Pesquisadores do Instituto de Bioinformática da Virginia Tech desenvolveram um software e uma metodologia para verificar a ocorrência de plágios em artigos da área médica. O software, eTBLAST, foi utilizado para analisar mais de 72.000 artigos incluídos na base de dados PubMed Central. A análise realizou a verificação de seções separadas dos artigos – como a introdução, a seção de descrição de métodos, e a seção de discussão de resultados – para buscar a porcentagem de plágio em cada uma. Desta forma, procuraram fornecer elementos para que normas possam ser estabelecidas, para se saber quais seções de um artigo podem eventualmente ser duplicadas.
Por exemplo, na seção de “materiais e métodos” dos artigos analisados, várias sub-seções mostraram ser as mais frequentemente duplicadas em diferentes trabalhos de um mesmo grupo de autores. Tal procedimento foi considerado normal, uma vez que muitas destas sub-seções apresentam descrições padronizadas de procedimentos e de materiais utilizados em trabalhos experimentais similares.
Os resultados indicaram que a grande maioria dos trabalhos apresenta duplicidade praticamente nula em seu resumo (abstract) e na discussão de resultados. Porém, as seções mais duplicadas são a introdução e a parte experimental. A duplicidade na descrição da parte experimental é compreensível – caso diferentes trabalhos façam uso de uma mesma abordagem metodológica – mas este claramente não é o caso da introdução.
Artigos de revisões bibliográficas (reviews) também tendem a ser repetitivos.
A intenção dos autores é que o estudo possa contribuir para um maior cuidado por parte dos autores, quando da preparação de manuscritos para publicação.
Esta notícia foi divulgada no ScienceDaily. A referência bibliográfica do artigo original, onde o estudo realizado foi publicado, é indicada a seguir.
Sun Z, Errami M, Long T, Renard C, Choradia N, et al. (2010) Systematic Characterizations of Text Similarity in Full Text Biomedical Publications. PLoS ONE 5(9): e12704. doi:10.1371/journal.pone.0012704
—————————-
A figura acima é o quadro de Mauritis Cornelis Escher “Drawing Hands” (1948)
Categorias:ciência, educação, informação
O CrossRef lançou um serviço há tempo atrás para os grupos de publicação verificarem o nível de plágio dos artigos submetidos. As revistas encontram de 20 à 60% do total de artigos com indícios de plágio, a maioria duplicações ou cópia de pequenas frases. O índice é tão alto que algumas revistas não estão mais utilizando o serviço pq se não teriam que descartar muitos dos papers enviados.
A Nature fez um especial sobre isso, uns dois meses atrás. Entre as razões constava os autores citando seus próprios trabalhos, às vezes as poucas maneiras que existe de expor dados de forma precisa e o menor domínio de inglês de pesquisadores que não tem o inglês como a língua nativa. A maioria são casos muito suaves de plágio. Na minha opinião, isso deveria ser totalmente relevado. Se eu quero citar uma informação de um artigo, é razoável não mudar muito a forma como o autor colocou essa informação. Isso leva facilmente entender que é “plágio”, mas eu não penso assim. Um pesquisador não deve ficar mudando muito o que o outro falou, mesmo no caso de uma citação indireta. Espero que isso no futuro não seja mais considerado “plágio”.
Concordo com Érico.
Muitas das revistas, com edição nestes países, ao receber um artigo de autores latinos sempre recomendam (sem ao menos passar pelo parecerista) que se faça uma revisão com algum nativo ou com empresa destinada para este fim.
Desse modo, fica mais prático copiar a metodologia já publicada (e aprovada), desde que citada a fonte. Agora se for ele mesmo quem publicou, isso não é plágio. Ele plagiando ele mesmo, acho que isso não existe!
Oi Maurício,
Auto-plágio. Veja este artigo: When is self-plagiarism ok?
abraço,
Roberto