Cafeína e doenças neurodegenerativas

A revista Journal of Alzheimer’s Disease lançou número especial sobre os efeitos do café e da cafeína em doenças neurodegenerativas. O número especial foi editado sob a responsabilidade dos Drs. Alexandre de Mendonça (Instituto de Medicina Molecular e Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa) e Rodrigo A. Cunha (Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra, Faculdade de Medicina de Coimbra, Portugal). Os tópicos dos artigos publicados incluem: alvos moleculares da cafeína, modificações e adaptações neurofisiológicas, bem como potenciais mecanismos que determinam ações neuroprotetoras e comportamentais da cafeína em diferentes patologias cerebrais.

Por exemplo, um estudo epidemiológico demonstrou uma correlação inversa entre o consumo crônico de cafeína e a incidência de doença de Parkinson. Aparentemente a cafeína previne a perda de coordenação motora bem como o surgimento do processo neurodegenerativo associado à doença. Outros estudos puderam estabelecer uma correlação entre o consumo moderado de cafeína e o declínio cognitivo associado com o envelhecimento e a incidência de doença de Alzheimer. Estudos com animais indicaram que a administração de cafeína previne a deterioração da memória bem como a neurodegeneração.

Outras conclusões apresentadas pelos estudos publicados indicam:

* Múltiplos efeitos benéficos da cafeína para normalizar as funções cerebrais e prevenir sua neurodegeneração.

*O uso da cafeína como modelo para o tratamento de doença de Alzheimer.

* O impacto positive da cafeína na cognição e no desempenho da memória.

* A identificação de receptores A2A da adenosina, que são os principais alvos moleculares do processo de neuroproteção promovido pelo consumo de cafeína.

Os dados coletados durante as pesquisas foram avaliados por meta-análises, inclusive os dados epidemiológicos coletados para verificar a correlação entre o consumo de cafeína e a diminuição da ocorrência de doença de Parkinson. Os editores ressaltam ainda que um dos maiores problemas associados ao surgimento da doença de Alzheimer é a mudança de humor, a qual pode ser “normalizada” pelo consumo de cafeína.

Curiosamente, a publicação do número especial da revista Journal of Alzheimer’s Disease, intitulado “Therapeutic Opportunities for Caffeine in Alzheimer’s Disease and Other Neurodegenerative Diseases”, foi financiado pela Associação Industrial e Comercial do Café. De qualquer forma, todos os artigos publicados estão disponíveis gratuitamente no site da revista (veja aqui).

Resta saber se o consumo de refrigerantes à base de cafeína deve ser estimulado. Bem como o consumo de doses significativas de cafeínas por pessoas idosas. A associação do consumo de refrigerantes e altas doses de cafeína poderia levar a um outro quadro patológico – velhinhos insones e obesos.



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