Cotas raciais para pós-graduação?

Por mais estranha que possa parecer a pergunta-título deste post, tal questionamento foi apresentado pelo Prof. Marcelo H. Lima do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasilia em seu blog, Ciência Brasil. Para verificar esta informação, busquei o projeto de lei 6.364 de 2005, que “Institui o Estatuto da Igualdade Racial”. Realmente, está lá:

TÍTULO II – DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

CAPÍTULO II – DO DIREITO À EDUCAÇÃO, À CULTURA, AO ESPORTE E AO

LAZER

SEÇÃO I – DA EDUCAÇÃO

Art. 15. O Poder Executivo Federal, por meio dos órgãos competentes, incentivará as instituições de ensino superior públicas e privadas, sem prejuízo da legislação em vigor, a:

V – incluir alunos negros nos seus programas de mestrado, doutorado e pós-doutorado. (página 9 do projeto de lei).

O sistema de pós-graduação até hoje se baseou na avaliação exclusiva do mérito dos candidatos a ingressar nos programas regulamentados pela CAPES. Mais importante ainda, a avaliação de dissertações de mestrado e teses de doutorado obedecem a critérios científicos, tanto no que se refere a utilização de metodologias, como de análise e discussão de resultados, relevância do assunto abordado, ineditismo, rigor científico, clareza na apresentação e discussão do texto escrito. Não seria desejável que a avaliação de candidatos ingressantes e da defesa dos trabalhos de estudantes de pós-graduação tivesse que considerar a raça destas pessoas. Esta seria, realmente, uma grande distorção do sistema de pós-graduação.



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3 respostas

  1. “Esta seria, realmente, uma grande distorção do sistema de pós-graduação.”

    Assim como é uma grande distorção do sistema de graduação, quanto às cotas para negros no ingresso pelo vestibular… Quando o “racismo” (pois é o modo como eu enxergo tudo isso) é “benéfico”, aí sim passa a ser cego pelos olhos de quem sofre…

    Acredito que todos têm a mesma capacidade, mediante ao fato que também existem brancos em escolas públicas, ao passo que existem brancos com menos condições que muitas famílias de negros. Mas, mesmo assim, a cota continua a favorecer os “menos favorecidos”…

    É o maior eufemismo para “Você, que tem menos capacidade, bem-vindo…”

    É algo realmente medíocre.

    • Caro Bruno,

      Sou negro e morei nos EUA e lá a situação é bem diferente. Há sistema de cotas para negros e há negros que preferem ingressar por mérito, não entando, ao contrário da sociedade brasileira, que incessantemente tenta abafar que a desigualdade racial aqui vem dos tempos da escravatura, os Americanos, de todas as raças, mesmo tendo de engolir, admitem que, apesar dos esforços de integração, devida reparação até certo nível é necessária. Olhe que nos EUA, a maioria dos negros está em situação muito boa. No Brasil, o negro só serve para pão e circo, isto é, carnaval, música baiana; se faz comercial na TV, é de obras sociais; se faz novela ou filme, o personagem é um marginal, ou um serviçal sem a menor importância. Nasci em 1973, no Rio de Janeiro, sabe com quantos médicos negros me deparei até hoje? Um só. Dentistas? Uns 3. Arquiteto? Bem, deve ter, mas não conheço nenhum. Advogado? Vários. Algum destes de universadade pública? talvez uns dois. Há certamente no Brasil uma quantidade boa de pessoas negras. No entanto, nos comerciais de TV, você não vê quase nenhuma. E você ainda vem dizer que não deve haver sistema de cota. Enquanto é obvio que uma tese ou dissertação tem de seguir uma linha científica estabelecida, acho que os exames de ingresso nesses cursos devem focar primordialmente nas competências fins e não trazer coisas como lógica e algo do tipo que nunca foi ensinado em escola pública. Um adendo bom ao sistema de cota seria a exigência de manutenção de um CR alto após ingresso. Dentro de poucos anos, talvez, eu entre nas empresas, conforme já faço, através de meus trabalhos, e encontre gerentes e diretores negros. O Brasil se diz um país com forte cultura afro, mas o negro vive como um recém alforriado. Os EUA tem fama de racista e os negros lá se encontram em todos os escalões.

  2. Prepare-se que a Capes já instalou “cotas sociais” para bolsistas e em breve teremos “cotas de bolsa “para negros e indios nos mestrados e doutorados.

    Não vai faltar muito para se propor cotas raciais no pós-doutorado, ou mesmo para concurso de professor titular.

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