Educação para a morte

Pessoas que tenham cursado nível superior encaram a morte com menos medo do que pessoas com menor nível de educação. Além disso, mulheres tendem a ter mais medo da morte do que homens, e este medo das mulheres influencia fortemente a educação das crianças. É o que revela estudo realizado pela Universidade de Granada, na Espanha. Os dados também mostram que 76% das crianças atribuem seu medo à morte devido à influência de suas mães.

O estudo intitulado “Educación para la muerte: Estudio sobre la construcción del concepto de muerte en niños de entre 8 y 12 años de edad en el ámbito escolar” foi conduzido por  Claudia Fabiana Siracusa Francisco Cruz Quintana e Maria Nieves Pérez Marfil. O estudo demonstrou como o entendimento de adultos sobre a morte afeta as atitudes, medos e crenças de crianças sobre o mesmo tema. E mostra que existe uma necessidade em se modificar a mentalidade dos pais e dos professores nas escolas infantis no que se refere à morte, pois tudo indica que uma abordagem adequada com relação à morte influencia diretamente a saúde e a personalidade das crianças. Outras conclusões indicam que todas as crianças já tiveram alguma experiência relacionada à morte, que quase todas crêem em vida após a morte, e que são preocupadas com isso. Tais conceitos são mais fortes entre meninas do que entre meninos.

O estudo demonstrou que, em 80% dos casos, professores disseram que o tema “morte” não fazia parte do currículo escolar. Cerca de 60% disseram que haviam ocasionalmente abordado o assunto em sala de aula, na maioria das vezes quando havia ocorrido a morte de parente de algum dos estudantes.

Segundo os pesquisadores que conduziram o estudo, os resultados indicam ser necessário incluir uma abordagem adequada para se discutir o tema “morte” em sala de aula, de maneira a se valorizar a vida e também para se modificar a visão que a mídia em geral fornece sobre o mesmo assunto. Desta forma será possível fornecer elementos às crianças para que elas consigam enfrentar o conceito “morte” durante suas vidas, de maneira a se evitar um impacto negativo, mesmo que ameno, em sua saúde física e/ou psicológica.

O mesmo estudo mostrou que, quanto melhor o nível de educação das pessoas, menos atitudes negativas estas demonstram quando confrontadas com o tema “morte”. Em geral estas pessoas apresentam menos medo e se dispõem a discutir o assunto de maneira mais natural. Os pesquisadores mostram que atualmente não existe, no sistema educacional, qualquer método formal ou sistemático para se lidar com o conceito “morte” em sala de aula. Os professores também acreditam que, se este assunto for trazido à sala de aula, as crianças passarão a ter um interesse mais real e mais intenso pela vida, e muitos problemas de personalidade que se manifestam na fase adulta poderão ser prevenidos.

Fonte da notícia, aqui.



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15 respostas

  1. Mas que excelente material, Roberto. Boas Festas, Venturoso Ano Novo.

  2. Roberto,

    Uma das frases mais gastas é a que diz que ‘se podemos ter certeza de alguma coisa, é a de que um dia todos nós vamos morrer’, ou a sua variante ‘da morte ninguém escapa’. Apesar disso, a morte continua sendo um tabu. O fato de o medo da morte por 76% das crianças ser influencia das suas mães, não é nenhuma novidade. A influência delas sobre as crenças religiosas e o comportamento dos seus filhos, é comum. Por que com relação à morte seria diferente?

    Não tenho qualquer dúvida de que esta seja uma das funções da religião, a de propagar a ideia que existe uma vida após a morte.

    A questão, então, é: que tipo de ‘abordagem adequada’ dever ser feita com as crianças para que se encare a morte com uma coisa natural? Ou vamos pisar na mesma tecla da religião, ou tentar eliminar esse medo simplesmente dizendo que a vida é uma só, que não há nada depois da morte, que a morte é o fim. Na Lógica da Vida, François Jacob escreveu ‘o objetivo da vida é a reprodução’. Quem sabe essa não é uma ‘abordagem adequada’? Sou ateu há décadas (não acredito em céu, inferno, promessa e, é claro vida após a morte). Ilusão ou não, isso na elimina o consolo que esse tipo de crença proporciona a milhões de pessoas. Duvido que essa proposta leve a algum lugar.
    Só por curiosidade: Em 1965, Mao Tse-tung disse a Edgard Snow (um jornalista americano que o acompanhou durante A Longa Marcha) que ele ‘iria logo ver Deus’. Ele repetiu a mesma coisa em 1966 e 1959, quando, com um certo humor, ele mencionou o seu futuro encontro com Marx. (Leszek Kolakowski, Main Current in Marxism, volume 3, página 522). Ele só não disse se encontro com Marx seria no céu ou no inferno. Talvez no céu, já que ele iria ver deus.

