No Brasil, o MDI (Movimento do Design Inteligente) tem como principal estratégia polemizar, de maneira a tentar desmoralizar a ciência (principalmente), mas também a imprensa escrita e televisiva, órgãos do governo, educadores, pesquisadores, políticos e agências de fomento à pesquisa científica. De acordo com sua estratégia “A Cunha”, o MDI Brasileiro tenta ganhar espaço, à custa não de questionamentos científicos, e sim através da polêmica e da difamação. Segundo o MDI brasileiro, toda a imprensa escrita é contra o MDI, não concede espaço, não promove o debate aberto, não fomenta a discussão.
Porém, cabe mencionar que o MDI não quer um debate aberto, uma discussão com base científica bem fundamentada, de maneira a considerar argumentos válidos. Os sites da internet dos defensores do MDI não são abertos à discussão. Seu único objetivo é incutir uma ideologia unilateral, reacionária e de cunho fundamentalista, no qual a aceitação dos princípios e propósitos do MDI é uma premissa básica e inquestionável.
Cabe assinalar que a Academia Brasileira de Ciências subscreveu o documento “IAP STATEMENT ON THE TEACHING OF EVOLUTION” (veja o pdf aqui). Este documento, subscrito por 68 Academias de Ciências, incluindo Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Países Baixos, Estados Unidos, Espanha, Suécia e Reino Unido, reforça o ideal naturalista-científico-humanista, que valoriza o conhecimento humano e desenvolvimento científico, desvinculado de qualquer orientação criacionista. A orientação da Academia Brasileira de Ciências deve ser adotada no ensino de ciências tanto no ensino fundamental como no ensino médio, pois é a única forma para se entender de maneira lógica, coerente e plausível todo o desenvolvimento da vida no Planeta Terra.
Informações adicionais sobre o Movimento do Design Inteligente no Brasil
O excelente livro “A Goleada de Darwin”, de Sandro de Souza, é o primeiro escrito sobre este assunto. Leia uma resenha sobre este livro, escrita por Felipe Vieira, autor do blog Jornalismo on-line.
Um dos melhores textos publicados on-line sobre a enorme falácia da complexidade irredutível, pedra angular da ideologia do movimento do design inteligente, é Incoerência irredutível, escrito por Rodrigo no formspring Evolucionismo, organizado por Eli Vieira.
Textos escritos por diversos autores a respeito do MDI.
150 anos depois, a Igreja Católica aceita Teoria da Seleção Natural de Charles Darwin – Rafael Soares
A CRUZADA DOS CRIACIONISTAS CONTRA DARWIN E O EVOLUCIONISMO – Orlando Tambosi
A Disneylândia do criacionismo – JC e-mail 3210, de 26 de Fevereiro de 2007
A Grande Conspiração dos Cientistas Malvados Contra os Pobres Criacionistas – O Gato Précambriano
A marcha dos pinguins (Luc Jacquet, 2005): impressões sumárias – João Alexandrino
A propósito de Criacionismo – Luiz Azevedo Rodrigues
A que a ciência se propõe? – Mauro Rebelo
A teoria do design inteligente é tentativa desesperada de forçar as escolas públicas a ensinar criacionismo como ciência – Sérgio Dávila
A torre de marfim e o risco de macaquear o evolucionismo – Maurício Tuffani
ALGUNS ARGUMENTOS CRIACIONISTAS E ALGUMAS RESPOSTAS APROPRIADAS – Douglas J. Futuyma
Antony Flew, ex-ateu, garante: “Deus Existe” – Kentaro Mori
Aquecimento global pode ir a julgamento nos EUA – Luiz Bento
Armado e perigoso – Atila Iamarino
Assalto ao coração da biologia – José Mariano Amabis
Blogs, Ciência, Religião e o Debate no Lablog – Karl
Breves – pele de dino e Populi evolução – Luiz Azevedo Rodrigues
Ceticismo com aspas e sem aspas – Mauricio Tuffani
Ciência X Religião – Elyson Scafati
Ciência paranormal – Marcelo Leite
Cientistas dos EUA pedem ajuda contra “design inteligente” – Paul Rincon
Conspiracionismo Indigente, ou Desmascarando a Camarilha Pseudocientifica – O Gato Précambriano
Convertendo-se para o Design Inteligente – Carlos Hotta
Criação versus evolução: o falso dilema – Alex Lennine
Criação versus evolução: o falso dilema; parte II – Alex Lennine
Criacionismo é ciência? – Julio Cesar Pieczarka
Criacionismo é defendido por professores da terra de Dawkins – Luiz Bento
Criacionismo em novo design – José Colucci Jr.
