Questionando Argumentos do Movimento do Design Inteligente (MDI)

Através da ideologia “A Cunha”, o propósito do MDI é alterar completamente e entendimento e a aceitação da filosofia natural científica, construída ao longo dos últimos 500 anos, de forma a tentar estabelecer uma nova ordem social, religiosa, cultural e moral. A estratégia do MDI consiste, primeiramente, em re-interpretar a história natural da Terra, de forma a inserir o conceito de um “designer” como elemento determinante no processo de surgimento e manutenção da vida. Assim, por exemplo, argumentam que pelo fato de não existirem todas as formas de transição em fósseis de espécies biológica, que ilustrem todas as mudanças ocorridas que justifiquem o surgimento de novas espécies, membros do MDI sustentam que as espécies teriam sido criadas pela intervenção de um “designer”. Este é um argumento teísta em sua essência, que ilustra ser o DI uma forma mais elaborada de filosofia criacionista.

Todavia, a pesquisa realizada ao longo dos últimos dois séculos por geólogos, paleontólogos e biólogos demonstrou claramente que todas as formas transicionais necessárias para demonstrar a evolução de muitas espécies já foram encontradas. Foram encontradas formas transicionais que demonstram tanto um gradualismo, em alguns casos, como mudanças bruscas, em outros casos, ilustrando que a velocidade das mudanças ocorridas em diferentes espécies biológicas pode variar consideravelmente. Não existe um padrão de mudança, e, por isso, a evolução ocorre tanto de acordo com o modelo gradualista como com o de mudanças bruscas.

Para explicar esta abordagem dialética da evolução, Niles Eldredge e Stephen Jay Gould desenvolveram o conceito de equilíbrio pontuado (ou equilíbrio pontual). Segundo Eldredge e Gould, a história da evolução apresentaria longos períodos de estabilidade, durante os quais as mudanças nas espécies biológicas seriam muito pequenas, pontuada por breves períodos de mudanças rápidas. O fundamento da proposta do equilíbrio pontuado é justamente a ocorrência de fósseis similares durante longos períodos geológicos, alternando com períodos nos quais se verificam mudanças significativas nos padrões fósseis.

Eldredge e Gould não invocam qualquer mecanismo especial, muito menos sobrenatural, para que as mudanças bruscas ocorram. Pelo contrário, argumentam que a especiação – o surgimento de uma nova espécie biológica – acontece quando uma espécie com características peculiares se torna isolada. No caso de populações pequenas isoladas, as mutações podem se espalhar mais rapidamente através do reservatório genético da população, e a taxa de mudança pode ainda aumentar caso a população esteja exposta a pressões seletivas diferentes daquelas que atuaram sobre a geração anterior. Já em populações grandes, amplamente distribuídas, as mutações irão se difundir vagarosamente. Além disso, mutações benéficas para uma parte desta grande população, que vive em uma determinada região, pode não ser benéfica para outra parte da população, que não vive na mesma região. Desta forma, populações maiores e mais espalhadas de uma espécie tendem a mudar mais devagar, e irão mudar menos ao longo do tempo.

A teoria do equilíbrio pontuado indica que a evolução Darwiniana pode e realmente produz novas espécies em breves períodos de tempo, e de forma que os registros fósseis surgiriam como se tivessem aparecido subitamente. O trabalho de Eldredge e Gould sobre a teoria do equilíbrio pontuado jogou por terra a noção que o súbito aparecimento de novas espécies seria incompatível com o processo de evolução gradual, como proposto por criacionistas e membros do MDI.

Membros do MDI reconhecem que a teoria do equilíbrio pontuado é totalmente antagônica com seus pontos de vista, e é considerada como um grande incômodo ao argumento do design (P. E. Johnson, Darwin on Trial, pp. 61-62). A proposta de Gould e Eldredge vai de encontro ao formalismo (estruturalismo) na biologia. A visão dialética proposta por Gould, de que o processo evolutivo é uma interação entre “o interno” (com restrições estruturais herdadas geneticamente) e “o externo” (de pressões seletivas ambientais) justifica uma visão de mundo geral naturalista, que explica a história como um processo de contingências governado por forças naturais, livres de “design” e propósitos. O principal livro de Gould sobre este tópico é “Wonderful Life” (“Vida Maravilhosa”, Companhia das Letras).

