Texto de Brooke Harrington publicado na revista eletrônica Psyche.
Planejar projetos de pesquisa é um exercício intelectual que requer tempo. Exige tanto criatividade quanto habilidades analíticas apuradas. Aqui, o objetivo é apresentar um processo sistemático e de fácil compreensão. Embora existam bastante liberdade e descoberta envolvidos no processo — desde os temas escolhidos até dados e métodos selecionados — também existem estratégias bem definidas que podem ser aplicadas, independentemente do nível acadêmico ou da área de estudo daquele que elabora o projeto. Desde estudantes do ensino médio até (pós)doutorandos, das humanidades às ciências exatas, o planejamento da pesquisa envolve etapas bastante semelhantes: a formulação de uma pergunta, o desenvolvimento de um argumento ou de previsões com base em pesquisas anteriores, bem como a seleção das informações necessárias para responder à(s) pergunta(s) proposta(s).

Parte desse processo pode parecer fácil. Porém, a pesquisa científica exige uma maneira diferente de abordar e utilizar informações daquela à qual a maioria das pessoas está acostumada na vida cotidiana. Por isso, vale a orientação em relação à criação do conhecimento como uma etapa inicial do processo. Trata-se de uma fase crucial e subestimada da educação, semelhante à transição do emprego assalariado para o empreendedorismo: de repente, você se encontra por conta própria, o que exige uma nova forma de pensar sobre o seu trabalho.
O que fazer
O planejamento da pesquisa envolve quatro etapas distintas: orientar-se em relação à criação do conhecimento; definir a(s) pergunta(s) de pesquisa; revisar pesquisas anteriores sobre a(s) pergunta(s) que se pretende investigar; e, então, escolher dados relevantes para formular suas próprias respostas. A coleta ou a análise de dados ocorrem após o planejamento do projeto. O tema é vasto: cursos de doutorado com duração de um ano inteiro são dedicados a dados e análise. Em vez disso, a quarta parte deste texto apresentará algumas estratégias básicas que podem ser usadas no planejamento de um processo de seleção e análise de dados apropriado à sua(s) pergunta(s) de pesquisa.
Etapa 1: Orientar-se
Planejar e conduzir pesquisas exige que se faça uma transição: de pensar como consumidor de informações para pensar como produtor de informações. Isso parece simples, mas, na realidade, é uma tarefa complexa. Em termos práticos, isso significa deixar de lado a mentalidade de estudante, que trata o conhecimento como algo criado por outras pessoas. Como estudantes, frequentemente somos receptores passivos de conhecimento: por exemplo, somos solicitados a realizar um conjunto específico de leituras e, em seguida, somos avaliados com base em quão bem reproduzimos o que lemos.
Pesquisadores, por outro lado, precisam assumir um papel ativo como produtores de conhecimento. Realizar pesquisa exige mais do que ler e absorver o que outras pessoas escreveram: é necessário engajar-se em um diálogo com esse material. Isso inclui argumentar com conhecimentos anteriores e, talvez, tentar demonstrar que ideias que são aceitas estão, na verdade, incorretas ou incompletas. Por exemplo, em vez de simplesmente aceitar as afirmações de um autor, será necessário extrair as implicações das afirmações do autor: se o que o autor está dizendo é verdadeiro, o que mais isso sugere que também deve ser verdadeiro? Que previsões poderiam ser feitas com base nas afirmações do autor?
Em outras palavras, em vez de tratar uma leitura como uma fonte de verdade — mesmo que de uma fonte como Platão ou Marie Curie — esta etapa de orientação necessita que as afirmações lidas possam até mesmo ser provisórias e passíveis de questionamento. Essa é uma das grandes lições que a ciência e a filosofia podem nos ensinar: os maiores avanços na compreensão humana não foram alcançados por estarmos corretos sobre coisas triviais, mas por estarmos errados de maneira interessante. Por exemplo, Albert Einstein estava errado sobre a mecânica quântica, mas seus argumentos a respeito dela com o colega físico Niels Bohr levaram a alguns dos maiores avanços da ciência, mesmo um século depois.
Etapa 2: Definir a(s) pergunta(s) de pesquisa
Estudantes frequentemente dedicam pouca atenção a esta etapa, mas pesquisadores experientes sabem que formular uma boa pergunta é, por vezes, a parte mais difícil do processo de planejamento da pesquisa. Isso ocorre porque a linguagem precisa da pergunta estrutura todo o restante do projeto. Portanto, é importante formular a pergunta com cuidado, de modo que seja possível respondê-la e que ela tenha probabilidade de gerar resultados interessantes. Evidentemente, é preciso escolher uma pergunta que seja de interesse para quem a quer investigar, mas isso é apenas o início de um processo que tende a ser iterativo: a maioria dos pesquisadores retorna a esta etapa repetidamente, modificando suas perguntas à luz de pesquisas anteriores, limitações de recursos e outras considerações.
