Financiamento para pesquisa e ensino superior na Europa

O último número da revista Chemistry World, editada pela Royal Society of Chemistry, traz notícias nada animadoras para os profissionais da educação superior na Europa. Segundo a revista, os efeitos da crise econômica já se fazem sentir em cortes no financiamento de pesquisa de vários países: Itália (10%), Romênia (10%), Estônia (10%), Irlanda (9,4%), Reino Unido (6,6%). Os orçamentos de pesquisa foram congelados na Bélgica e na Hungria, enquanto que na Espanha e na Áustria os governos locais declararam que a crise ainda afetará o orçamento de pesquisa nas universidades.

Contra esta tendência, o governo da Alemanha aumentou o orçamento de educação em nível superior e pesquisa em 800 milhões de euros, e anunciou que investirá 2,7 bilhões de euros entre 2012 e 2015 para apoiar pesquisa e inovação com alto nível de excelência. O governo francês também anunciou um incremento de 30 bilhões de euros no orçamento da educação em nível superior.

Já nos EUA o governo anunciou que o financiamento da pesquisa deverá estimular maior competitividade, objetivando estimular pesquisa dentro das prioridades nacionais. A íntegra da notícia pode ser lida aqui.

Outra notícia publicada no mesmo número da revista Chemistry World apresenta a discussão em torno do aumento das taxas dos cursos universitários do Reino Unido (UK). O assim chamado Grupo Russell, que representa a elite das universidades do UK, considera que os alunos deveriam pagar mais por seus estudos, e serem menos subsidiados. Por outro lado, o mesmo Grupo Russell adverte que uma tal medida deverá afetar a pesquisa nas universidades e a formação de doutores. O Grupo Russell manifestou sua opinião dizendo que o aumento no valor das anuidades deverá ser um reflexo no real interesse dos estudantes de nível superior, e que o sistema nacional de estabelecimento dos valores das anuidades deveria ser substituído por valores a serem estabelecidos por cada instituição de nível superior. De acordo com o Grupo Russell, o atual sistema de subsídio do ensino superior é insustentável. No entanto, associações estudantis, como a União Nacional dos Estudantes (National Union of Students, NUS), manifestou-se contra as declarações do Grupo Russell, argumentando que a dívida dos estudantes ao término de seus cursos de graduação é, na média, de £ 20,000 (vinte mil libras esterlinas, ou cerca de R$ 55.300,00). Adicionalmente, o problema pode ser ainda mais grave, pois, com o eventual aumento das anuidades escolares, os estudantes estariam propensos a abandonar carreiras profissionais que pagam menos – como, por exemplo, de educadores/pesquisadores. A realização de um doutorado pelos estudantes do UK agrava ainda mais suas dívidas, pois na totalidade das instituições de ensino superior do UK o doutorado (PhD) é pago.

O diretor da Royal Society of Chemistry, Dr. Jim Iley, manifestou sua preocupação dizendo que a RSC não irá se isentar de atuar diretamente junto ao governo na discussão de tais questões, uma vez que as ciências químicas têm um impacto direto na economia britânica de 17 bilhões de libras esterlinas/ano (cerca de 50 bilhões de reais/ano) e indireto de 200 bilhões de libras esterlinas/ano (cerca de 552,5 bilhões de reais/ano).

Em uma segunda manifestação, o Grupo Russell adiantou que as ciências físicas e químicas são pouco financiadas no UK, e que o financiamento público deveria ser direcionado de forma estratégica. Assim, as anuidades de cursos considerados “estratégicos” não deveriam aumentar substancialmente. Membro do Grupo Russell, Wendy Piatt apresentou sua opinião dizendo que o aumento no valor das anuidades não irá resolver o problema de financiamento das universidades, e que qualquer aumento desta natureza deveria, necessariamente, ter uma contrapartida governamental no financiamento na educação em nível superior. Leia a notícia na íntegra, aqui.

Os estudantes brasileiros não têm idéia do privilégio que desfrutam estudando em universidades públicas e gratuitas como as universidades federais e estaduais. Deveriam aproveitar ao máximo tal oportunidade. Afinal, a formação profissional só acontece uma vez na vida. Uma vez terminada, o aluno deverá entrar no mercado de trabalho, que é implacável. Se não estiver bem preparado, só conseguirá empregos de segunda categoria.



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