1661. Os holandeses perdem sua colônia para o Brasil após assinar um tratado de paz. Com isso, Portugal autoriza o comércio dos ingleses no Brasil e nas Índias. Poucos anos depois seriam iniciadas as bandeiras para o interior do território brasileiro.
1661. Robert Boyle publica The Sceptical Chymist aos 34 anos. Desde seus pouco mais de 20 anos estabeleceu contato com vários outros pesquisadores. Junto com Robert Hooke, que era seus assistentes, Boyle iniciou o estudo de gases. Em 1660 publicou New experiments physicho-chemical touching the spring of the air and its effects, que provocou certa controvérsia. Pouco tempo depois estabeleceu a “lei de Boyle”, que determina a correlação inversa entre a pressão que um gás exerce em um recipiente e o volume que este mesmo gás ocupa. Em 1660 seria também fundada a Royal Society, cerimônia da qual Boyle participou.
O momento também foi de descoberta e debates sobre os elementos que constituem a matéria, em oposição a até então vigente visão de Aristóteles, segundo a qual tudo seria constituído por quatro elementos: fogo, água, ar e terra. Como Boyle se interessava muito por medicina, chegou aos trabalhos de alquimistas como Paracelso, que contestavam os métodos médicos de tratamento de então. Segundo Paracelso, toda a matéria continha três princípios fundamentais: enxofre, mercúrio e sal, cada um dos quais com seus atributos filosóficos (inflamabilidade, fluidez e incombustibilidade). Boyle discordava da visão de Paracelso, mas, receoso do momento político de transição entre 1658 e 1660, durante o qual a Inglaterra passou das mãos de Cromwell para Carlos II, preferiu esperar para publicar seu The Sceptical Chymist. Foi sob pressão de seus colegas que a obra veio a público.
O livro de Boyle narra uma discussão entre quatro participantes, de maneira muito parecida com o livro de Galileu Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo: o aristotélico Themistius, o paracélsico Philoponus, o cético Carneades e Eleutherius, inquiridor de mente aberta. Carneades claramente representa o ponto de vista de Boyle, o qual inicia o debate questionando as idéias de Aristóteles e Paracelso, com base em experimentos realizados em laboratório, mostrando que a transformação da matéria gera novos compostos em vez de elementos. A proposta de Carneades era, porém, muito mais ousada: a de que os constituintes da matéria seriam átomos, diferindo entre si em seu tamanho, tipo, textura e movimento. Boyle resgatou o conceito de átomo de Demócrito e Leucipo (entre 400 e 300 a.C.), reforçado por Epicuro. Como este último desvinculou a explicação do comportamento da matéria de qualquer preceito religioso, as idéias dos atomistas e de Epicuro foram rejeitadas por quase 2.000 anos e caíram no esquecimento. Apenas com a tradução das obras dos pensadores gregos em meados do século 17 estas ideias voltaram a ser conhecidas e divulgadas.
Boyle acreditava que o mundo seria construído por diferentes blocos, tal como peças de Lego, de maneira razoavelmente similar à concepção atual da matéria. Mas, diferentemente de seus antecessores, suas “considerações filosóficas” se baseavam em experimentos que ele mesmo realizava. Além de seu rigor científico, ilustrado pelas inúmeras repetições de experimentos até que os resultados fossem consistentes, Boyle adotou um discurso claro e direto para descrever a ciência que realizava, de maneira muito semelhante à forma como artigos científicos são atualmente escritos. Boyle também explorou as propriedades ácido-base de corantes, fazendo com que estes fossem posteriormente utilizados no desenvolvimento de indicadores de pH.
Embora o livro The Sceptical Chymist possa parecer muito confuso, e com muitas ideias inconclusivas, é considerada uma das primeiras obras que descrevem fenômenos químicos do ponto de vista científico.
fonte: edição de abril da revista Chemistry World (editada pela Royal Society of Chemistry).
Categorias:química
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