Pesquisadores enfrentam limites em termos de tempo e recursos financeiros. Como qualquer outra pessoa, precisam formular perguntas de pesquisa que possam ser plausivelmente respondidas dentro das restrições existentes. Por exemplo, não seria aconselhável estruturar um projeto em torno da pergunta “Quais são as raízes do conflito árabe-israelense?” se você dispõe de apenas uma semana para desenvolver uma resposta e não possui formação prévia sobre o tema. Isso não significa limitar sua imaginação: você pode formular qualquer pergunta que desejar. No entanto, normalmente é necessária certa criatividade para formular uma pergunta que você possa responder de forma adequada — isto é, investigando-a de maneira aprofundada e oferecendo novos insights — dentro das limitações existentes.
Além de ser interessante e viável dentro das restrições de recursos, a terceira e mais importante característica de um “bom” tema de pesquisa é se ele permite a criação de novo conhecimento. Pode acontecer de sua pergunta já tiver sido formulada e respondida de maneira satisfatória. Por outro lado, você pode formular uma pergunta de pesquisa que ainda não tenha sido abordada anteriormente. Antes de se entusiasmar excessivamente com a possibilidade de explorar um terreno inédito, é importante levar em conta que muitas perguntas potencialmente pesquisáveis não foram estudadas por uma boa razão: elas podem ter respostas triviais ou de interesse muito limitado. Isso pode incluir perguntas como “Por que a área de um círculo é igual a πr²?” ou “As condições de inverno afetaram os planos de Napoleão de invadir a Rússia?”. Evidentemente, você pode ser capaz de argumentar que uma pergunta aparentemente trivial é, na verdade, de importância vital, mas deve estar preparado para sustentar esse argumento com evidências convincentes. O exercício na seção “Saiba mais” ajuda a refletir sobre algumas dessas questões.
Por fim, perguntas de pesquisa acadêmica devem, de alguma forma, conduzir a novos e distintos insights. Por exemplo, muitas pessoas já estudaram papéis de gênero em equipes esportivas; o que você pode perguntar que ainda não foi perguntado antes? Reinventar a roda é o principal erro a ser evitado nesse empreendimento. É por isso que a próxima etapa é tão importante: revisar pesquisas anteriores sobre o tema. Dependendo do que se encontrar nessa etapa, pode ser necessário revisar a pergunta de pesquisa; a iteração entre a pergunta e a literatura existente é um processo normal. Mas, isso não continua indefinidamente. De fato, as iterações tendem a diminuir — e a pergunta de pesquisa se estabiliza — à medida que se desenvolve uma compreensão sólida do estado atual do conhecimento sobre o tema.
Etapa 3: Revisão de pesquisas anteriores
Na pesquisa acadêmica, desde artigos até livros, é comum encontrar uma seção chamada “revisão da literatura”. O objetivo dessa seção é conhecer e descrever o estado da arte do conhecimento sobre a pergunta de pesquisa que um projeto propõe. Ela demonstra que os pesquisadores revisaram de forma completa e sistemática os achados relevantes de estudos anteriores sobre o tema e que têm algo novo a contribuir.
O projeto de pesquisa deve incluir algo semelhante, mesmo que se trate de um trabalho escolar do ensino médio. No processo de planejamento da pesquisa, é necessário listar pelo menos meia dúzia de tópicos indicando os principais achados anteriores sobre o tema. Em relação a esses achados, é preciso especificar em que medida o projeto pode fornecer novos e necessários insights. Existem duas posições retóricas básicas que podem ser adotadas ao estruturar o argumento de novidade e importância exigido pela pesquisa acadêmica:
Posição 1: exige que se construa ou estenda um conjunto de ideias existentes. Isso significa dizer algo como: “A Pessoa A argumentou que X é verdadeiro em relação ao gênero; isso implica Y, que ainda não foi testado. Meu projeto testará Y e, se eu encontrar evidências que o sustentem, isso mudará a forma como compreendemos o gênero.”
Posição 2: consiste em argumentar que existe uma lacuna no conhecimento existente, seja porque pesquisas anteriores chegaram a conclusões conflitantes, seja porque deixaram de considerar algo importante. Por exemplo, pode-se argumentar que a pesquisa sobre estudantes do ensino fundamental II e gênero tem sido limitada por ser conduzida principalmente em ambientes coeducacionais, e que os achados poderiam ser drasticamente diferentes se a pesquisa fosse realizada em mais escolas com corpos discente exclusivamente masculino ou feminino.
