O livro “O Conde de Clarac e a Floresta Virgem do Brasil”, de autoria de Pedro Correa do lago e Luis Frank, é uma tradução da obra que foi lançada por ocasião da exposição com mesmo nome, organizada no Museu do Louvre, Paris, entre setembro de 2005 e janeiro de 2006, por ocasião do Ano do Brasil na França. Não sei se é possível comprar on-line; foi adquirido na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.
O título se refere a Charles de Clarac, que veio ao Brasil em 1816, por ocasião da ‘estadia’ da família real portuguesa em nosso país, e à sua obra, de mesmo nome. “A Floresta Virgem do Brasil” é uma aquarela de 61,7 x 86,5 cm, que foi iniciada no Brasil e concluída na Europa por Clarac. Foi pela primeira vez exposta no Museu do Louvre, no Salão de 1819, tendo sido um grande sucesso. Por isso foi gravada por Claude Fortier sobre cobre. As primeiras doze gravuras foram distribuídas, e atualmente podem ser encontradas em coleções públicas e particulares.
O livro traz documentação que mostra como, em que condições e em que contexto histórico o quadro foi elaborado. Clarac chegou ao Brasil em um momento em que D. João VI abria o país para a visitação por estrangeiros, de maneira a trazer cultura para o país e valorizá-lo. Alexandre Von Humboldt tentou visitar o Brasil antes da vinda da família real, mas foi impedido de entrar. Com a vinda da corte, inúmeros pesquisadores e artistas viriam conhecer as maravilhas tropicais, dentre outros Debret (pintor), Nicolas (pintor) e Augusto Taunay (escultor), Von Martius (botânico), Spix (zoólogo), Rugendas (pintor), Hercule Florence (pintor), Saint-Hilaire (botânico) e Clarac.
A pintura de Clarac é impressionante pela sua força e pelos seus detalhes. O pintor a iniciou nas matas do Rio Bonito, ao norte do Rio de Janeiro, perto do Rio Paraíba do Sul. A pintura mostra uma família de índios cruzando um riacho por cima de um tronco caído, seguidos por um cachorro. Praticamente no mesmo plano, um outro índio, na margem do riacho para onde a família caminha, aponta sua flecha para um quati, o qual, por sua vez, dialoga com uma serpente. A cena se passa no meio de uma floresta exuberante. O interessante é perceber a família que cruza o riacho iluminada por raios de sol, o que remete imediatamente à imagem da família cristã. O quadro apresenta uma força intensa pela sua magnificência, tendo servido de modelo e inspiração para vários pintores, como por exemplo Debret, Von Martius e Rugendas. Este último pintou muitas obras claramente inspiradas na obra de Clarac, como “Cavaleiro na floresta” (1828), “Estudo para um quati” (1822-24), “Interior da floresta atlântica que cerca o Rio de Janeiro” (1822-25), “Índios na floresta virgem” (1830), dentre várias outras.
Na sua primeira parte o livro traz narrativas sobre a floresta tropical e uma análise do quadro de Clarac. São incluídos textos da época, como documentos da embaixada francesa (país então em contenda com a nação portuguesa) e cartas do Duque de Luxemburgo (embaixador da França) e de Clarac ao Duque de Richelieu. Segue-se uma biografia sobre Clarac e narrativas de viagens pelo Brasil por Auguste Saint-Hilaire e textos de Alexandre Von Humboldt, uma análise da influência do quadro de Clarac sobre pintores da época e posteriores, mostrando como o quadro de Clarac serviu de motivo para muitas outras pinturas, inclusive de artistas brasileiros. Os textos históricos são muito interessantes por seus detalhes, particularmente os escritos por Saint-Hilaire, que se preocupou em narrar minuciosamente suas viagens.
O livro é muito bonito pois inclui inúmeras reproduções de quadros da época, em uma edição de capa dura, de 20 (altura) x 27 cm, muito bem cuidada. A importância da obra de Clarac e os textos históricos fazem deste um livro uma obra importante por seu valor documental.
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