Segundo Gould, como a seleção natural força a adaptação das espécies ao ambiente em que se situa, a seleção natural não direciona nem estabelece uma trajetória de longo termo para a evolução, pois o ambiente muda constantemente. Como as mudanças ambientais são imprevisíveis (basta considerar os vários terremotos e a erupção do vulcão Eyjafjallajoekull do início de 2010 para verificar que isso é verdade), a história futura da vida também é imprevisível. Assim, pode-se dizer que a contingência histórica é caprichosa, e a natureza é indiferente. Mais um exemplo disso foi a queda do asteróide (ou cometa) há cerca de 65 milhões de anos atrás, que levou os dinossauros à extinção. Como disse Gould, “os dinossauros reinaram durante 100 milhões de anos, e foram dizimados por uma eventualidade” (S. J. Gould, Natural History, 1994, vol. 103 (3), páginas 12-19).

A evolução não tem direção ou propósito final. A evolução avança através de contingências, de caminhos limitados pela seleção natural, e é periodicamente desafiada por eventos imprevisíveis. Uma vez que a importância fundamental da contingência pode ser devidamente considerada, podemos perceber que a existência dos humanos é uma mera casualidade, e que não existe uma tendência geral da evolução para levar ao surgimento de seres inteligentes.

Ainda argumentando sobre a natureza não-finalista (teleológica) da evolução, Gould aborda a emergência de formas de vida complexas em seu livro “Full House”. Gould indica porque as pessoas em geral tendem a pensar que a evolução teria tendência a produzir formas cada vez mais complexas de vida. Seria porque, aparentemente, ao longo do tempo foram surgindo organismos vivos cada vez mais complexos. Todavia, Gould mostra que tal pensamento é enganoso, e se baseia em uma falta de entendimento de processos estatísticos. E explica que, tendo surgido a partir de constituintes químicos através de processos físicos de auto-organização, a vida necessariamente iniciou em um nível muito simples: com organismos unicelulares. Após sua origem, a vida ficou livre para sofrer variações em muitas direções, com uma exceção: não poderia se tornar menos complexa do que um organismo unicelular. De outra forma, não seria mais vida. A partir do momento em que as formas de vida foram se adaptando ao ambiente em que se situam, não houve uma progressão necessária em direção das formas mais complexas de vida. Porém, como não era mais possível “voltar atrás” para a não-vida, a evolução dos seres vivos só pôde caminhar para formas mais complexas. Assim, apesar dos organismos unicelulares serem (de longe) os mais comuns em todo o planeta Terra, a vida caminhou para formas mais complexas que hoje conhecemos, e criou a falsa impressão que a evolução necessariamente caminha das formas menos complexas para as mais complexas. Na verdade, a evolução caminhou de uma menor biodiversidade para uma maior biodiversidade.

Apesar do “caminho para uma complexidade crescente” ocorrer por acaso, a evolução não é fruto do acaso. A seleção natural é uma força organizadora e, na verdade, os organismos vivos têm um “bom design” por causa da seleção natural e das forças naturais que promovem estruturação. Mas não existe uma razão geral do porque seria vantajoso ter uma estrutura mais complexa em um determinado ambiente. Uma vez que as espécies biológicas puderam surgir de maneira diferenciada com relação aos primitivos seres unicelulares, estas puderam formar estruturas mais complexas, mas em alguns casos menos, em função das pressões seletivas do meio ambiente. Muitas espécies que se tornaram parasitas perderam complexidade ao se adaptar ao seu nicho ecológico particular. Não existe direcionamento biológico para formar espécies cada vez mais complexas. Os organismos mais complexos surgem devido a um processo de diversificação do seu grau de complexidade, mais do que pelo fato desta ser uma tendência geral estabelecida. Na verdade, nunca vivemos em um tempo geológico denominado “Idade do Homem”, mas sempre estivemos no tempo geológico “Idade das bactérias”. E provavelmente não iremos passar desta.

Referências consultadas

Andrew J. Petto and Laurie R. Godfrey, Scientists Confront Creationism – Intelligent Design and Beyond, W. W. Norton & Co., 2007.

Ernst Mayr, What Evolution Is, Basic Books, New York, 2001.

J. B. Foster, B. Clark, R. York, Critique of Intelligent Design, Monthly Review Press, New York, 2008.

Lynn Margulis and Dorion Sagan, What is Life?, University of California Press, Berkeley and Los Angeles, 2000.

Michael Shermer, Why Darwin Matters, Owl Books, , New York, 2006.

Niall Shanks, God, the Devil and Darwin, Oxford University Press, 2006.

P. E. Johnson, Darwin on Trial, Regnery Gateway, Washington D. C., 1991.

Stephen J. Gould, Vida Maravilhosa, Companhia das Letras.

Stephen J. Gould, Full House, Gradiva, Lisboa, 2000.