O objetivo geral nesta etapa do processo é demonstrar que a pesquisa fará parte de uma conversa mais ampla: mostrar como o projeto decorre do que já é conhecido e como ele avança, estende ou desafia esse corpo de conhecimento existente. Essa será a contribuição do projeto e constitui a motivação para a pesquisa.
Duas observações merecem destaque em relação à busca por fontes de pesquisas anteriores relevantes. Primeiro, não é necessário se limitar a estudos sobre o tema em exame. Por exemplo, se se deseja estudar a formação da identidade de gênero em escolas, não deve restringir-se apenas a estudos sobre escolas. O contexto empírico (escolas) é secundário em relação ao processo social mais amplo que interessa (como as pessoas formam identidade de gênero). Esse processo ocorre em muitos contextos diferentes; por isso, muitas vezes é preciso ampliar o escopo da busca bibliográfica. Segundo, é necessário utilizar fontes bibliográficas legítimas: publicações que passaram por algum tipo de avaliação, seja revisão por pares (como artigos acadêmicos encontrados no Google Scholar) ou revisão editorial (como ocorre em publicações de grande circulação e reputação, como The Economist, The Washington Post e outros jornais e revistas de ampla circulação e considerados confiáveis). O que deve ser evitado são fontes não avaliadas, como blogs pessoais ou a Wikipédia, porque qualquer pessoa pode escrever qualquer coisa nesses fóruns, e não há como saber se as afirmações ali encontradas são precisas.
Etapa 4: Escolha os dados e métodos de análise
Independentemente de qual seja a pergunta de pesquisa, será necessário considerar qual fonte de dados e qual estratégia analítica têm maior probabilidade de fornecer as respostas do projeto. Um ponto de partida é considerar se a pergunta é mais bem abordada se pela análise de dados qualitativos (como entrevistas, observações ou registros históricos, por exemplo), dados quantitativos (como pesquisas por questionários ou pela coleta de dados) ou de uma combinação de ambos. As fontes de dados, por sua vez, indicarão opções para métodos analíticos a serem empregados.
Muitas vezes é preciso coletar os próprios dados. Ou pode ser possível se encontrar tudo o é necessário prontamente disponível em um conjunto de dados existente criado por outra pessoa. Um excelente ponto de partida são bibliotecas universitárias, que sempre contam com profissionais especializados e muito bem capacitados para ajudar na busca bibliográfica. Uma biblioteca pública comum também pode ser um bom lugar para iniciar uma pesquisa bibliográfica, pois têm acesso a fontes de dados que podem ser relevantes.
A tarefa neste ponto é planejar a pesquisa, e não realizá-la. O objetivo desta etapa é refletir sobre uma abordagem viável para responder à(s) pergunta(s) do projeto. Será necessário verificar, por exemplo, se os dados desejados existem; se não existirem, existe a possibilidade de coletá-los por conta própria, ou seria melhor modificar a pergunta de pesquisa? Em termos de análise, a estratégia exigiria a aplicação de métodos estatísticos? Se sim, é necessário estar bem preparado para realizar esta etapa. Caso contrário, é necessário aprendê-las ou contratar um assistente de pesquisa que realize a análise.
É importante perceber que métodos qualitativos não são o empreendimento casual que podem parecer à primeira vista. Muitas pessoas cometem o erro de pensar que apenas dados e métodos quantitativos são científicos e sistemáticos, enquanto métodos qualitativos seriam apenas uma forma sofisticada de dizer: “Conversei com algumas pessoas, li alguns jornais antigos e tirei minhas próprias conclusões”. Nada poderia estar mais distante da verdade. Existem recursos que oferecem mais informações sobre os padrões e procedimentos que regem a pesquisa qualitativa, mas basta dizer que existem regras sobre o que constitui evidência legítima e procedimentos analíticos válidos para dados qualitativos, assim como existem para dados quantitativos (ver no final).
Retorne e considere revisar seus planos iniciais
À medida que se avança nas quatro etapas do planejamento do projeto, é perfeitamente normal retornar e revisar decisões anteriores. O planejamento da pesquisa raramente é um processo linear. Também é comum que novas e inesperadas possibilidades surjam ao longo do caminho. Como escreveu o sociólogo Thorstein Veblen em 1908, “O resultado de qualquer pesquisa séria só pode fazer crescer duas perguntas onde antes havia apenas uma”. Isso é tão verdadeiro para o planejamento da pesquisa quanto para um projeto concluído. Tente apreciar os horizontes que se abrem nesse processo, em vez de se sentir sobrecarregado; as quatro etapas, juntamente com os dois exercícios a seguir, ajudam a focar seu plano e torná-lo manejável.
