Embora atrasada, vale a pena divulgar notícia publicada na revista Chemistry World (da Royal Society of Chemistry) em sua edição de março deste ano (veja aqui), que chegou atrasada. O presidente dos EUA, Barack Obama, acalmou os especuladores sobre eventuais cortes no orçamento de financiamento para ciência dos EUA, dizendo que este deverá ser preservado, apesar do momento econômico pouco favorável dos Estados Unidos. Apesar do congelamento do orçamento doméstico, Obama ressaltou a importância do investimento contínuo na inovação, através do financiamento em pesquisa, em tecnologia e em educação.
Segundo o presidente dos EUA, o momento atual é o da geração Sputnik, enfatizando que os EUA devem atingir um nível de pesquisa e desenvolvimento não observado desde a corrida espacial, durante a guerra fria. Afirma que serão feitos investimentos na área de pesquisa biomédica, tecnologia da informação, tecnologia de matrizes energéticas limpas – investimento que deve resultar em maior segurança, proteção ambiental e promover a criação de inúmeros novos empregos.
Embora a comunidade científica americana esteja comemorando as diretrizes propostas por Obama, em visível contraste e oposição à política restritiva de financiamento à pesquisa promovida durante os 8 anos do governo George W. Bush, órgãos como a American Chemical Society (Sociedade Americana de Química) dizem que ainda é cedo para se comemorar, pois as diretrizes propostas por Obama devem ser aprovadas pelo Congresso norte-americano. Especialmente considerando-se a posição contrária dos republicanos.
Porém, a equação econômica dos EUA não é simples de ser resolvida. Isso porque outros setores deverão ter seus orçamentos congelados. Sendo assim, propostas como a de Obama devem ser consideradas pela sociedade em geral, que pode não concordar com as prioridades estabelecidas pelo governo dos EUA. Além disso, “o financiamento de todas as áreas da ciência parece distante de ser trivial. Resta saber de onde virá o orçamento para a pesquisa e desenvolvimento”, afirma Roger Pielke, do Centro para a Pesquisa de Diretrizes para a Ciência e Tecnologia da Universidade do Colorado.
Obama enfatizou a importância dos EUA em manter liderança em ciência e tecnologia, e afirmou que ser incoerente investir na formação de estudantes talentosos que vão de outros países estudar nos EUA se estes depois vão embora. “Tão logo estes estudantes obtém seus diplomas, retornam a seus países de origem”, afirmou o presidente norte-americano, “isso não faz o menor sentido”. Obama afirmou que uma reforma no sistema de imigração norte-americano é crucial para resolver este problema, de maneira a impedir que jovens talentosos e responsáveis que podem trabalhar nos laboratórios dos EUA, serem empreendedores e enriquecer a nação, vão embora.
Não é à toa que quando veio ao Brasil Obama reclamou com a presidente Dilma Rousseff que os EUA têm um número muito pequeno de estudantes brasileiros. A presidente se interessou pelo problema e estabeleceu iniciativa de oferecer 75.000 bolsas para estudantes brasileiros irem para o exterior. O número de bolsas pode chegar a 100.000 em 2014 (veja aqui).
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