Relações entre insetos e plantas das florestas no Panamá

A recente abertura à comunidade estrangeira da região do canal do Panamá criou várias oportunidades de pesquisa sobre a biodiversidade local. Um dos programas de pesquisa que estão sendo realizados envolve o entendimento nas relações insetos-planta de espécies da floresta tropical panamenha. O programa de pesquisa está sendo coordenado pelo Dr. Amy Berkov, professor de biologia da The City College of New York. Segundo o Prof. Berkov, “Se você quiser estudar biodiversidade e conservação, é necessário conhecer o que os animais utilizam como alimento e onde vivem, mesmo quando estes animais são insetos”, diz. “No caso de predadores escondidos, que permanecem em seu estágio imaturo se alimentando de tecido vegetal, o local aonde vivem e se alimentam é o mesmo, mas são difíceis de serem encontrados.”

O programa em desenvolvimento por pesquisadores norte-americanos e panamenhos conseguiu autorização do governo local para coletar amostras de árvores que serão derrubadas em um futuro próximo. Desta forma, poderão estudar formas de vida e de associações inseto-planta ainda desconhecidas.

Dr. Berkov menciona o fato do entomologista francês Gérard Luc Tavakilian ter realizado estudo similar no início dos anos 1990, e ter documentado associações inseto-plantas para 347 espécies de besouros. No projeto atual, os pesquisadores consideram particularmente interessante os besouros que durante sua fase larval permanecem sob a casca das árvores. “Por isso”, diz Berkov, “não adianta encontrar os adultos. É necessário também encontrar as larvas, mas que são muito mais difíceis de serem encontradas. Mas é possível encontrar alguns adultos no interior da casca das árvores, quando estas ainda estão intactas.”

O grupo desenvolveu metodologia para obter e estudar galhos de árvores que permite a comparação entre diferentes espécies de plantas, e com plantas de outras localidades. Usualmente os galhos contém besouros escondidos, que surgem depois de alguns dias da coleta, quando os galhos estão mantidos em condições apropriadas em laboratório. Os insetos adultos surgem dois meses depois que os galhos foram coletados, muito mais rapidamente do que quando estudo similar foi realizado anteriormente pelo mesmo Dr. Berkov. O pesquisador diz que insetos devoradores de madeira apresentam longos ciclos de vida porque a madeira é pobre em nutrientes e difícil de digerir. A emergência de espécies após um período mais curto (2 meses) sugere que algumas espécies de plantas apresentam madeira mais rica em nutrientes e/ou de mais fácil digestão. Outros fatores que podem ter influenciado a emergência mais rápida dos insetos são as condições nas quais foram realizadas as coletas: durante uma época quente e seca. Fatores ambientais podem ter levado a uma emergência mais rápida dos insetos.

Os galhos das árvores podem apresentar mais de 30 espécies de besouros ao longo do primeiro mês após o surgimento destes, e pode até mesmo apresentar outras espécies após este período. A maioria das espécies é ainda desconhecida. “Besouros são os primeiros insetos a surgir em árvores decaídas. São os primeiros colonizadores no ciclo de nutrientes que é um componente essencial na manutenção da natureza”, diz Berkov. “Estes animais iniciam o processo de conversão da biomassa vegetal em biomassa animal.”

O programa de pesquisa também coleta dados microclimáticos de maneira a observar como estas dados estão relacionados com a condição fisiológica das espécies vegetais e a colonização das árvores pelos besouros. Tais dados são importantes não somente para se entender as relações inseto-planta, mas também para se prever como eventuais mudanças climáticas podem afetar tais relações.

Fonte das informações, aqui.



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1 resposta

  1. Interessante texto, que demonstra a importância dos coleopteros na decomposição da biomassa morta e, consequentemente, na ciclagem de nutrientes em florestais tropicais. Um impacto de mudanças climáticas sobre esse grupo de organismos pode comprometer o funcionamento de ecossistemas florestais. O fato de muitas espécies ainda serem desconhecidas ilustra o quanto desconhecemos sobre a biodiversidade nestes ambientes.

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