Papa discorda de Stephen Hawking

O papa Bento 16 discorda da afirmação de Stephen Hawking de que Deus não é necessário para que o  Big Bang tenha acontecido. Segundo o jornal Folha de S. Paulo on-line

A mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang, e os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso, disse o papa Bento 16 nesta quinta-feira [dia 6/1/2011].

“O Universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos”, disse Bento 16 no dia em que os cristãos celebram a Epifania –a Bíblia diz que os três reis magos, seguindo uma estrela, chegaram ao lugar onde Jesus nasceu. “Contemplando (o Universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do Criador, a criatividade inesgotável de Deus”, disse o papa em sermão para 10 mil fiéis na Basílica de São Pedro.

Nas ocasiões anteriores em que o papa falou sobre a evolução, ele raramente voltou atrás no tempo para discutir conceitos específicos como o do Big Bang, que cientistas acreditam tenha levado à formação do Universo, cerca de 13,7 bilhões de anos atrás.

Pesquisadores da Cern (sigla francesa de Organização Européia de Pesquisa Nuclear, em Genebra) vêm esmagando prótons em velocidade quase igual à da luz para simular as condições que, acreditam, teriam dado origem ao Universo primordial, do qual terminaram por emergir as estrelas, os planetas e a vida na Terra – e possivelmente em outros lugares também.

Alguns ateus afirmam que a ciência pode provar que Deus não existe, mas o papa disse que algumas teorias científicas são “mentalmente limitadoras” porque “chegam apenas até certo ponto (…) e não conseguem explicar a realidade última (…)”.

O papa declarou que as teorias científicas sobre a origem e o desenvolvimento do Universo e dos humanos, embora não entrem em conflito com a fé, deixam muitas perguntas sem resposta. “Na beleza do mundo, em seu mistério, sua grandeza e sua racionalidade (…), só podemos nos deixar ser guiados em direção a Deus, criador do Céu e da Terra”, disse ele.

Bento 16 e seu predecessor, João Paulo 2º, procuram despir a Igreja da imagem de ser contrária à ciência – rótulo que ela ganhou quando condenou Galileu por ensinar que a Terra gira em volta do Sol, contestando as palavras da Bíblia. Galileu foi reabilitado, e hoje a Igreja também aceita a evolução como teoria científica e não vê razão pela qual Deus não possa ter empregado um processo evolutivo natural para formar a espécie humana.

A Igreja Católica deixou de ensinar o criacionismo – a ideia de que Deus teria criado o mundo em seis dias, conforme descrito na Bíblia – e diz que o relato bíblico do livro do Gênesis é uma alegoria para explicar como Deus criou o mundo. Mas a Igreja é contra o uso da evolução para respaldar uma filosofia ateia que nega a existência de Deus ou qualquer participação divina na criação. Ela também é contra o uso do livro do Gênesis como texto científico.

Eu particularmente gostei da apreciação do jornalista Marcelo Leite sobre este assunto. Veja aqui.



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5 respostas

  1. Engraçado como a mídia dá repercussão a coisa velha. O que o Ratz disse não é nenhuma novidade em relação ao que ele disse em outras ocasiões (naquele meu texto sobre criacionismo discuto um dos discursos dele exatamente sobre o tema).

    Hawking tb é repetitivo. Mas a cada vez q ele repete q Universo não precisa de um criador, a imprensa dá aquele destaque…

    []s,

    Roberto Takata

    • O papa falou, é notícia! A mídia também gosta de Hawking.

      Mas gostei mesmo das ponderações do Marcelo Leite, pois concordo com ele que são “magistérios não coincidentes”: religião é religião, ciência é ciência.

  2. Na verdade o próprio Hawking é um tanto flexível. Tempos atrás ele mesmo referenciava Deus como o originador do Big Bang. Sobre o Papa e a Igreja Católica, independente de qual cosmovisão esteja “mais” correta, acredito que a falta de posicionamento gera instabilidade e incredibilidade. A Igreja Romana afirma Deus Bíblico ter sido o Criador, mas não aceita o que está na Bíblia, transformando o livro de Gênesis de uma narrativa (comprovado pela crítica textual e literária do texto) em poético, que não é, como o referido livro também não é científico, e quem defende isso, independente de qual “lado” esteja, busca apenas criar confusão de objetivos em algo que claro.

    Aliás, apenas mais uma observação: Devemos tomar cuidado em conhecer o conteúdo daquilo que iremos criticar. Não posso criticar Hawking porque não li todos os seus livros e trabalhos, portanto não tenho conhecimento suficiente para analisar suas perspectivas. Com a Bíblia é da mesma forma! Mas isso não é um “privilégio” dos não-cristãos, mas também (infelizmente) de cristãos evangélicos. Nos evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) em nenhum momento afirma que os “magos” eram reis e eram a quantidade de três.

  3. A religião explora a ignorância, mas não tem capacidade de sufocar a verdade. Fé, crença, vem para preencher a ignorância, nas próprias palavras desse papa. Há coisas que a ciência não consegue explicar, diz a sumidade, e esta foi a presunção de seus antepassados, quando juravam que éramos o centro do Universo. Quando a verdade vem à tona, os dialéticos logo formulam arranjos, para acomodar suas generalidades. Mas ocorre, porém, um fato jamais pelos astutos cogitado: Se E=MC2, a matéria nada mais é do que energia apenas contida, cujo desfecho exige sua difusão. O mesmo acontece com o corpo e a alma. Não pode haver a separação tão propalada, desde a lenda de Orfeu, e tão importante para a venda de bilhetes premiados. O papa e seus clones mais ou menos perfeitos tinham que enfrentar um imenso processo, por falsidade ideológica!

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