense bem antes de gastar seu dinheiro com qualquer produto, comida, bebida, combustível, roupas e tudo o mais. O poder do cidadão é enorme, desde que este assuma a responsabilidade pelos seus próprios atos.



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