Criacionismo não é ciência – Girsaum
Criacionismo no Mackenzie – artigo de Marcelo Leite reproduzido no Jornal da Ciência
Criacionismo no Mackenzie – postagem e debate no blog de Marcelo Leite
Criacionistas arregaçam as mangas no Brasil! – Jorge Quillfeldt
Criacionistas e negacionistas do clima têm discursos similares – artigo publicado na Folha de S. Paulo
Criacionistas fazem barulho na academia – reportagem da Folha de S. Paulo reproduzida no Jornal da Ciência
Criacionistas não merecem ser ouvidos – Atila Iamarino
Criacionismo põe as manguinhas de fora…
Crítica nebulosa ao darwinismo – Claudio Weber Abramo
Darwin Forever – Ítalo M. R. Guedes
DE DARWIN, DE CAIXAS-PRETAS E DO SURPREENDENTE RETORNO DO ‘CRIACIONISMO’ – Maurício Vieira Martins
Design (des)inteligente – Roberto Berlinck
Design inteligente – Kentaro Mori
DESIGN INTELIGENTE – A Teoria da Conclusão Irrelevante – texto de Elyson Scafati
design inteligente (DI) – [projeto inteligente, planejamento inteligente ou intelligent design]
Design Inteligente: o retorno – Roberto Berlinck e Hamilton Varela
Design Inteligente… Malevolamente Inteligente – Kentaro Mori
Design nada inteligente – Marcelo Gleiser
Desonestidade na divulgação científica – Rubens Pazza
Detector de Mentiras (Comentário no Amálgama) – O Gato Précambriano
Diálogo de surdos – Julio Cesar Pieczarka
Discussão científica ou proselitismo – texto de Elyson Scafati
E a Biologia Molecular manda mais um cruzado de direita nos criacionistas… – Gabriel Cunha
E se o desenho inteligente…? – Marco Idiart
Entre crer e saber – editorial do jornal “O Globo”
Entrevista com Richard Dawkins – Eduardo Bessa
Epicuro e o questionamento do “argumento do design” – Roberto Berlinck
Escolas adotam criacionismo em aulas de ciências – Simone Iwasso e Giovana Girardi
Evolução e algoritmos – Ítalo M. R. Guedes
Evolução não deveria ser ensinada nas escolas – Carlos Hotta
Evolução no tribunal: Documentários on-line – Rafael Soares
Evolução X Design “inteligente” – Luiz Bento
Fé frágil e obscurantismo no Rio – Sergio Besserman
Feliz aniversário, Darwin – Marcelo Leite
Genes, evolução e desenvolvimento – Rubens Pazza
Homenagem a Darwin – Igor Santos
Homens, chimpanzés e a Mega-Sena – Ronaldo Cordeiro
Inquisição Moderna: a influência do segmento criacionista-religioso na tentativa de suprimir o ensino do evolucionismo – Rogério Caetano de Faria
Involução americana – Helena Celestino
Jornalismo desinformativo – Paulo Bento Bandarra
Leitores esquentam debate sobre criacionismo – Jornal da Ciência
Leitura de férias – Roberto Berlinck
Mentiras, distorções, citações – O gato precambriano
Na véspera da 2ª posse de Bush, conservadores atacam Darwin – Sheila Machado
Não, não temos macroevolução – Atila Iamarino
O debate sabotado entre criacionistas e evolucionistas – Mauricio Tuffani
O demiurgo desenhista – Paulo Bento Bandarra
O Design Inteligente e a volta à causa final – Mauricio Tuffani
O Design Inteligente e seus representantes no Brasil – Julio Cesar Pieczarka
O ensino de criacionismo em aulas de ciências – Roberto Berlinck e Hamilton Varela
O Ensino do criacionismo em aulas de ciência – Gilberto Miranda Jr.