Saiba mais
Boas perguntas de pesquisa tendem a gerar mais perguntas. Isso pode ser frustrante para quem deseja ir direto ao ponto. É preciso abrir espaço para o inesperado: geralmente é assim que o conhecimento avança. Muitas das descobertas mais significativas da história humana foram feitas por pessoas que estavam procurando algo completamente diferente. Existem maneiras de estruturar o processo de planejamento da pesquisa sem se restringir excessivamente. Os dois exercícios ao final desse texto são um ponto de partida. Métodos adicionais são indicados na seção de bibliografia adicional (ao final).
O exercício a seguir fornece um processo estruturado para avançar no planejamento de um projeto de pesquisa. Após concluí-lo, deve ser possível: a) descrever de forma clara e concisa a pergunta que escolheu estudar; b) resumir o estado da arte do conhecimento sobre a pergunta e indicar como o projeto pode contribuir com novos insights; c) identificar a melhor estratégia para coletar e analisar dados relevantes.
Exercício 1: Definição da pergunta de pesquisa e fontes
Este exercício necessita que a área geral de interesse seja escolhida de forma bem fundamentada, para se desenvolver uma pergunta de pesquisa e investigar fontes de informação. A bibliografia selecionada também ajudará a refinar a pergunta de pesquisa, de modo que seja possível iniciar a segunda tarefa, uma descrição do fenômeno que deseja estudar.
a) Tema
É preciso anotar alguns tópicos em resposta às duas perguntas a seguir, com a compreensão de que provavelmente será necessário retornar para modificar as respostas a estas perguntas, à medida que se inicia a ler outros estudos relevantes para o tema: 1. Qual será o tema geral do trabalho?; 2. Qual será o tema específico do trabalho?
b) Pergunta(s) da pesquisa
É uma boa estratégia utilizar as diretrizes a seguir para formular uma pergunta — ou perguntas — de pesquisa que orientarão a análise. Assim como na Parte 1 acima, talvez seja necessário alterar ou refinar a(s) pergunta(s) de pesquisa à medida que tarefas futuras forem sendo concluídas. A pergunta de pesquisa deve ser formulada de modo que não possa ser respondida com um simples “sim” ou “não”. A pergunta deve ter mais de uma resposta plausível. A pergunta deve estabelecer relações entre dois ou mais conceitos; formular a pergunta em termos de “Como?” ou “O que?” geralmente funciona melhor do que perguntar “Por quê?”.
c) Bibliografia selecionada
A maior parte ou a totalidade das informações de base deve provir de duas fontes: livros e periódicos acadêmicos, ou fontes respeitáveis da grande mídia. É possível acessar artigos de periódicos eletronicamente por meio de uma biblioteca, utilizando mecanismos de busca como JSTOR, Google Scholar, Web of Science, SCOPUS ou outras bases de dados. Esse procedimento pode economizar bastante tempo em comparação com a ida presencial à biblioteca para consultar periódicos. Fontes gerais de notícias, como as acessíveis por meio do LexisNexis, são aceitáveis, mas devem ser citadas com parcimônia, pois não possuem o mesmo nível de credibilidade que fontes acadêmicas. Fontes não avaliadas, como blogs e Wikipédia, devem ser evitadas, pois a qualidade das informações que fornecem é pouco confiável e frequentemente enganosa.
Para criar uma bibliografia anotada, as seguintes informações devem ser obtidas para pelo menos 10 fontes relevantes para o seu tema específico, utilizando o formato sugerido abaixo:
Nome do(s) autor(es):
Data de publicação:
Título do livro, capítulo ou artigo:
Se capítulo ou artigo, título do periódico ou do livro em que aparece:
Breve descrição da obra, incluindo principais achados e métodos (aprox. 75 palavras):
Resumo de como esta obra contribui para o seu projeto (aprox. 75 palavras):
Breve descrição das implicações desta obra (aprox. 25 palavras):
Identificação de qualquer lacuna ou controvérsia no conhecimento apontada por esta obra e como seu projeto poderia abordar esses problemas (aprox. 50 palavras):
Exercício 2: Rumo a uma análise
É preciso elaborar um breve texto (aprox. 250 palavras) sobre o tipo de dados que seriam úteis para responder à pergunta de pesquisa e como analisar os dados necessários para responder à pergunta. Algumas questões a considerar ao redigir esse texto podem ser: a)
Quais são os conceitos ou variáveis centrais do projeto? Fazer uma breve definição de cada um; b) Existem fontes de dados sobre esses conceitos ou variáveis, ou seria necessário coletar dados?; c) Dentre as estratégias analíticas que poderiam ser aplicadas a esses dados, qual seria a mais apropriada para responder à pergunta formulada? Qual seria a mais viável para ser utilizada? Uma boa estratégia é considerar pelo menos dois métodos, observando as vantagens ou desvantagens de cada um para o projeto que se pretende desenvolver.
