Bom ou ruim? Depende da(s) pergunta(s).

O entendimento do público sobre a importância da ciência pode ser ruim. Ou bom. Depende como se pergunta. Na verdade, de quantas perguntas.

É o que mostra estudo realizado por pesquisadores da North Caroline State University. Ao tentar conhecer a opinião do público leigo sobre temas científicos complexos com uma única pergunta, observaram que muitas vezes a apreciação do público não foi boa. Porém, uma vez que o mesmo assunto foi abordado com várias perguntas, as pessoas percebem o assunto de outra forma, e com isso tendem a apreciá-lo de forma mais positiva.

Para avaliar o entendimento do público em geral sobre determinado assunto científico em uma única pergunta, realizaram duas pesquisas: uma sobre nanotecnologia e outra sobre biocombustíveis. Em ambas pesquisas, as pessoas foram abordadas com uma única pergunta:

Os riscos associados com a nanotecnologia (ou com os biocombustíveis) são maiores do que os benefícios, ou os riscos e os benefícios são aproximadamente iguais?

Em seguida, realizaram a mesma avaliação, porém com uma série de perguntas para cada assunto, sobre os riscos e os benefícios associados com a nanotecnologia e os biocombustíveis.

Aqueles que tiveram que responder uma única pergunta tiveram mais dificuldades de observar o lado positivo dos temas abordados. Porém, aqueles que tiveram a oportunidade de responder as perguntas com enfoques diferentes (benefícios ou riscos, em separado) conseguiram perceber melhor benefícios do que riscos. Por outro lado, pessoas que conseguiram perceber mais benefícios do que riscos quando perguntados com uma única questão tiveram a mesma percepção quando foram questionados com perguntas separadas (benefícios ou riscos).

Os autores do estudo, assim, advertem que o divulgadores de notícias sobre ciência devem tomar cuidado de como apresentam o tema que estão abordando, de modo a evitar apresentar o assunto com uma única pergunta. Perguntas por demais simplificadas podem resultar em dados de pesquisas de opinião com um forte viés, dependendo de como a pergunta é formulada, e levar àqueles que estabelecem diretrizes a se enganar quando da formulação de políticas públicas baseadas em tais pesquisas. O problema pode ser ainda pior se uma pesquisa sobre um determinado assunto é feita com uma única pergunta, e outra, sobre o mesmo assunto, com várias perguntas, levando a resultados conflitantes.

Essa notícia me fez lembrar do plebiscito sobre o porte de armas realizado no Brasil em 2005, em que a pergunta foi “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”, e deixou muita gente confusa.

Fonte da notícia: ScienceDaily.



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3 respostas

  1. Pois é, é por essas e outras que devemos ter cautela ao analisar dados de tais pesquisas, sejam elas científicas, acadêmicas, do governo e sobre demais assuntos. O fator humano é muito complexo! Mais do que isso, temos que ter cautela quando outros analisam tais dados e os divulgam….

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