Cientistas e mídia

Uma notícia do jornal O Estado de São Paulo on-line nesta semana que passou divulgou que, por conta do vazamento de óleo de poço aberto pela British Petroleum na costa dos EUA, cientistas estão se tornando celebridades naquele país. Isso porque muitos estão sendo convidados para conceder entrevistas na televisão para falar sobre o “acidente” do vazamento, que já é considerado o maior acidente ecológico da história dos EUA.

Segundo a reportagem, “O pesquisador da Universidade da Louisiana Edward Overton já publicou uma pesquisa com o título ‘Eficiência da Fitorremediação e da Biorremediação de n-Alcanos como Função do Comprimento da Cadeira de Carbono em Ambientes Banhados’. Ele também é detentor da patente de algo chamado cromatografia de microestrutura com coluna retangular. E, recentemente, o professor emérito apareceu num talk-show campeão de audiência para explicar o petróleo aos leigos. Overton é um de dezenas de cientistas que trabalharam por anos longe da atenção do grande público e que agora se veem nos holofotes da mídia, tentando explicar o vazamento de óleo no Golfo do México. ‘Geralmente passo meu tempo analisando amostras e olhando para gráficos, o que não é muito sexy’, disse Overton, rindo. ‘Quem teria pensado que (David) Letterman iria convidar a mim, um cientista, para seu programa?’ Overton crê que é chamado pela mídia porque põe a questão “em linguagem clara”. Durante sua participação no show de Letterman, levou uma garrafa de óleo recolhido do golfo. Mas a fama vem com um preço. Ele passou a receber telefonemas de um matemático amador que acredita ter a solução do vazamento, e que rastreou Overton depois de vê-lo na televisão.”

Reparem no texto do artigo d’O Estado. Que informação útil se agrega a este se divulgando o título (aparentemente muito complicado) de trabalho anterior realizado pelo cientista? E ainda, no tom irônico quando se diz que “o pesquisador é detentor da patente de algo chamado cromatografia de microestrutura com coluna retangular”.

[…]

Leia a versão completa deste texto no blog “Química Viva”.

Leitor: também não deixe de ler, sobre este mesmo assunto, artigo “A Arte do Desencontro” de Mariluce Moura, editora-chefe da revista Pesquisa FAPESP, publicado no último número (junho de 2010) desta revista.



Categorias:ciência, educação, informação

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2 respostas

  1. Ultimamente nem leio mais esses jornais imundos. Tenho minhas fontes de informação na internet, tv. Então nem penso, me irrita a hipocrisia, a manipulação, a falta de vergonha na cara, os cientistas e estudiosos são sempre ridicularizados por meros jornalistas que se acham donos da verdade.

    • Caro(a),

      Não ler jornais, não ver televisão, e apenas buscar na internet o que voce considera como sendo informação útil e fidedigna é um direito seu. Só que não resolve o problema para a grande maioria das pessoas, e o problema do direito à informação científica correta.

      O buraco é mais embaixo. É necessário que ocorra um trabalho conjunto entre a mídia e os cientistas, para que seja possível que a informação e a educação científicas sejam transmididas da melhor forma possível. De outra maneira, não chegaremos a lugar algum.

      cordialmente,
      Roberto

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