Informação e educação

Reportagem recente publicada no jornal “O Globo” diz que o brasileiro tem um melhor conhecimento e uma melhor percepção sobre o tema “biodiversidade” do que europeus e americanos. Ao contrário do que diz o título da reportagem, “Brasileiros sabem mais sobre biodiversidade que europeus ou americanos”, os brasileiros percebem a importância da biodiversidade. Daí a saber o que é biodiversidade existe uma grande distância.

De qualquer maneira, fica evidente que o brasileiro está interessado e preocupado com a biodiversidade de nosso país, o que é muito importante. A reportagem do jornal “O Globo” se fundamenta em pesquisa realizada pela Union for Ethical BioTrade (veja todo o documento, aqui).

Outra pesquisa recente, realizada nos EUA por Jon Krosnick , do Woods Institute for the Environment da Universidade de Stanford, mostrou que 75% dos americanos percebem a importância do aquecimento global e desejam que o governo Americano tome iniciativas para mitigar o problema. A pesquisa foi realizada com 1000 americanos selecionados aleatoriamente. O autor da pesquisa questiona resultados anteriores, que indicam que os americanos não acreditam no aquecimento global, e que este não é causado por ações humanas.

Contudo, sendo realizados desde 2006, os levantamentos de Krosnick revelam que decresceu o número de americanos que acreditam no aquecimento global é causado pela ação humana. Os números de 2007 indicavam que 84% dos americanos acreditavam no aquecimento global. O problema é que os invernos dos últimos anos têm sido particularmente rigorosos, e tal fator parece influenciar diretamente a opinião pública. Por exemplo, 2008 teve o inverno mais rigoroso desde 2000. Por isso, as pessoas baseiam suas opiniões nas próprias percepções em vez de se informar com fontes fidedignas. Ou seja, se em anos vindouros as temperaturas médias aumentarem, tais pessoas provavelmente voltarão a acreditar no aquecimento global.

Segundo Krosnick, somente 9% dos entrevistados sabiam sobre o “vazamento” de emails de pesquisadores da University of East Anglia, contendo comentários de dados do clima, que resultaram no escândalo do climategate. Sobre a descoberta de interpretações errôneas em um relatório do IPCC, apenas 13% dos entrevistados mostraram estar a par dos fatos. Dentre todos os entrevistados, 71% indicaram que confiam moderadamente, bastante ou completamente em cientistas que analisam o clima.

Ainda nesta mesma pesquisa, os resultados indicaram que 86% dos americanos desejam que o governo dos EUA adote medidas para limitar a poluição atmosférica, e 76% mostraram que desejam uma diminuição de gases que promovem o efeito estufa. Apenas 14% disseram que não desejam nenhuma ação do governo.

O aumento na percepção do problema do efeito estufa pelos americanos talvez seja resultado de um maior investimento dos meios de comunicação para divulgar a importância deste assunto. Neste sentido, o boletim da Organização Mundial da Saúde (WHO, World Health Organization) de abril deste ano demonstra que o papel dos meios de comunicação para bem informar o público é extremamente importante. O boletim apresenta dados deste ano que mostram que apenas 26% dos ingleses acreditam que o aquecimento global está acontecendo e resulta da ação humana. Nesta mesma edição do boletim da WHO, é fornecida uma referência que indica que apenas 34% dos americanos consideram que a maioria dos cientistas pensa que o aquecimento global está acontecendo.

O boletim da WHO mostra a importância que se considere as melhores evidências obtidas sobre o aquecimento global,para que medidas efetivas possam ser adotadas para diminuir as emissões de gases que causam o efeito estufa, bem como para se minimizar os efeitos do aquecimento global. Neste caso, o papel dos órgãos de informação é extremamente importante.

No entanto, confiar nos órgãos de comunicação é um problema sério. Basta assistir aos telejornais. E ler jornais e revistas. Às vezes a informação de um “complementa” a informação de outro, e por vezes se contradizem. Assim, como confiar nos órgãos de comunicação?

Com educação. Apenas com educação, espírito crítico, leitura, discussões, trocas de idéias é possível se formar um juízo sobre os fatos. De outra forma, é arriscar alto.



Categorias:ciência, educação, informação

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3 respostas

  1. Com educação. É tão óbvio, e no entanto, tão difícil…

  2. Em Portugal começa agora a falar-se de biodiversidade, isto a propósito de Darwin…
    Por aqui acontece algo peculiar: se alguém reclama da falta da informação, a informação é dada, e divulgada, mas com péssima qualidade e incitando as pessoas a pensarem de uma determinada maneira, em vez de lhes despertar espírito crítico…

    • Prezado Vasco,

      Sou muito grato por seu comentário. Penso que cultivar o espírito crítico é realmente importante, e tenho certeza que nossos irmãos lusitanos em pouco tempo perceberão a importância em melhor conhecer o valor da diversidade biológica.

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