Reportagem publicada hoje no jornal Folha de S. Paulo relata que
SP desiste de regra para contratar docente – Fábio Takahashi e Felipe Luchete
O governo de SP autorizou a contratação de professores que não tenham prestado um exame de seleção. Criado em 2009, o exame, segundo sempre pregou o próprio governo, tem como objetivo melhorar a escolha de docentes para a rede. A resolução já está em vigor. A secretaria diz que a norma, publicada ontem no “Diário Oficial”, é só uma garantia caso faltem professores temporários (não concursados). Primeiro, são chamados os concursados e depois, os temporários que passaram pela avaliação. A norma prevê ainda que formados em pedagogia poderão dar aulas, de forma emergencial, de matérias específicas -como física, química e matemática.
Não foram divulgados números sobre o déficit de docentes nem sobre o de alunos que estão sem aulas por falta de professor. A secretaria informou apenas que há carência na área de exatas. Os sindicatos do setor afirmam que a falta de docentes é generalizada. O próprio governador Alberto Goldman (PSDB) reconheceu anteontem que há deficit.
“A Secretaria da Educação já constatou e está fazendo todo o esforço para que sejam formados professores na área de física. Parece que ninguém quer ser professor de física, não sei por quê.”
Exmo. Sr. Governador do estado de S. Paulo, Alberto Goldman: o Sr. não entende porque ninguém quer ser professor de física? Eu explico: faça um curso de licenciatura em física durante 4 a 5 anos, de preferência em uma boa universidade para adquirir uma boa formação, e depois verifique o salário que é oferecido para os professores na rede pública de ensino de 2º grau. O Exmo. Governador entenderá a razão muito rapidamente.
Para os sindicatos, o governo enfrenta dificuldades para contratar por ter determinado que os temporários não podem dar aulas por anos consecutivos. Segundo lei aprovada em 2009, eles precisam ficar 200 dias fora da rede após um ano de trabalho. A ideia do Executivo é evitar que os temporários se transformem em permanentes, sem ter prestado concurso.
Sindicalistas dizem que o propósito é evitar a caracterização de vínculo empregatício, que elevaria os gastos. Também não houve tempo de chamar os 10 mil aprovados em concurso, aplicado no início do ano, que poderiam substituir parte dos cerca de 80 mil temporários. Os não concursados representam cerca de 40% de todo o corpo docente da rede.
Em nota, a secretaria negou que a “quarentena” para os temporários tenham prejudicado a distribuição de aulas – mas não deu mais detalhes sobre o assunto. A pasta [de educação do estado de S. Paulo] afirmou ainda que a resolução apenas cria um banco de candidatos, que só serão chamados em caso de emergência. Disse ainda que “a norma só foi publicada porque este é um ano eleitoral, quando não poderá ser feito novo concurso de admissão ou nova seleção”. A Secretaria da Educação enfrenta dificuldades em preencher os postos nas escolas desde o início do ano.
Após a aplicação da prova dos temporários, a pasta verificou que o volume de aprovados seria insuficiente e permitiu que reprovados também fossem chamados. Eles foram classificados segundo a nota do exame. Cerca de 40% dos professores não atingiram o desempenho mínimo necessário (metade das 80 questões).
“Agora, poderá dar aula até quem nem fez o concurso. Liberou geral”, disse o presidente da Udemo (sindicato dos diretores), Luiz Gonzaga Pinto. “Já é quase meio do ano e várias escolas estão sem todos os professores.” “Primeiro o governo avalia e exclui. Aí, vê que falta professor. Não há organização”, diz a presidente da Apeoesp (sindicato dos docentes), Maria Izabel Noronha. Segundo ela, os maiores déficit são em química, biologia e física.
Aparentemente, seriam necessários cerca de 50 anos para constituir um quadro docente de qualidade e em número suficciente para ministrar aulas de ciências no 2º grau no estado de S. Paulo. Isso porque o mercado de trabalho oferece salários muito baixos para os professores da rede pública. Se nada mudar no que se refere à política educacional no estado de S. Paulo, e no Brasil em geral, o que vai acontecer é que o Brasil terá que, cada vez mais, importar mão de obra qualificada (veja também aqui). Como conseqüência, teremos o desemprego de profissionais brasileiros mal qualificados. Tal quadro não poderia ser pior. É duro admitir: em 16 anos no governo do estado, o PSDB fez muito pouco pela educação. Mas no resto do Brasil a situação não é diferente, não. Muito pelo contrário. Veja-se a apreciação do Prof. Simon Schwartzman sobre este assunto, aqui.
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Com certeza é uma situação revoltante. Como podem contratar para darem aulas pessoas sem preparo ? Somente aqui no Brasil que acontece tal situação. Depois no futuro colhemos o fruto de adultos que não estão preparados, como você mesmo citou, é triste, é revoltante. Enfim, os professores precisam de uma qualificação melhor, as faculdades precisam se preparar melhor para educar de uma maneira satisfatória os seus docentes. E sem contar os jovens que terminarão o ensino médio e irão se deparar com um mercado cada vez mais competitivo, com os outros jovens com maior poder aquisitivo e com condições para frequentar uma escola particular , o que esses jovens que estudaram no colégio do estado vão sentir? É uma pergunta fácil e simples de responder, eles vão se sentir inferiores, e consequentemente sua auto estima ficará em baixa, e eles vão alimentar o sentimento de incapacidade.
Todo …. Mas todo ser humano é capaz, NENHUM é melhor que o outro , o que acontece é que alguns são mais privilegiados que os outros. Triste mesmo, muito triste ver, que a juventude do Brasil está sendo tratada dessa maneira!! Tenho até vontade de chorar…
Beijo ótimo post
Mari Nunes
Oi, Roberto!
Sobre este trecho de seu post:
A secretaria informou apenas que há carência na área de exatas. Os sindicatos do setor afirmam que a falta de docentes é generalizada. O próprio governador Alberto Goldman (PSDB) reconheceu anteontem que há deficit.
“A Secretaria da Educação já constatou e está fazendo todo o esforço para que sejam formados professores na área de física. Parece que ninguém quer ser professor de física, não sei por quê.”
Ontem 28/05, foi publicada uma carta no Painel do Leitor da Folha de S. Paulo, que é definitiva para esclarecer essa singela dúvida do Exmo. Governador – mostra dados numéricos incontestáveis. Merece registro e transcrevo aqui, com os devidos crédiitos e sinceros parabéns à leitora Magali Aparecida Lovatto Nascimento, de Manduri, SP:
Educação
“Parece que ninguém quer ser professor de física, não sei por quê”, disse o governador Alberto Goldman (Cotidiano, 26/05).
Posso ajudar a esclarecer. Química, biologia e física, na grade estadual, têm duas aulas semanais no ensino médio. Para o professor completar uma jornada de 32 aulas/semana, precisa de 16 salas, com média de 40 alunos por sala – 640 alunos, no mínimo.
Se o professor aplicar duas avaliações mensais, são 1.280 provas a corrigir, além de 16 diários de classe para preencher e, pasmem, as 32 aulas são distribuídas em duas ou três escolas, porque dificilmente há em uma única escola 16 turmas de ensino médio. Tudo isso para ganhar R$7 por aula.”
Será que assim ficou claro para o Excelentissimo, ou precisamos desenhar? 😛
Oi Sibele,
Excelente. Muito obrigado pelas informações adicionais.
Roberto