Fósseis de criaturas marinhas de 512 milhões de anos são encontrados na China

Reportagem de Will Dunham da Reuters reproduzida na Folha de São Paulo

Cientistas desenterraram no sul da China milhares de fósseis de criaturas marinhas. A idade dos invertebrados, de várias formas e tamanhos, é estimada em 512 milhões de anos. Eles estão bem preservados, às vezes até o nível celular, revelando pernas, brânquias, intestinos, olhos e até nervos.

O achado foi descrito em artigo publicado nesta quarta-feira (28) na revista Nature. O conjunto de organismos é chamado pelos pesquisadores de biota de Huayuan, em referência ao condado na província de Hunan onde foram encontrados. Todos estavam em uma única pedreira.

O conjunto de fósseis rivaliza com outros dois importantes: a biota do xisto Burgess da província de Colúmbia Britânica, no Canadá; e a biota de Chengjiang da província de Yunnan, na China.

“A biota de Huayuan estava situada em um ambiente de águas profundas na borda da plataforma continental do sul da China”, disse o paleontólogo Han Zeng, do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing, parte da Academia Chinesa de Ciências. Ele é o autor principal do novo estudo.

“Era um ecossistema próspero com animais distribuídos desde a coluna d’água até a superfície e dentro do sedimento marinho. Os animais têm vários hábitos alimentares e mobilidade”, acrescentou o pesquisador.

Com base em uma amostra de 8.681 espécimes, os autores do estudo identificaram 153 espécies —das quais 91 antes eram desconhecidas— de 16 grandes grupos animais.

Os fósseis datam de uma época em que a vida animal e vegetal ainda estava confinada aos mares.

Os grupos dominantes entre os fósseis incluíam artrópodes, grupo que abrange os atuais caranguejos, camarões, escorpiões, insetos, aranhas, centopeias e milípedes; cnidários, que incluem as atuais águas-vivas, corais e anêmonas-do-mar; e esponjas, que estão entre os animais mais antigos.

Os principais predadores eram vários membros de um grupo de artrópodes primitivos com membros especializados para agarrar presas enquanto nadavam pelo mar. Outra criatura era coberta de espinhos e lembra a aparência de um cacto.

Embora os animais descobertos fossem todos invertebrados, a biota de Huayuan inclui membros de uma subdivisão de animais considerados os parentes mais próximos dos vertebrados.

Os fósseis de Huayuan fornecem a melhor visão até agora de um ecossistema marinho após uma extinção em massa que ocorreu há cerca de 513,5 milhões de anos e que se acredita ter sido causada por vulcanismo que, por sua vez, desencadeou rápidas mudanças climáticas globais. Essa extinção em massa interrompeu a explosão Cambriana, quando quase todos os principais grupos do reino animal surgiram pela primeira vez.

Os fósseis indicam que a extinção em massa não atingiu as criaturas de águas mais profundas tão severamente quanto seus equivalentes de águas rasas, segundo o paleontólogo Maoyan Zhu, do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing, coautor da nova pesquisa.

“Ficamos surpresos quando descobrimos que a biota de Huayuan compartilhava vários animais com o xisto Burgess”, disse Zeng. “Como os estágios larvais são comuns em invertebrados marinhos existentes, a melhor explicação seria que as larvas dos primeiros animais eram capazes de se espalhar pelas correntes oceânicas desde os primórdios dos animais no Cambriano.”

Artigo da Nature: A Cambrian soft-bodied biota after the first Phanerozoic mass extinction


Comentário: um livro excelente sobre este assunto fascinante é o de Stephen Jay Gould, Vida Maravilhosa.



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