O falso confronto de ideias – Paulo Bento Bandarra
O lado bom e o lado ruim de um debate – Atila Iamarino
O que é o design inteligente? – Julio Cesar Pieczarka
O RELÓGIO NO DESERTO – R. J. Riggins
O ser e o desejar ser – Paulo Bento Bandarra
Ponto para Wallace – Luiz Bento
Por que Darwin rejeitou o design inteligente? – Frank J. Sulloway
Quem desenhou o Designer – Marcelo Gleiser
Ratos e homens – Paulo Bento Bandarra
Resenha: Além de Darwin – Reinaldo José Lopes – Luiz Bento
Resenha: Richard Dawkins – O maior espetáculo da Terra – Luiz Bento
Resposta a uma pergunta distorcida – Elyson Scafati
RESPOSTAS PARA 15 ABSURDOS CRIACIONISTAS – John Rennie
Se ciência é democracia, os eleitores não somos nós – Roberto Takata
Seleção sobrenatural – Claudio Angelo
Semana Cética da UFRGS: “Quem de nós é o Dodô?” – Jorge Quillfeldt
SERÁ MESMO QUE O DI NÃO FOI REFUTADO? Parte 1 – Elyson Scafati
SERÁ MESMO QUE O DI NÃO FOI REFUTADO? Parte 2 – Elyson Scafati
SERÁ MESMO QUE O DI NÃO FOI REFUTADO? Parte 3 – Elyson Scafati
SERÁ MESMO QUE O DI NÃO FOI REFUTADO? Parte 4 – Elyson Scafati
Temos de fato um Designer acima da evolução – Atila Iamarino
Texto clonado – Daniel Sottomaior
Top 10 dos artigos sobre evolução da NewScientist – Luiz Bento
Unifesp abre as portas ao Criacionismo – Daniel Sottomaior
Viva o Pastafarianismo – Atila Iamarino
Yes, nós temos complexidade irredutível – Atila Iamarino
Categorias:educação
Roberto, achei ótimo este post. Forneceu material de leitura sobre supostas refutações de Behe. Vou ler tudo com muito interesse. Já li o artigo do Rodrigo, mas não me convenceu, porque não aborda os argumentos de Behe. Diz ele que basta retirar os genes do flagelo e reproduzir a célula trocentas gerações. Se aparecer um flagelo, o DI está refutado. Dizer que o flagelo podia ser uma unidade excretora é uma forçação de barra.
A borboleta é uma prova do DI. A lagarta entra no casulo e dissolve seu corpo para ser transformado em borboleta. Não consigo conceber nenhum mecanismo que agregue qualquer tipo de vantagem em derreter o próprio corpo para formar outro. Não imagino como isso pode ser feito ao acaso, aos poucos, por pequenas mudanças.
Deixo claro que não sou criacionista. Acredito que houve evolução, só não ocorreu do jeito que Darwin propôs. Eu não tenho explicação alternativa. Mas acho mais natural acreditar que ETs vem aqui de vez em quando para umas manipulações genéticas, do que acreditar em Darwin.
Um abraço, MP
Olá!
O darwinismo em si, deixa muitas lacunas, que estão sendo respondidas pelos neodarwinistas.
A metamorfose da borboleta, por exemplo, ocorre porque isso permite que larvas e indivíduos adultos não ocupem o mesmo nicho, ou seja, não disputam alimento nem território, permitindo que a população tenha o maior número de indivíduos no menor espaço físico.
