As reservas naturais de radioisótopos utilizados em 20 milhões de diagnósticos médicos a cada ano estão diminuindo de maneira drástica, a ponto de aumentar excessivamente o custo do diagnóstico e do tratamento por radioterapia. Este assunto foi tratado durante a 240ª Reunião Nacional da American Chemical Society, em Boston, Massachussets.
O diagnóstico que faz uso de radioisótopos é utilizado para detectar doenças cardíacas, câncer, doenças nos rins e no cérebro. No caso da radioterapia, esta ainda é uma das formas mais utilizadas para se tratar diferentes tipos de tumores. A diminuição da disponibilidade de radioisótopos também pode afetar severamente diferentes áreas de pesquisa científica. O problema é que a diminuição da disponibilidade destes radioisótopos pode levar a um retrocesso no diagnóstico de doenças, que deverá utilizar radioisótopos menos eficazes, em maiores doses, ou técnicas de diagnóstico invasivas. Uma das medidas a serem adotadas é da utilização de radioisótopos em diagnóstico somente quando for absolutamente necessário.
De cada 10 procedimentos médicos que necessitam de radioisótopos, 8 necessitam de 99Tc (tecnécio de massa 99 u.m.a., unidades de massa atômica). O 99Tc tem meia vida de apenas 6 horas, e tem que ser produzido artificialmente e imediatamente utilizado. O reator NRU de Chalk River, Canadá, era o principal produtor de 99Tc até um ano atrás (50% de todo o 99Tc consumido dos EUA), quando foi fechado para manutenção, por um ano. Porém, o reator canadense permanece fechado. Outros reatores que produzem 99Tc também apresentaram problemas durante o último ano, e a produção do 99Tc ficou completamente comprometida. O suprimento de 99Tc para os EUA está no momento severamente afetado, pois o país produz apenas 10 a 15% de todos os isótopos necessários para a medicina.
Outros isótopos em falta são 3He (o isótopo do hélio de massa 3), utilizado em reatores de fusão nuclear, além de 252Ca (califórnio de massa 252), utilizado na exploração de petróleo, em espectrometria de massas e outras técnicas analíticas, em astronomia e em outras áreas de pesquisa.
A única solução a curto prazo é trazer 3He da Lua. Da Lua? É a única forma de exploração viável de nosso satélite. Veja, aqui.
Este assunto foi tratado há um ano neste blog. Parece que desde então a situação apenas se tornou mais crítica.
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