Notícia divulgada ontem no jornal O Estado de S. Paulo conta que
Cientistas sequenciaram pela primeira vez o genoma da pulga d’água, a Daphnia pulex, um importante organismo para a ciência ambiental que pode se transformar em um aliado contra a contaminação das águas, informou nesta quinta-feira, 3, a revista Science. Daphnia se transformou no primeiro crustáceo a ter seu genoma sequenciado, que para surpresa dos cientistas é mais rico do que qualquer outra espécie conhecida, com 31 mil genes, – um terço com função desconhecida -, enquanto os humanos têm 23 mil. O grande número de genes identificados estão duplicados, o que poderiam ter um papel fundamental na habilidade de Daphnia para adaptar-se e se transformar.
Este é o resultado de 10 anos de colaboração entre o Consórcio Daphnia Genômica, o Departamento de Energia dos Estados Unidos e o instituto de pesquisa Joint Genome Institute (JGI).
As agências ambientais buscaram um “sistema modelo” aquático capaz de detectar a presença de produtos químicos nocivos e que extrapolando suas capacidades pudesse atuar como “sentinela” da poluição. Classificado como uma espécie nos ecossistemas de água doce, a pulga d’água é transparente, tem um ciclo de vida curto e reage facilmente às mudanças ao seu redor.
Os cientistas destacam sua capacidade para desenvolver características como espinhos protetores nas caudas e dentes no pescoço. Os autores assinalam que seu genoma sequenciado ajudará a entender melhor como os organismos, particularmente os habitantes de água doce, respondem às mudanças ambientais.
John Colbourne da Universidade de Indiana e diretor do projeto fala do uso potencial de Daphnia “como uma versão de alta tecnologia do canário de mina” que se empregava para detectar gás tóxico. “Nossos estudos iniciais revelaram que os genes de Daphnia evoluíram para ajustar-se às mudanças ambientais, por isso poderia atuar como um detector precoce dos riscos ambientais” ao iniciar suas mudanças.
Muitas surpresas ainda deverão surgir com relação ao genoma dos seres vivos. Uma das mais surpreendentes é que não existe qualquer correlação entre o tamanho do genoma e a “aparente antiguidade filogenética” da espécie cujo genoma é analisado. Outra surpresa é a quantidade de genes desconhecidos – cerca de 1/3 para o crustáceo Daphnia pulex. Ainda há muito a se conhecer sobre a natureza intrínseca da vida em nosso planeta.
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Roberto, essa notícia é fascinante. Esponjas e essa pulga aquática tem tantos genes quanto nós. Isso não bate com a lógica da evolução. Fico aqui cogitando uma hipótese extrema. De repente, o código genético desses animais inferiores pode conter informações suficientes para gerar um ser humano ou qualquer outro animal. Essa hipótese pode ser considerada absurda ou tem alguma chance de ser correta?
Estou lendo um livro do Michio Kaku, “A FÍSICA DO IMPOSSÍVEL”, onde ele aborda a viabilidade de coisas que se vê em filmes de ficção, como Jornada nas Estrelas e outros. Por isso, ando com a mente aberta para formular hipóteses desse tipo.
Não entendi uma coisa. Já li que só conhecemos a “expressão” de 5% dos genes humanos. Esse termo “expressão” se refere à função do gene. A matéria fala que 1/3 dos genes da pulga tem função desconhecida. Significa que 2/3 tem função conhecida, enquanto nós só temos 5%. Um elevado desconhecimento da função dos genes favoreceria minha hipótese.
Não sei como os cientistas descobrem a função dos genes. Imagino que tenham que deletar e ver o resultado durante a vida do animal, coisa que deve dar um trabalhão, em se tratando de milhares de genes.
Como economista e especulador, acho que a física está esgotada. O LHC não vai descobrir nada. Acho que no nosso tempo de vida, as descobertas mais chocantes se darão no campo do DNA. Por isso, ando diminuindo minhas leituras sobre cosmologia/física e passando a ler mais sobre biologia. Meu problema é que não suporto ler em inglês e na nossa língua há poucos livros interessantes. Se me recomendar algum, lerei com interesse, desde que não seja do Richard Dawkins.
Um abraço, Marco Polo
Caro Marco,
Me desculpe dizer isso. Mas os resultados obtidos não batem com a sua lógica da evolução. Como disse em comentário anterior, o número de genes, ou de pares de bases do DNA de um determinado organismo, não têm absolutamente NADA a ver com a complexidade (?) deste organismo.
Sua hipótese extrema é completamente absurda.
De certa forma a expressão do gene pode ser traduzida como função do gene. O problema é que a expressão genética pode ser variada.
Não diria que 2/3 dos genes da pulga são conhecidos. Eu diria que 1/3 são totalmente desconhecidos. Dentre os 2/3 pode ter genes conhecidos, pouco conhecidos, e também aqueles que não se expressam (silenciosos).
Também acredito que determinar a função de um gene deve ser extremamente trabalhoso.
Infelizmente os melhores livros que conheço em português são de Dawkins. Em inglês, muitos.
abraços,
Roberto