Mosquito da dengue na Europa

Nosso incômodo companheiro Aedes aegypti, conhecido como o mosquito da dengue, foi encontrado na Holanda, por membros do Centro do Governo Holandês para o Monitoramento de Vetores. Os fiscais encontraram uma pequena colônia dos mosquitos em local próximo a um depósito de pneus usados, importados dos EUA.

Esta situação lembra alguma coisa para nós? Mosquitos da dengue são como corredores de fórmula 1 – adoram pneus. Ficam ali, depositam seus ovos em resíduos de água, um lugarzinho protegido… bom para “formar família”.

Os fiscais holandeses tiveram uma grande surpresa, porque estes mosquitos não eram encontrados na Holanda há 50 anos. O Aedes aegypti sumiu da Europa depois da segunda guerra mundial, muito provavelmente depois da utilização de DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano) para eliminar mosquitos. Hoje este inseticida é proibido por causa de seus efeitos nocivos à saúde dos animais em geral, e por seu efeito cancerígeno. Os mesmos mosquitos foram há pouco tempo também encontrados em estufas nas quais são mantidas espécies de bambu importadas de países asiáticos.

Outra espécie de mosquito, Aedes atropalpus, também foi encontrada próxima ao mesmo depósito de pneus. Esta espécie é comum no norte dos EUA e sul do Canadá, mas não se conhece qualquer tipo de vírus – como o da dengue – que seja transmitido por A. atropalpus. O governo holandês decidiu iniciar uma campanha para erradicar estes mosquitos o mais rapidamente possível, utilizando controle biológico para eliminar as colônias e deltametrina como repelente.

Tomara que os holandeses consigam eliminar o mosquito da dengue, porque aqui no Brasil a proliferação do Aedes aegypti já fugiu totalmente de controle. Basta dizer que neste ano o número de casos registrados já é 100% maior do que no mesmo período do ano passado (veja  aqui e aqui). Em ano de eleição, os problemas do país são simplesmente jogados para debaixo do tapete. E nós, infelizmente, esquecemos rapidamente que estes problemas existem.

fonte da notícia: revista Science.



Categorias:informação, química

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2 respostas

  1. Caro Roberto

    Mais uma vêz me vem uma dúvida que por absoluta falta de conhecimentos não tenho como dissipar. A interdição internacional do DDT não está levando mais mortes do que a sua utilização de forma controlada?

    Lembro-me na minha infância que quando íamos até o campo a noite minha avó borrifava sobre todos que estavam deitados nas camas litros de DDT para matar os mosquitos, era barato e eficiente, e pelo que eu saiba nem eu nem meus irmãos sofremos com este produto.

    Até que ponto, a malária, a mosca tsé-tsé e outros vetores que são a baixo custo eliminados por este produto não provocam muito mais estrago do que o próprio?

    Talvez seja uma GRANDE IGNORÂNCIA de minha parte, por isto estou escrevendo a quem entende!

    • Caro Rogério,
      Obrigado pelo comentário. Apesar de eu não conhecer as estatísticas a este respeito, seria, no meu ver, bastante questionável utilizar DDT para matar o mosquito e causando vários “problemas paralelos” em vez de se investir em políticas sanitárias realmente eficazes. O uso de DDT é um paliativo, certo? Além disso, com sua alta taxa de reprodução, os mosquitos rapidamente se tornam resistentes aos inseticidas. Ou seja, em pouco tempo o DDT deixaria de ser eficaz. No meu ponto de vista, uma política sanitária eficaz aliada a um massivo programa de educação podem, efetivamente, resultar em redução extremamente significativa da proliferação do mosquito e erradicar a propagação da dengue, febre amarela e outras doenças transmitidas por mosquitos. Penso que somente desta forma este problema poderia ser resolvido de forma definitiva.

      Veja esta outra postagem aqui neste blog, sobre assunto relacionado: http://quiprona.wordpress.com/2010/05/04/resistencias/

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