Categorias:ciência, educação, informação

9 respostas

  1. A invenção de design inteligente carece de criatividade. Ademais, o anunciante se coloca como falso modesto, quando na verdade busca o subjugo, o poder, marca espartana do protótipo.
    A composição de DARWIN é obsoleta, por mirar forças gravitacionais, e dialéticas resolutivas. Nada no universo é dialético. O Universo é ético. Nem dial, nem dual. É Uno. Ele não evolui por forças, embora por seleção natural. O Universo se formou e se expande a partir da IN-formação. Como tudo. Eis a razão do DNA.

  2. Uma próva simplista e concludente, ao mesmo tempo, contrária a evolução é a que estamos vivendo. Com o aquecimento global, milhares de espécies simplesmente se extinguem e não evoluem. Mesmo o aquecimento sendo lento e gradual as diversas espécies nao conseguem se adaptar. Isso poque, simplesmente, cada uma tem predeterminada, no próprio DNA, a sua estrutura como um todo e isso inclue a escolha do ambiente em que tal espécie irá viver. A verdade é que as espécies não se adaptaram, como insistem os evolucionistas, mas elas se estabeleceram nos ambientes que mais as favoreciam de acordo com as suas limitações predestinadas nos genes.

    • Caro Alisson,

      Na verdade, seu argumento não prova nada contra a evolução, pois está fundamentalmente errado. As extinções ocorrem e fazem parte da evolução. Se muitas populações de uma determinada espécie biológica em um determinado momento passar a estar sujeitas a pressões ambientais seletivas às quais não conseguirem se adaptar, nem sua prole, estas espécies irão se extinguir. Desta forma, se o aumento da temperatura causar efeitos em populações de determinadas espécies que comprometam a manutenção destas espécies através das gerações, estas espécies irão se extinguir em decorrência dos efeitos do aquecimento global. Talvez você esteja confundindo evoluir com progredir, no sentido de melhorar sempre, o que é um conceito totalmente errado de evolução. De maneira exageradamente simplista, o conceito de evolução pode ser resumido em: variação, mudança e adaptação. Se a taxa de variação do genoma de espécies que são mais diretamente afetadas pelos efeitos do aquecimento global for muito pequena, isso significa que o surgimento de variantes daquelas espécies ocorrem em uma freqüência muito menor do que a taxa do aumento da temperatura, e não existe “tempo suficiente” para que gerações sucessivas de tais populações apresentem variações que, eventualmente, favoreçam a manutenção de alguns indivíduos mais bem adaptados. Logo, depois de algumas gerações, pode ser que o número de indivíduos das populações destas espécies diminua muito, até o ponto de praticamente desaparecer, quando tais espécies serão consideradas extintas.

      Tua consideração que “cada uma [das espécies] tem predeterminada, no próprio DNA, a sua estrutura como um todo e isso inclue a escolha do ambiente em que tal espécie irá viver. A verdade é que as espécies não se adaptaram, como insistem os evolucionistas, mas elas se estabeleceram nos ambientes que mais as favoreciam de acordo com as suas limitações predestinadas nos genes.” também está errada, e isso pode ser facilmente demonstrado. Consideremos os humanos, por exemplo. Se a nossa estrutura estivesse pré-determinada no DNA, não teríamos tantas variações de cor de pele, de cabelo e de olhos, por exemplo. E estas variações tiveram um papel determinante na adaptação dos grupos de humanos no ambiente em que vivem, em função do índice de radiação UV que incide sobre a Terra, que varia de acordo com a latitude e a época do ano. Não sei se você sabe, mas a Austrália é o país que apresenta o maior índice de câncer de pele no mundo. Porque isso acontece? Porque os imigrantes europeus (principalmente ingleses) que para lá migraram a partir de 1770 praticamente não se misturaram com os aborígenes locais, ou com negros, ou com outros povos com cor de pele mais escura. Como os genes que determinam a cor da pele podem sofrer mudanças muito lentamente, estas populações de origem européia, uma vez expostas aos altos índices de radiação UV (principalmente a partir das décadas de 1970-1980, quando o buraco de ozônio na atmosfera passou a aumentar consideravelmente), não tinham melanina suficiente para bloquear a radiação UV na pele, que impede danos ao DNA localizado nas células epiteliais. Consequentemente, os australianos passaram a apresentar altos índices de câncer de pele. Já aqui no Brasil o câncer de pele também apresenta alto índice de ocorrência, mas bem menor do que na Austrália, pelo fato dos europeus que vieram para cá terem se miscigenado com muito maior freqüência com índios e negros, dando origem a descendentes com genes que controlam a produção de maiores quantidades de melanina na pele, que protegem contra a radiação UV. Este é um belo exemplo de como ocorre o processo da evolução através da seleção natural (para um texto mais completo sobre este exemplo em particular, veja aqui).

