Notícia hoje divulgada no Jornal Folha de São Paulo – on-line revela que
Resistência de mosquito a repelente prolifera rápido
Os repelentes contra mosquitos, hoje indispensáveis para vida com conforto e saúde em zonas tropicais, estão sob risco de perder a eficácia. Em um experimento realizado no Reino Unido, cientistas mostraram que alguns insetos adquirem resistência natural ao DEET, principal substância ativa usada hoje em repelentes e podem passar essa característica à sua prole. Segundo o trabalho, publicado hoje na revista científica “PNAS”, isso vale para mosquitos vetores de doenças, como o Aedes aegypti, transmissor da dengue. Os autores da pesquisa, liderada por Linda Field, do instituto de pesquisa agrícola Rothamsted, de Harpenden, afirmam que a característica genérica de resistência é “dominante”, transmitida mais facilmente à prole. Essa herança genética da insensibilidade ao repelente estudado já havia sido mostrada em moscas-das-frutas (Drosophila melanogaster), mas agora se torna mais preocupante.
O DEET (N,N-dietil-meta-toluamida) é hoje o produto mais usado no mundo para esse fim, estando presente em preparados de marcas conhecidas, como Autan, Off e Repelex, além de líquidos usados para borrifar paredes e telhados.
No estudo, os cientistas também demonstraram que o cruzamento de fêmeas insensíveis ao DEET com machos de sensibilidade desconhecida elevou o índice [ao inseticida] de insensibilidade ao repelente nas moscas-filhotes de 13% para 50% em apenas uma geração. É uma má notícia, sugerindo que o uso mais disseminado desse produto pode vir a induzir um rápido surgimento da resistência nos animais.
(…) Uma limitação do uso do DEET hoje é que os produtos mais eficientes, com grandes concentrações entre 30% e 50% de repelente, não são recomendados para uso em crianças menores de 12 anos. Um grupo promissor de repelentes que usa um tipo diferente de molécula vem sendo desenvolvido pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), mas ainda é preciso fazer testes clínicos para que possam chegar ao mercado.
Este problema não é novo, uma vez que a resistência do mosquito da dengue a outros inseticidas também já foi registrada. Em 20 de fevereiro deste ano, outra notícia, publicada no Jornal da Tarde on-line, relata a descoberta de resistência do A. aegypti.
O Ministério da Saúde informou que em seis regiões metropolitanas e quatro capitais do País foi detectada, em 2009, resistência de larvas do mosquito da dengue a determinados larvicidas. Em outras duas regiões e no Estado de São Paulo, o problema foi em relação a tipos de inseticidas, utilizados contra o mosquito. Já há focos da epidemia em São José do Rio Preto e Araçatuba e alta de casos em Ribeirão Preto e Guarujá.
A resistência aos inseticidas deltametrina e cypemetrina, usados no chamado “fumacê”, ocorreu nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte e Fortaleza, além do Estado de São Paulo, onde os produtos foram substituídos por malathion ou fenitrothion. Os problemas com os larvicidas BTI e temefós ocorreram nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Natal, Belo Horizonte, Recife e Rio, além das capitais Maceió e Aracaju – em todas houve substituição do produto. Em Rio Branco e Campo Grande a mudança está em andamento (leia o resto da notícia, aqui).
Infelizmente, este problema de resistência de mosquitos a inseticidas é bem conhecido. Há vários anos tentou-se utilizar inseticidas como piretrinas para tentar eliminar o mosquito vetor da malária, Anopheles sp. O resultado foi que o mosquito adquiriu resistência às piretrinas. O DDT (dicloro-difenil-tricloroetano) também foi utilizado para se eliminar mosquitos Anopheles. O resultado foi melhor, mas o problema é que o DDT apresenta atividades cancerígena e teratogênica, acumulando-se também no ambiente. Logo, o uso de DDT parece não ser a melhor escolha.
Associado ao problema do desenvolvimento de resistência de mosquitos a inseticidas está o fato que encontrar um anti-viral eficaz contra o vírus da dengue também é complicado. Isso porque os vírus podem sofrer mutações, e também adquirir resistência a anti-virais.
Haja resistência.
Mas talvez a solução sejam velas de andiroba (Carapa guianensis). Recentemente o governo brasileiro doou 8.400 velas de andiroba ao governo boliviano para combater o mosquito da dengue. Duvida? Veja aqui. Só não entendi porque as velas de andiroba ainda não foram utilizadas para combater a dengue no Brasil.
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