Entrevista concedida pela Profa. Dulce Helena Siqueira da Silva (Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista, campus de Araraquara) revela os avanços na descoberta de substâncias com atividades farmacológicas, obtidas a partir de plantas do cerrado e da floresta Atlântica do estado de São Paulo. A entrevista foi concedida à Revista Pesquisa FAPESP.
Ao longo de cinco anos, pesquisadores ligados a um Projeto Temático apoiado pela FAPESP encontraram importantes substâncias naturais nos dois principais biomas paulistas e em algumas plantas da Amazônia que poderão ter aplicações na fabricação de medicamentos e de cosméticos.
O projeto “Busca por componentes naturais antitumorais, antioxidantes, antiinflamatórios, antidiabéticos e inibidores acetilcolinesterase e mieloperoxidase do Cerrado e da Mata Atlântica”, coordenado pela professora Dulce Helena Siqueira Silva, do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (IQ-Unesp), foi iniciado em 2005 e será encerrado em julho deste ano, realizado no âmbito do Programa Biota-FAPESP.
Em entrevista à Agência FAPESP, a pesquisadora destacou desafios e conquistas do projeto, que incluem o registro de dez patentes de processos de obtenção de substâncias e a descoberta de compostos para a estabilização de preparações dermocosméticas e que podem auxiliar o transporte de moléculas bioativas para dentro da célula.
Agência FAPESP – Quais foram os principais objetivos desse Projeto Temático?
Dulce Helena Siqueira Silva – A proposta inicial incluiu expandir a nossa coleção de extratos, a extratoteca, e realizar uma pesquisa de bioprospecção. Isso significa, principalmente, realizar estudos fitoquímicos buscando substâncias bioativas. Em relação a esse segundo objetivo, chegamos ao isolamento e à purificação de centenas de substâncias. Muitas delas são novas, não relatadas anteriormente, e algumas apresentaram atividades biológicas bastante interessantes, com potencial para o desenvolvimento posterior em parceria com empresas.
Agência FAPESP – E quanto à expansão da extratoteca?
Dulce Helena – Esse objetivo acabou não sendo bem-sucedido por causa do surgimento de novas regras para coletas de vegetais criadas pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN), do Ministério do Meio Ambiente. O órgão exigiu licenças para a realização das coletas e, durante todo o tempo de execução do projeto, solicitamos as permissões. O processo foi e voltou diversas vezes, mas até agora não obtivemos as licenças. Infelizmente, ainda não temos uma solução para isso.
Agência FAPESP – Como esse problema foi contornado?
Dulce Helena – Antes de o CGEN colocar essa norma de exigência para a coleta, tínhamos outros projetos em andamento no laboratório, em 2001 em 2002. Havíamos feito coletas bastante volumosas de material vegetal e contávamos com uma coleção de mais de 2 mil extratos. Não conseguimos expandir a coleção como pretendíamos, mas pudemos trabalhar com a química das plantas coletadas anteriormente.
Agência FAPESP – Onde essas coletas haviam sido feitas?
Dulce Helena – Principalmente em regiões do Cerrado e da Mata Atlântica no Estado de São Paulo. Dentro do Cerrado há outro tipo de formação vegetal à beira dos rios, as Matas de Galeria, mais densa que o Cerrado e que apresenta algumas características que provocam confusão com a Mata Atlântica. Incluímos também essas áreas na nossa pesquisa. Esses são os principais biomas que abordamos na pesquisa.
Leia na íntegra a entrevista concedida à Revista Pesquisa FAPESP pela Dra. Dulce H. S. Silva, aqui.
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