      Como sugestão de livros que explicam como a evolução ocorre, e das muitas provas da evolução, sugiro:

      Mark Ridley, “Evolução”, editora Artmed, 3ª edição, 2006.

      Jerry A. Coyne, “Why evolution is true”, Viking Ed., 2009 (ISBN 978-0-670-02053-9)

      Cordialmente,
      Roberto

    • E quem foi que disse que o aquecimento atual está sendo lento e gradual?

  3. só uma pergunta ao autor..de primeira mao sou teista e acredito que essa discussao de criacionismo X evolucionismo nada mais é do que interpretaçoes do que observamos…mas enfim…sobre a visao evolucionistas tenho algumas perguntas sobre algumas analises feitas e fatos que eu n possuo conhecimento…

    1)como coisas e sistemas complexamente irredutiveis( as celulas ..ou o exemplo dado da interaçao entre 11-cts-retinol com a rodopsina,a trasnducina; entre outros exemplos) pode ter sido feita gradualmente se a usencia de um elemento nesses sistemas os tornariam de inviavel sobrevivencia?

    2)por que as semelhanças fosseis n podem ser adotadas como obra de um projetista tendo como fundamento a possibilidade de vida na biosfera?(é só pra saber sua visao essa)

    3) o que vcs tem a dizer sobre a afirmaçao de Michael Dentom de que a nivel de sequencia de proteinas ele afirma que ”em um nivel molecular nao existe traço de transiçao evolucionaria de um peixe para um anfibio,deste para um reptil e deste ultimo para um mamifero.sendo assim,os anfibios,tradicionalmente considerados intermediarios entre os peixes e outros vertebrados,estao,em termos moleculares,tao longe do peixe quanto qualquer grupo de repteis e mamifero” ¹

    4)vcs acham mesmo que existe a possiblidade de formas transicionais n catalogadas terem sobrevido(a despeito da explosao cambriana)?já que a seleçao natural por definiçao escolheria o ”mais forte” e que por definiçao o acaso e os fatores de sobrevivencias e as mutaçoes sao graduais e de certa forma ”lentas”(entre aspas pq seria relativo se adotado o EP) de que forma macroevoluçoes como de repteis a aves poderiam ser transicionadas partindo do pressuposto que ele deveria deixar de possuir caracteristicas que ja eram adaptitativas para adquirir outras que o adptariam a outro ambiente(algumas delas irredutivelmente complexas..exemplo..penas..como o acaso e selçao definiria penas completas?..ja que o meio terno n proporcionaria voo)..já que muito provavelmente(probabilidade é que se pode apegar em teorias de mecanismos n repetidos) o meio termo n poderia sobreviver?independente de ser direcionada ou n..a teoria darwinista somada a abriogenese..necessita de inumeras
    formas transicionais..ja que é uma progressao que possui uma unica origem…e isso requer q todas as formas transicionais tenham sobrevivido…que todos os meio termos transicionais fossem forte suficiente fortes a sobreviver a seleçao natural…incluindo exemplos de complexidade irredutivel..que necessitariam de todos os componentes completos para a sua funçao que infere uma sobrevivencia…(desculpa o tamanho)

    5) pq toda essa contradiçao sobre os fosseis?..vcs afirmam que o cambrianismo e ausencia de determinados fosseis transicionais n servem de prova para infundaçao do evolucionismo..mas usam esses mesmos fosseis com lacunas adicionando o EP(que nesse contexto entra mais como uma desculpa..já que n se pode inferir mecanismos…só suposiçoes) para negar a existencia do design…eu concordo que os fosseis n sao sufucientes pra provar evolucionismos ou n…acho que isso corresponde a uma parte infima relacionado a estetica estrutural..e que devemos nos apegar a sequencias do DNA(o que todos os seres tem em comum(como o dr dwakins mesmo afirma)…e como citado acima..nota do livro ¹” darwin black box…”(me esqueci o resto..é uma critica biomolecular/bioquimica a teoria darwinista) q alguns ancestrais n possuem relaçoes molecurares parecidas, que por sua vez definiriam categoricamente a existencia de ancestrais comum(exemplo argumentar que temos ancestrais comum com os macacos pq
    temos semelhenças genicas de 90 a 95%) engraçado que vi uma pesquisa sobre genetica dos ratos(revista nature 420)..que afirma que os mesmo tem uma semelhança de 90% no DNA com os seres humanos…pode se argumentar uma pesquisa equivocada(como podemos duvidar de qualquer coisa)…mas se por acaso for realidade sugre uma grande pergunta…será necessario o uso de comparaçao genica..se for assim temos ancestrais comum proximos dos ratos??

