Produtos Naturais em alta

A pesquisa com produtos naturais está rendendo frutos e dinheiro mundo afora. Reportagens publicadas no número de março da revista Chemistry World mostram que pesquisadores que trabalham nesta área não estão para brincadeira. Um grupo de pesquisa do Centro Médico de Cedars-Sinai, de Los Angeles (EUA), criaram uma nova substância tendo por base a curcumina, comumente encotrada em Curcuma longa. O híbrido de curcumina, chamado de CNB-001 atua no reparo de danos oriundos de ataques cardíacos, protegendo e regenerando células do cérebro.

Outra notícia no mesmo número da mesma revista conta que a empresa Novartis desenvolveu produto para o tratamento de esclerose múltipla que teve uma avaliação positiva por parte de órgãos reguladores da Suíça e da Austrália. O medicamento, denominado Gilenya (fingolimod), foi aprovado para comercialização no mercado norte-americano em setembro de 2010, estando atualmente em 2º lugar nas vendas de medicamentos para esclerose múltipla, atrás da cladribina (Merck). O medicamento da Novartis é o primeiro de uma nova classe denominada de moduladores do receptor da esfingosina-1-fosfato, que presumivelmente é responsável pela prevenção de danos no sistema nervoso central diminuindo o movimento de glóbulos brancos em regiões chave do corpo humano. O medicamento da Novartis teve por base uma substância isolada do fungo Isaria sinclairii.

Por fim, outra notícia da mesma revista conta que diferentes empresas estão comercializando kits de toxinas para serem utilizadas como ferramentas bioquímicas. A empresa suíça Bachem vende placas contendo toxinas da aranha australiana Atrax robustus, da formiga do fogo Solenopsis invicta e também de serpentes. O kit contém 24 toxinas: 6 de serpentes, 3 de aranhas, 3 de escorpiões, 2 de moluscos do gênero Conus, 2 de sapos, 2 de anêmonas-do-mar, 2 de octocorais, uma de água-viva, uma de formiga, e duas de vespas. A empresa Bachem trabalha em parceria com outra empresa, a Artheris, que tem um portfólio de 600 secreções de insetos. Toxinas podem não somente ser úteis para estudar inúmeros processos bioquímicos e fisiológicos, como também poder servir de modelo para o desenvolvimento de fármacos. Exemplos são o veneno da jararaca, que serviu para o desenvolvimento do captopril (tratamento de pressão alta), e toxinas de moluscos do gênero Conus, que resultaram na descoberta do prialt (ziconotídeo), um analgésico extremamente potente que não causa dependência como os derivados de ópio. Pelo fato destas toxinas exercerem atividades biológicas extremamente potentes, seletivas e específicas, além de serem isoladas em quantidades muito pequenas, certamente um kit destes deve custar uma pequena fortuna (procurei o site das empresas na web mas não encontrei).

Links para as reportagens da revista Chemistry World aqui e aqui.



Categorias:química de produtos naturais

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