Debate na FAPESP sobre o novo Código Florestal

Notícias Publicadas hoje no jornal O Estado de S. Paulo on-line

Cientistas querem contribuir com debate sobre novo Código Florestal – Andrea Vialli

Um dos objetivos é auxiliar a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência no posicionamento sobre as mudanças no código

Cientistas de diversas áreas se reúnem nesta terça (03) na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para avaliar os impactos das alterações propostas no Código Florestal Brasileiro sobre a Mata Atlântica e o Cerrado, incluindo os vertebrados e invertebrados que habitam esses biomas. “A comunidade científica não foi ouvida. E nossa contribuição passa ao largo de posições ideológicas e políticas: é uma contribuição científica. Os impactos das modificações propostas são muito amplos, pois a nova redação abre flancos para a degradação”, afirma Thomas Lewinsohn, professor de Ecologia da Unicamp e presidente da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação.

Um dos objetivos dos cientistas é auxiliar a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência no posicionamento sobre as mudanças no código. Para eles, as modificações propostas enfraquecem o código em vigor. “O Código Florestal atual é mais sólido na intenção de assegurar a integridade ambiental de áreas que ainda mantêm as florestas.”

Cientistas se reúnem para avaliar impactos da nova proposta de Código Florestal – Karina Ninni

Eles afirmam que, se a proposta for aprovada, o Brasil vai ter dificuldades para cumprir os compromissos de redução de emissões assumidos na ruinião do Clima

Cientistas de diversas áreas se reúnem nesta terça na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de  São Paulo (Fapesp) para avaliar os impactos que as alterações propostas no Código Florestal Brasileiro terão sobre a Mata Atlântica e o Cerrado, bem como sobre os vertebrados e  invertebradas que habitam esses biomas e sobre os serviços ambientais prestados por eles.

“O fato é que Uma boa parte da comunidade científica não foi chamada a opinar sobre as mudanças. E nossa contribuição passa ao largo de posições ideológicas e políticas: é uma contribuição científica. Os impactos das  modificações propostas são muito amplos, pois a nova redação abre flancos para a degradação”, diz Thomas Lewinsohn, professor de Ecologia da Unicamp.

Um dos objetivos dos cientistas com o evento é  auxiliar a Academia Brasileira de Ciências  (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no posicionamento sobre  as mudanças no Código Florestal.

Parte do time de cientistas brasileiros reunidos na Fapesp publicou na revista Science  veiculada no último dia 16 de julho uma carta sobre as alterações no Cófdigo Florestal  brasileiro. O documento – um alerta à comunidade científica internacional – foi divulgado  na seção Policy Forum. No texto, o grupo alerta para os riscos da proposta de reforma da lei, aprovada pela Comissão  Especial da Câmara dos Deputados no início de julho. Na opinião dos signatários, se for aprovada da forma como foi apresentada, a matéria representará um “revés ambiental” de  grandes proporções para o País. “Temos escrito cartas e artigos desde junho, quando se começou a divulgar o perfil desta proposta de alteração. Um dos problemas das mudanças propostas no texto relatado pelo Aldo Rebelo é que, ao invés de contribuir para a redução das emissões, elas irão aumentá-las. Isso vai dificultar o cumprimento dos compromissos que o País assumiu na Conferência do Clima, em novembro passado”, opina Lewinsohn.

Os cientistas também questionam a redução de exigências de manutenção de Reserva Legal e a possibilidade, aberta pela nova redação, do proprietário poder descontar as Áreas de Proteção Permanente das Reservas Legais. “O argumento que embasa estas mudanças é o de que a manutenção de florestas está reduzindo a área para a agricultura e estrangulando o setor. Mas pesquisas da Esalq – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – dizem que o setor poderia sair desta situação se melhorasse a eficiência produtiva e aproveitasse as áreas degradadas”, resume Lewinsohn.

Leia a carta “Brazilian Law: Full Speed in Reverse?”, de autoria dos Professores Jean Paul Metzger (Instituto de Biociências – Universidade de São Paulo), Thomas M. Lewinsohn (Instituto de Biologia – Universidade Estadual de Campinas), Carlos A. Joly (Instituto de Biologia – Universidade Estadual de Campinas), Luciano M. Verdade (Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz – Universidade de São Paulo), Luiz Antonio Martinelli (Centro de Energia Nuclear na Agricultura – Universidade de São Paulo), Ricardo R. Rodrigues (Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz – Universidade de São Paulo), publicada na Science, aqui.



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