    6) e por ultimos como vcs veem as mudanças ciclicas(tentilhoes de darwin) e o fato de muitos fosseis representarem animais ainda vivos e tambem o limite genetico(mesmo hj com toda a nossa inteligencia n conseguimos produzir uma nova especie de uma especie conhecida…por que o acaso e a leis da natuerza..ao qual nós temos superioridade intelectual seriam capazes)

    enfim encerro afirmando que isso n sao criticas mas minhas duvidas sobre a visao naturalista…o fato de eu considerar a visao naturalista muito pouco plausivel(a nivel evolutivo e de origem das coisas) n entra em questao..afinal sao minhas interpretaçoes da objetividade do que da pra ser observado…alem do mais acho euqivoco afirmar que qualquer posiçao cientifica que queira retratar um evento n repetido possa ser puramente empirica e que qualquer que for…necessita de uma determinada filosofia(naturalismo filosofico no caso de vcs) e de um certo grau de ‘fé”(destaco a fé na visao teista…firme fundamento das coisas que n se podem ver)…cordialmente

    Rafael

    • Caro Rafael,

      OK, vamos lá:

      acredito que essa discussao de criacionismo X evolucionismo nada mais é do que interpretaçoes do que observamos

      Depende. Embora interpretações possam ser múltiplas, poucas são as válidas. Interpretações válidas devem ser verificadas e comprovadas. De outra maneira, devem ser descartadas.

      1)como coisas e sistemas complexamente irredutiveis( as celulas ..ou o exemplo dado da interaçao entre 11-cts-retinol com a rodopsina,a trasnducina; entre outros exemplos) pode ter sido feita gradualmente se a usencia de um elemento nesses sistemas os tornariam de inviavel sobrevivencia?

      Quais células são irredutivelmente complexas: eucarióticas, procarióticas, fotossintetizantes, heterotróficas? Quais?
      Quanto ao sistema de captura de luz para transformação em imagem dos olhos que se baseia em retinol e rodopsina, não sou um especialista do assunto, muito pelo contrário (nunca li nada a respeito a não ser generalidades. Porém, fiz uma busca no banco de dados “Web of Science” buscando artigos de revisão bibliográfica (reviews) com os termos “rhodopsin” AND “evolution”. Encontrei 43 artigos. Destes selecionei alguns que talvez possam te interessar de maneira mais direta:

      Record 1 of 43
      Author(s): Stehfest, K (Stehfest, Katja); Hegemann, P (Hegemann, Peter)
      Title: Evolution of the Channelrhodopsin Photocycle Model
      Source: CHEMPHYSCHEM, 11 (6): 1120-1126 APR 26 2010
      DOI: 10.1002/cphc.200900980
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      Record 3 of 43
      Author(s): Jekely, G (Jekely, Gaspar)
      Title: Evolution of phototaxis
      Source: PHILOSOPHICAL TRANSACTIONS OF THE ROYAL SOCIETY B-BIOLOGICAL SCIENCES, 364 (1531): 2795-2808 OCT 12 2009
      DOI: 10.1098/rstb.2009.0072
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      Record 4 of 43
      Author(s): Larhammar, D (Larhammar, Dan); Nordstrom, K (Nordstrom, Karin); Larsson, TA (Larsson, Tomas A.)
      Title: Evolution of vertebrate rod and cone phototransduction genes
      Source: PHILOSOPHICAL TRANSACTIONS OF THE ROYAL SOCIETY B-BIOLOGICAL SCIENCES, 364 (1531): 2867-2880 OCT 12 2009
      DOI: 10.1098/rstb.2009.0077
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      Record 5 of 43
      Author(s): Lamb, TD (Lamb, Trevor D.)
      Title: Evolution of vertebrate retinal photoreception
      Source: PHILOSOPHICAL TRANSACTIONS OF THE ROYAL SOCIETY B-BIOLOGICAL SCIENCES, 364 (1531): 2911-2924 OCT 12 2009
      DOI: 10.1098/rstb.2009.0102
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      Record 7 of 43
      Author(s): Kashiyama, K (Kashiyama, Kazuyuki); Seki, T (Seki, Takaharu); Numata, H (Numata, Hideharu); Goto, SG (Goto, Shin G.)
      Title: Molecular Characterization of Visual Pigments in Branchiopoda and the Evolution of Opsins in Arthropoda
      Source: MOLECULAR BIOLOGY AND EVOLUTION, 26 (2): 299-311 FEB 2009
      DOI: 10.1093/molbev/msn251
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      Record 8 of 43
      Author(s): Yokoyama, S (Yokoyama, Shozo)
      Title: Evolution of dim-light and color vision pigments
      Source: ANNUAL REVIEW OF GENOMICS AND HUMAN GENETICS, 9: 259-282 2008
      DOI: 10.1141/annurev.genom.9.081307.164228
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      Record 10 of 43
      Author(s): Kawamura, S (Kawamura, Satoru); Tachibanaki, S (Tachibanaki, Shuji)
      Title: Rod and cone photoreceptors: Molecular basis of the difference in their physiology
      Source: COMPARATIVE BIOCHEMISTRY AND PHYSIOLOGY A-MOLECULAR & INTEGRATIVE PHYSIOLOGY, 150 (4): 369-377 AUG 2008
      DOI: 10.1016/j.cbpa.2008.04.600
      ——————————
      Record 12 of 43
      Author(s): Briscoe, AD (Briscoe, Adriana D.)
      Title: Reconstructing the ancestral butterfly eye: focus on the opsins
      Source: JOURNAL OF EXPERIMENTAL BIOLOGY, 211 (11): 1805-1813 JUN 1 2008
      DOI: 10.1242/jeb.013045
      —————————
      Record 14 of 43
      Author(s): Nickle, B (Nickle, B.); Robinson, PR (Robinson, P. R.)
      Title: The opsins of the vertebrate retina: insights from structural, biochemical, and evolutionary studies
      Source: CELLULAR AND MOLECULAR LIFE SCIENCES, 64 (22): 2917-2932 NOV 2007
      DOI: 10.1007/s00018-007-7253-1
      ——————————–
      Record 20 of 43
      Author(s): Terakita, A
      Title: The opsins
      Source: GENOME BIOLOGY, 6 (3): Art. No. 213 2005
      Article Number: 213
      ——————————
      Record 21 of 43
      Author(s): Piatigorsky, J; Kozmik, Z
      Title: Cubozoan jellyfish: an Evo/Devo model for eyes and other sensory systems
      Source: INTERNATIONAL JOURNAL OF DEVELOPMENTAL BIOLOGY, 48 (8-9): 719-729 Sp. Iss. SI 2004
      DOI: 10.1387/ijdb.041851jp
      ——————————-
      Record 23 of 43
      Author(s): Gonzalez-Fernandez, F
      Title: Interphotoreceptor retinoid-binding protein – an old gene for new eyes
      Source: VISION RESEARCH, 43 (28): 3021-3036 DEC 2003
      DOI: 10.1016/j.vesres.2003.09.019
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      Record 24 of 43
      Author(s): Bellingham, J; Foster, RG
      Title: Opsins and mammalian photoentrainment
      Source: CELL AND TISSUE RESEARCH, 309 (1): 57-71 Sp. Iss. SI JUL 2002
      DOI: 10.1007/s00441-002-0573-4
      ——————————–
      Record 26 of 43
      Author(s): Hunt, DM; Wilkie, SE; Bowmaker, JK; Poopalasundaram, S
      Title: Vision in the ultraviolet
      Source: CELLULAR AND MOLECULAR LIFE SCIENCES, 58 (11): 1583-1598 OCT 2001
      —————————–
      Record 28 of 43
      Author(s): Hart, NS
      Title: The visual ecology of avian photoreceptors
      Source: PROGRESS IN RETINAL AND EYE RESEARCH, 20 (5): 675-703 SEP 2001
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      Record 30 of 43
      Author(s): Yokoyama, S
      Title: Phylogenetic analysis and experimental approaches to study color vision in vertebrates
      Source: VERTEBRATE PHOTOTRANSDUCTION AND THE VISUAL CYCLE, PART A, 315: 312-325 2000
      Book series title: METHODS IN ENZYMOLOGY
      ————————-
      Record 31 of 43
      Author(s): Yokoyama, S
      Title: Molecular evolution of vertebrate visual pigments
      Source: PROGRESS IN RETINAL AND EYE RESEARCH, 19 (4): 385-419 JUL 2000
      ————————–
      Record 32 of 43
      Author(s): Nathans, J
      Title: The evolution and physiology of human color vision: Insights from molecular genetic studies of visual pigments
      Source: NEURON, 24 (2): 299-312 OCT 1999
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      Record 34 of 43
      Author(s): Bockaert, J; Pin, JP
      Title: Molecular tinkering of G protein-coupled receptors: an evolutionary success
      Source: EMBO JOURNAL, 18 (7): 1723-1729 APR 1 1999
      ———————————-
      Record 35 of 43
      Author(s): Etingof, RN
      Title: Light as the most important factor of evolution: Some molecular aspects
      Source: JOURNAL OF EVOLUTIONARY BIOCHEMISTRY AND PHYSIOLOGY, 33 (4-5): 492-504 JUL-OCT 1997
      —————————
      Record 37 of 43
      Author(s): Seki, T; Vogt, K
      Title: Evolutionary aspects of the diversity of visual pigment chromophores in the class Insecta
      Source: COMPARATIVE BIOCHEMISTRY AND PHYSIOLOGY B-BIOCHEMISTRY & MOLECULAR BIOLOGY, 119 (1): 53-64 JAN 1998
      ———————————–
      Record 38 of 43
      Author(s): Yokoyama, S
      Title: Molecular genetic basis of adaptive selection: Examples from color vision in vertebrates
      Source: ANNUAL REVIEW OF GENETICS, 31: 315-336 1997
      ———————————
      Record 39 of 43
      Author(s): Yokoyama, S
      Title: Molecular evolution of retinal and nonretinal opsins
      Source: GENES TO CELLS, 1 (9): 787-794 SEP 1996
      —————————-
      Record 40 of 43
      Author(s): Yokoyama, S; Yokoyama, R
      Title: Adaptive evolution of photoreceptors and visual pigments in vertebrates
      Source: ANNUAL REVIEW OF ECOLOGY AND SYSTEMATICS, 27: 543-567 1996
      —————————–