Links e livros
Um dos melhores textos já escritos sobre planejamento e execução de pesquisas provém de uma fonte que pode parecer inesperada: uma obra de 60 anos sobre planejamento urbano escrita por uma estudiosa autodidata. O livro clássico The Death and Life of Great American Cities (1961), de Jane Jacobs vale a leitura completa apenas pelo prazer que proporciona. As 20 páginas finais — um capítulo intitulado “The Kind of Problem a City Is” — tratam essencialmente do processo de pensar e investigar um problema. Altamente recomendado como uma janela para o ofício da pesquisa.
O texto de Jacobs faz referência a um ensaio sobre o avanço do conhecimento humano escrito pelo matemático Warren Weaver. À época, Weaver era diretor da Fundação Rockefeller, responsável pelo financiamento de pesquisas básicas nas ciências naturais e médicas. Embora o ensaio se intitule A Quarter Century in the Natural Sciences (1960) e pareça, à primeira vista, apenas um resumo da carreira de um homem, ele se revela algo muito maior e mais interessante: uma reflexão sobre a história da busca humana por respostas a grandes questões sobre o mundo. Weaver retorna ao século XVII para traçar as origens do pensamento sistemático em pesquisa, com entusiasmo e anedotas vívidas que tornam o processo envolvente. O ensaio vale a leitura integral e está disponível gratuitamente por meio deste link.
Para uma discussão mais aprofundada, em nível profissional, sobre a lógica do desenho de pesquisa, o cientista político Harvey Starr oferece insights em formato conciso no artigo Cumulation from Proper Specification: Theory, Logic, Research Design, and “Nice” Laws (2005). Starr revisa a “tríade da pesquisa”, composta pelas considerações interligadas de formular uma pergunta, selecionar teorias relevantes e aplicar métodos apropriados. O texto completo do artigo, publicado no periódico acadêmico Conflict Management and Peace Science, está disponível gratuitamente por meio deste link.
Por fim, o livro Getting What You Came For (1992), de Robert Peters, não é apenas um excelente guia para quem considera cursar a pós-graduação, mas também inclui vários capítulos excelentes sobre planejamento e execução de pesquisas, aplicáveis a uma ampla variedade de áreas do conhecimento. São recomendados principalmente o Capítulo 16 (“The Thesis Topic: Finding It”), o Capítulo 17 (“The Thesis Proposal”) e o Capítulo 18 (“The Thesis: Writing It”).
Em resumo…
O planejamento de um projeto de pesquisa é essencial, independentemente do nível acadêmico ou da área de estudo. Não existe uma única “melhor” forma de desenhar uma pesquisa, mas há diretrizes que podem ser aplicadas de maneira útil entre disciplinas.
É necessário buscar informações com relação à criação do conhecimento. É preciso fazer a transição de consumidor de informações para produtor de informações. Orientadores acadêmicos são muitas vezes imprescindíveis nesse processo.
É essencial definir a pergunta de pesquisa. A pergunta estrutura o restante do projeto, delimita o escopo e determina os tipos de respostas que serão possíveis serem encontradas.
É necessário revisar pesquisas anteriores sobre a pergunta formulada. É preciso examinar o corpo existente de conhecimento relevante para garantir que a pesquisa fará parte de uma conversa mais ampla.
É necessário uma boa seleção de dados e métodos de análise.
Retornar e revisar seus planos iniciais é muitas vezes uma boa estratégia. A pergunta de pesquisa pode, muitas vezes, passar por múltiplas rodadas de refinamento à medida que mais se aprende mais sobre o tema.
—————————–
Comentário: também recomendo dois livros interessantes sobre este mesmo assunto, de W. I. B. Beveridge: “The Art of Scientific Investigation” e “Seeds of Discovery: The Logic, Illogic, Serendipity, and Sheer Chance of Scientific Discovery”.
Categorias:educação, pesquisa científica, Sem categoria
Deixe um comentário