As larvas, então, se alimentam de folhas e as borboletas de néctar.
Isso permite que os insetos holometábulos (que sofrem metamorfose completa) tenham vantagem sobre os ametábulos (não sofrem metamorfose), como as traças.
À luz do neodarwinismo, a metamorfose surgiu como uma adaptação que permite a algumas espécies expandir o potencial biótico.
Roberto
Esta discussão é extremamente importante na medida em que tivemos uma candidata à presidência da República, que recebeu expressiva votação, que se declarava claramente criacionista e via com bons olhos o ensino do criacionismo nas escolas “como uma teoria científica alternativa”.
Temos que começar antes que haja uma campanha eleitoral a esclarecer a opinião pública, pois não devemos subestimar a capacidade de mistificação de todo este pessoal.
Não vejo com o DI pode ser refutado. Seria como provar que não existe um unicornio invisivel aqui na minha garagem.
Mas qual a diferença entre o DI e, digamos, o mito de Cthulhu ou o Silmarillion ? Como eu consigo distinguir se Azatoth é a grande inteligencia por trás do DI? Ou foi o It (coisa) do Stephen King? Vc pode alegar que falo de obras de ficção mas O Designer pode ter se revelado para estes autores – vc pode refutar isto?
A Ciência atual não vai se beneficiar com charlatanismo. Querem defender DI ? Publiquem, sem cambalachos. No fim DI não é refutada como teoria mas exposto como movimento politico. Se for assim podemos admitir a teoria da Queda Inteligente.
Nenhuma teoria sobreviveu mais de 100 anos sem que se descobrisse que ela é incompleta, não explica todos os casos observados e apresenta incompatibilidades com outras igualmente aceitas. Incluo aí o darwinismo, que tem seus defensores fundamentalistas, apesar das evidências em contrário descobertas pela biologia molecular. Não são os criacionistas que ameaçam Darwin, são os bioquímicos.
A evolução como Darwin descreveu não explica a borboleta. Behe enumerou diversos casos em que só um crente poderia continuar acreditando que surgiram ao acaso, por pequenas mutações. Possivelmente, há muitos outros casos sob os olhos de biólogos e químicos, que vêem, mas se recusam a enxergar.
As pretensas refutações de Behe sugerem explicações altamente improváveis, quase anti-científicas.
As esponjas têm 20 ou 30 mil genes. Igual a nós. Têm genes para nervos, mesmo sem ter nervos. Os indícios contra Darwin vão se acumulando, mas o mundo ainda está cheio de cegos, de relojoeiros cegos.
Caro Marco,
O fato de nenhuma teoria ter sobrevivido mais do que 100 anos não torna ela mais ou menos inválida. O que a torna inválida é ela não somente poder estar incompleta, mas ser refutada. E por enquanto a teoria da evolução não foi refutada. Aliás, em breve várias outras teorias irão completar 100 anos sem terem sido refutadas. Por exemplo, a teoria da mecânica quântica e a teoria da relatividade.
É possível se achar que a teoria da evolução pela seleção natural (me desculpe por não usar darwinismo) tenha seus defensores fundamentalistas. Porém, eu penso que, na verdade aqueles é que tentam desesperadamente provar que a teoria da evolução está errada é que são fundamentalistas, por não quererem enxergar o óbvio, estudar biologia e serem honestos em seus argumentos para explicar fatos naturais. Pode ter certeza que os bioquímicos não ameaçam a teoria da evolução, muito pelo contrário. Apenas a corroboram e fornecem detalhes cada vez mais precisos e contundentes de como funciona a evolução biológica.
Os insetos que passam por uma etapa de metamorfose em seu ciclo de vida, grupo do qual fazem parte as borboletas, encontram uma maneira extremamente sofisticada de espalhar seus genes: adquirir asas. Não ocorre dissolução do corpo da lagarta, como disse em seu primeiro comentário. Na verdade, a metamorfose inclui uma série de processos bioquímicos que faz com que a lagarta se transforme e adquira asas, tornando-se borboleta. As asas, além de conferirem uma enorme vantagem adaptativa para a busca de alimentos, traz uma segunda: a dispersão genética. Para mais informações a este respeito, veja aqui, e também o tópico 8.5 “Evolution of Metamorphosis”, do livro “The insects : an outline of entomology , editado por P.J. Gullan e P.S. Cranston, 4ª edição, 2010, ISBN 978-1-4443-3036-6.