      2)por que as semelhanças fosseis n podem ser adotadas como obra de um projetista tendo como fundamento a possibilidade de vida na biosfera?(é só pra saber sua visao essa)

      Para “poder ser adotada como obra de um projetista” é necessário que seja confirmada. Você sugere algum tipo de abordagem para que esta hipótese possa ser verificada?

      3) o que vcs tem a dizer sobre a afirmaçao de Michael Dentom de que a nivel de sequencia de proteinas ele afirma que ”em um nivel molecular nao existe traço de transiçao evolucionaria de um peixe para um anfibio,deste para um reptil e deste ultimo para um mamifero.sendo assim,os anfibios,tradicionalmente considerados intermediarios entre os peixes e outros vertebrados,estao,em termos moleculares,tao longe do peixe quanto qualquer grupo de repteis e mamifero” ¹

      Gostaria de ler o texto no original para que eu pudesse entender melhor esta colocação.

      4)vcs acham mesmo que existe a possiblidade de formas transicionais n catalogadas terem sobrevido(a despeito da explosao cambriana)?já que a seleçao natural por definiçao escolheria o ”mais forte” e que por definiçao o acaso e os fatores de sobrevivencias e as mutaçoes sao graduais e de certa forma ”lentas”(entre aspas pq seria relativo se adotado o EP) de que forma macroevoluçoes como de repteis a aves poderiam ser transicionadas partindo do pressuposto que ele deveria deixar de possuir caracteristicas que ja eram adaptitativas para adquirir outras que o adptariam a outro ambiente(algumas delas irredutivelmente complexas..exemplo..penas..como o acaso e selçao definiria penas completas?..ja que o meio terno n proporcionaria voo)..já que muito provavelmente(probabilidade é que se pode apegar em teorias de mecanismos n repetidos) o meio termo n poderia sobreviver?independente de ser direcionada ou n..a teoria darwinista somada a abriogenese..necessita de inumeras
      formas transicionais..ja que é uma progressao que possui uma unica origem…e isso requer q todas as formas transicionais tenham sobrevivido…que todos os meio termos transicionais fossem forte suficiente fortes a sobreviver a seleçao natural…incluindo exemplos de complexidade irredutivel..que necessitariam de todos os componentes completos para a sua funçao que infere uma sobrevivencia…(desculpa o tamanho)

