Pesquisadores do Massachussets Institute of Technology (MIT) e da Northeastern University in Boston descobriram uma substância natural que talvez possa ser muito eficiente no combate a cupins.

Insetos em geral apresentam um sistema imune extremamente eficiente, o qual inclui proteínas denominadas de receptores de reconhecimento de padrões comportamentais (pattern-recognition receptors). Tais proteínas, que fazem parte de uma classe chamada de “proteínas que se ligam a bactérias Gram-negativas” (Gram-negative bacteria binding proteins, ou GNBPs), inibem o desenvolvimento de microrganismos patogênicos, e protegem os insetos de infecções microbianas.
Uma destas proteínas, isolada de uma espécie de cupim, reconhece diferentes tipos de açúcares comumente encontrados em fungos. Os cupins secretam esta proteína nos cupinzeiros para impedir a infecção e propagação de espécies de fungos. Os pesquisadores descobriram que um açúcar muito particular, a D-δ-gluconolactona, bloqueia a ação da GNBP da espécie de cupim estudada o que faz com que ocorra a proliferação de fungos no cupinzeiro.

Considerando-se que cupins são pragas agrícolas que causam prejuízos da ordem de US$ 30 bilhões/ano (nos EUA), e que os cupinicidas atualmente utilizados são todos derivados químicos sintéticos (muitos dos quais podem ser tóxicos para animais e outras espécies de insetos), a descoberta pode ser útil para o desenvolvimento de um cupinicida menos agressivo. Além disso, como outras pragas em geral, as espécies de cupins podem desenvolver resistência aos cupinicidas sintéticos. Como as GNBPs exercem uma função extremamente essencial para a manutenção dos cupinzeiros, resultado de um longo processo evolutivo através de seleção natural, é pouco provável que os cupins adquiram resistência a compostos que bloqueiem a ação das GNBPs.
O artigo de Mark S. Bulmera, Ido Bacheletb, Rahul Ramanb, Rebeca B. Rosengausa, e Ram Sasisekharan, Targeting an antimicrobial effector function in insect immunity as a pest control strategy, está no prelo para publicação na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA, e pode ser visto aqui.
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Prezados, muito interessante o texto e parabéns pelo trabalho e pelo site! Iniciativas assim podem contribuir para que nossas primaveras sejam menos silenciosas e que possamos ouvir o som da natureza..Abraços!