Se há alguém que se recusa a enxergar sem óculos é Michael Behe, ideólogo-mor do MDI. Os argumentos de Behe já foram refutados inúmeras vezes, além terem sido mais recentemente no artigo comentado por Rodrigo no formspring Evolucionismo, mencionado no início desta postagem.
As esponjas são os primeiros animais a terem surgido ao longo da evolução biológica. O fato de terem genes que codificam a formação de nervos mas estes não existirem nas esponjas apenas indica que nem sempre o genoma é expresso, como no caso da galinha e seus dentes (veja aqui).
E o que de MATADOR e REVOLUCIONARIO tem no DI?
Sério, imaginemos por um instante que foi encontrada A PROVA a favor do DI. E ai? O que podemos tirar mais de conclusões? que ciência eu posso fazer daí?
Que teses de doutorado eu poderia ter? Que artigos eu escreveria? Seria um ramo da DI identificar o grande arquiteto da vida na Terra e outra os processos criativos e de produção? Encontrariamos um ciclo PDCA nas formas de vida (afinal a Sindrome de Down é proposital? e o câncer, vícios, homossexualidade) ?
Aliás poderiamos nós identificarmos o Designer ? Quem projetou o Designer? Ou o Designer é improjetável pois está além da nossa compreensão?
Se o Designer existe e projetou a vida, qual o motivo das grandes extinções?
O Designer poderia ter criado vida em Marte e Vênus?
Se um designer me projetou, eu tenho livre arbítrio? Pq ele me criou ateu?
Poderia o Designer ter chegado aonde chegou pelo Darwinismo e, então, fez o que fez?
Algo me diz que a DI não traria nada de novo, não teriamos uma separação clara de ciência e religião, teríamos uma DI do corão, DI hindu, DI dos ETs, DI de Cthulhu, etc… tudo isso para “mostrar que o Darwinismo está errado” e preservar o livro do Genesis.
Pois então, Tiago.
Apesar de muitos defensores do DI não aceitarem explicitamente, o DI é criacionismo puro e duro. Não tem absolutamente nada de científico. Dembski afirma, textualmente que “without miracles, ID is incoherent” (sem milagres, o Design Inteligente é incoerente). A mensagem de Dembski é clara: o Design Inteligente não pode ser compreendido sem que se invoque milagres, e a ciência não pode ser bem conduzida sem que se invoque o Design Inteligente (Dembski WA. 1999. Intelligent design: The bridge between science and theology. InterVarsity Press, Downers Grove, IL).
O pior de tudo é que os próprios defensores do DI admitem que não tem uma teoria. Em 2004, Paul Nelson concedeu entrevista ao periódico Touchstone. Foi argüido com a seguinte questão: “Para onde irá o MDI nos próximos 10 anos?” “Quais novos problemas o MDI tentará explorar, e quais novos desafios oferecerá ao Darwinismo?” às quais Nelson respondeu:
“Easily the biggest challenge facing the ID community is to develop a full-fledged theory of biological design. We don’t have such a theory right now, and that’s a real problem. Without a theory, it’s very hard to know where to direct your research focus. Right now, we’ve got a bag of powerful intuitions, and a handful of notions such as “irreducible complexity” and “specified complexity”— but, as yet, no general theory of biological design.”
[Facilmente o maior desafio da comunidade do DI é desenvolver uma teoria consistente do design biológico. Não temos uma tal teoria agora, e este é um problema real. Sem uma teoria, é muito difícil saber como dirigir o foco de sua pesquisa. Neste momento, conseguimos um saco de intuições poderosas, e um punhado de noções como a “complexidade irredutível” e a “complexidade especificada” – mas ainda não uma teoria do design biológico.]