      Não entendi sua primeira pergunta. A seleção natural não escolhe nada. De maneira extremamento simplista, a seleção natural faz com que os mais aptos a sobrevivam em um determinado ambiente e possam gerar prole com as mesmas características. Se isso acontecer, terão sua seleção favorecida. Acaso, fatores de sobrevivências e mutações não são graduais. As mudanças fenotípicas decorrentes do acaso nas mutações e da influência do ambiente é que são graduais. Rafael, a sua confusão é geral, meu caro. As aves com penas e os répteis que hoje conhecemos são descendentes de um ancestral comum, e não de um “meio termo”, como você diz. Engano seu quando afirma que “isso requer q todas as formas transicionais tenham sobrevivido”. Porquê? Aproveito para parafrasear Carl Sagan: “a ausência de evidências não significa a evidência de ausências”. Ou seja, pelo fato de não termos (ainda) localizado fósseis de todas as formas transicionais, não significa que estas não tenham existido. Pode ser que simplesmente tais formas transicionais não tenham deixado fósseis. No entanto, os fósseis encontrados para a grande maioria dos grupos biológicos são mais do que suficientes para comprovar o processo evolutivo destes grupos. Quais são os “exemplos de complexidade irredutível” que você menciona? Não se conhece nenhum destes exemplos.

      5) pq toda essa contradiçao sobre os fosseis?..vcs afirmam que o cambrianismo e ausencia de determinados fosseis transicionais n servem de prova para infundaçao do evolucionismo..mas usam esses mesmos fosseis com lacunas adicionando o EP(que nesse contexto entra mais como uma desculpa..já que n se pode inferir mecanismos…só suposiçoes) para negar a existencia do design…eu concordo que os fosseis n sao sufucientes pra provar evolucionismos ou n…acho que isso corresponde a uma parte infima relacionado a estetica estrutural..e que devemos nos apegar a sequencias do DNA(o que todos os seres tem em comum(como o dr dwakins mesmo afirma)…e como citado acima..nota do livro ¹” darwin black box…”(me esqueci o resto..é uma critica biomolecular/bioquimica a teoria darwinista) q alguns ancestrais n possuem relaçoes molecurares parecidas, que por sua vez definiriam categoricamente a existencia de ancestrais comum(exemplo argumentar que temos ancestrais comum com os macacos pq temos semelhenças genicas de 90 a 95%) engraçado que vi uma pesquisa sobre genetica dos ratos(revista nature 420)..que afirma que os mesmo tem uma semelhança de 90% no DNA com os seres humanos…pode se argumentar uma pesquisa equivocada(como podemos duvidar de qualquer coisa)…mas se por acaso for realidade sugre uma grande pergunta…será necessario o uso de comparaçao genica..se for assim temos ancestrais comum proximos dos ratos??

      Não existe nenhuma contradição com os fósseis. Quais contradições? Cambrianismo? Que diabos é isso? O que é EP? Os fósseis obtidos até hoje são mais do que suficientes para provar e comprovar a teoria da evolução. Mas é claro que temos um ancestral comum com ratos. Ratos e humanos são mamíferos, e pertencem à Classe Mammalia.

      6) e por ultimos como vcs veem as mudanças ciclicas(tentilhoes de darwin) e o fato de muitos fosseis representarem animais ainda vivos e tambem o limite genetico(mesmo hj com toda a nossa inteligencia n conseguimos produzir uma nova especie de uma especie conhecida…por que o acaso e a leis da natuerza..ao qual nós temos superioridade intelectual seriam capazes)

      Mudanças cíclicas? Me desculpe, mas eu realmente não sei do que se trata. Também não sei de “fósseis que representam animais ainda vivos”. Mas sem dúvida existem fósseis muito similares a espécies atuais, como os Machairodontinae, que são ancestrais de tigres, por exemplo. Não vejo nenhum problema nisso, muito pelo contrário. É mais uma prova da evolução. O fato de não termos conseguido produzir uma espécie nova a partir de alguma espécie conhecida também não é problema. O fato de não termos conseguido até agora não significa que não conseguiremos um dia (mas, sinceramente, não sei se existem pesquisadores tentando esta proeza). Até o fim do século XIX e início do século XX ninguém tinha ainda provado a existência dos átomos. Mas os átomos sempre existiram. Estavam apenas esperando serem descobertos 🙂 !

      Cordialmente,
      Roberto

  4. Roberto

    Vejo esses reiterados e confusos “questionamentos” da Evolução, ao menos em parte, como uma profunda ignorância, ou confusão, acerca do que seja Evolução em si. A maioria das pessoas parece não entender que Evolução é um processo populacional, isto é, não são organismos individuais que evoluem, que se adaptam, são populações.
    Seleção natural é, simplesmente, a tendência à preponderância, numa dada população, em um dado ambiente, daqueles indivíduos que possuem alguma característica (velocidade, visão, audição, capacidade de se confundir com o entorno, etc.) que lhes facilita (ou ao menos não atrapalha) a sobrevivência.

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