Paul Nelson é bastante sincero em suas convicções. Anteriormente, manifestou-se contra o ensino do DI nas escolas, e afirmou: “Não é uma teoria consistente – não existe ainda o suficiente para ser ensinado” .
Philip Johnson é igualmente sincero em suas palavras, tendo admitido em 2006 que o julgamento Kitzmiller x Dover estava perdido desde o início (neste julgamento os defensores do DI foram literalmente aniquilados pelo juiz que promulgou a sentença – o texto integral da sentença pode ser encontrado em português, no livro “A Goleada de Darwin”, de Sandro de Souza, editora Record, 2009). Johnson afirmou:
“I also don’t think that there is really a theory of intelligent design at the present time to propose as a comparable alternative to the Darwinian theory, which is, whatever errors it might contain, a fully worked out scheme. There is no intelligent design theory that’s comparable. Working out a positive theory is the job of the scientific people that we have affiliated with the movement. Some of them are quite convinced that it’s doable, but that’s for them to prove. . . . No product is ready for competition in the educational world.”
[Eu também não penso que exista realmente uma teoria do design inteligente no momento presente para propor como sendo uma alternativa comparável à teoria Darwiniana, a qual é, apesar de erros que possa conter, um esquema totalmente elaborado. Não existe uma teoria do design inteligente que seja comparável. Elaborar uma teoria positiva é o trabalho dos cientistas que se juntaram ao nosso movimento. Alguns deles estão plenamente convencidos que isso é possível, mas é tarefa deles provar isso… Não há produto disponível para competir [com a teoria da evolução] no mundo educacional.]
Na verdade, o DI se detém em detalhes aparentemente inexplicáveis para aqueles que não têm o conhecimento da matéria ou do assunto que se trata, mas não conseguem abordar generalidades por não disporem, em absoluto, de um corpo teórico. É uma proposta que se baseia em um “Deus das lacunas”, que se fundamenta no argumento da ignorância, uma falácia argumentativa: se não existe explicação (aparente), a única possível é a existência de uma entidade sobrenatural.
Porém, Tiago, cuidado ao comparar homossexualidade com doenças. Homossexualidade não é doença. De resto, suas questões são extremamente pertinentes. Pena que os defensores do DI não tenham respostas para elas.
abraço,
Roberto
Realmente nesse contexto ficou deslocado.
Na hora eu pensei em algo como Alzheimer, porém pensei em um contexto mais amplo:
– Se fomos projetados por uma entidade mais complexa e inteligente, caracteristicas mais polêmicas e consideradas pecaminosas fazem parte deste projeto – portanto deveriam ser consideradas naturais afinal tudo esta dentro do plano. Que evidência existe que a vida, por exemplo, surgiu de um criador mas caracteristicas indesejáveis por sacerdotes e conservadores não fazem parte do mesmo plano? No fim recairiamos a escrituras sagradas para condenar quem é diferente.
Algo me diz que se examinassemos de perto as consequencias do DI ser uma teoria comprovada ela seria logo descartada por trazer consigo outras incompatibilidades com as escrituras sagradas (depois de algum tempo pois eis uma boa teoria para ficar dando loops sem sair do lugar). Conveniente, não?
Ah sim, eu não considero Homossexualismo doença, nem algo condenável, muito menos desagradável.
Oi Tiago,
You got the point. Os defensores do DI não querem discutir a teoria DELES, pois: a) não têm uma, e; b) se tiverem que discutir, estarão em maus lençóis.
Por isso tentam, over and over again, encontrar falhas na teoria da evolução. O que é interessante é que, quanto mais eles tentam, mais eles mostram como a teoria da evolução é forte e consistente.
Esta postagem é memorável, por uma razão muito especial. 🙂
E é também uma referência – quantos excelentes textos coligidos! Uma verdadeira biblioteca sobre o MDI!