    Um abraço

    • Caro Lucio,

      Certamente o grande timoneiro sabia por onde estava navegando… Ideologias à parte, a ideia e o enfrentamento da morte é certamente um dos grandes dilemas da humanidade. Will Eisner, criador do “The Spirit”, repetia frequentemente nas histórias deste personagem que só existem duas coisas certas na vida: os impostos e a morte.

      abraço,
      Roberto

  3. Roberto,

    Gostaria de repetir a minha pergunta: que tipo de abordagem adequada pode ser usada para explicar o significado da morte a crianças de 8-12 anos?

    Um abraço,

    Lucio

    • Caro Lucio,

      Rapaz, agora você me colocou em uma enrascada. Afinal, um professor de química como eu… Como vou saber? Certamente esta pergunta não tem uma resposta simples, ou única. Mas achei interessante o assunto, justamente para estimular esta discussão. Educadores, psicólogos, os pais, todos têm seu papel importante para enfrentar este problema de se conhecer a morte.

      abraço,
      Roberto

  4. Roberto,

    Eu esperava que você não soubesse a resposta, e duvido que alguém saiba. Isso é o tipo de pesquisa que causa um certo rebuliço, mas que não tem qualquer novidade. Todos nós estamos cientes do problema de lidar com a morte e como explicá-la às crianças. Mas e daí? O que os autores propõem? Nada, pois ‘uma abordagem adequada’ é uma frase vazia. Que explicar a morte é problema de pais, educadores, psicólogos, etc. também não diz grande coisa. Vamos supor que em uma família de ateus, os pais expliquem que depois da vida não há nada; enquanto a escola ensine a versão religiosa. Eu vejo isso como desperdício do dinheiro público, com uma pseudo pesquisa bombástica sem qualquer resultado.

    Uma ‘abordagem mais adequada’, usando um tema diferente, seria mostrar às crianças e adolescentes os males das comidas saturadas de frituras, gorduras e refrigerantes oferecidas por lanchonetes (embora eles se auto-dominem ‘restaurantes’) do tipo MacDonald, Big Burger, etc. Aliás, uma pesquisa recente, revelou que em 2022 os brasileiros serão tão obesos quando os norte-americanos. Pelo menos nesse campo estaremos emparelhados com eles.

    Um abraço

    Lucio

    • Lucio,

      “Todos nós estamos cientes do problema de lidar com a morte e como explicá-la às crianças.” Acho que a relevância do estudo não está em apresentar uma solução à questão em si, e sim trazer o assunto à discussão. Tenho sérias dúvidas que este assunto faça parte do currículo escolar de uma minoria de escolas, quanto mais da maioria. O mesmo vale para a orientação familiar. Acho que o assunto raramente é discutido, até que um parente ou um animal de estimação venha a falecer.

      Roberto

  5. Roberto,

    Você diz: ‘Tenho sérias dúvidas que este assunto faça parte do currículo escolar de uma minoria de escolas, quanto mais da maioria’. En não tenho qualquer duvida, e não apenas sérias, de esse assunto não faz parte do currículo escolar que qualquer grau, de qualquer escola. Quando você argumenta que o objetivo do estudo não está em apresentar uma solução para o problema, isto fica claro quando eles falam em ‘abordagem adequada’. O problema é que eles não dizem qual é essa abordagem.

    Um abraço

  6. Onde se lê ‘En não’ tenho, leia ‘Eu noa tenho’ e ‘de esse assunto não faz parte do currículo escolar que qualquer grau’, leia ‘de esse assunto não fazer parte do currículo escolar de qualquer grau’

    Obrigado

    Lucio

  7. Eu tenho uma explicação para a morte, calcada na ciência, inovadora. Prometo descrevê-la num mero artigo, passadas as festas, isto é, se eu ainda estiver vivo. Senão, em meu site tenho algumas abordagens. Venturoso Ano Novo ao caríssimo Roberto, e de resto a todos que por aqui se congregam.

    • Caro Cesar,

      Gostaria que me indicasse os textos sobre este assunto em seu blog “Conexões Epistemológicas”, muito interessante. Gostei muito do texto sobre o Euro que você lá postou. Estava na Bélgica entre 1988 e 1992, quando as discussões sobre a Comunidade Européia e o Euro se tornavam mais frequentes, e todos tinham muitas dúvidas.

      Também não esqueça de avisar quando postar seu novo texto sobre a morte.

      abraço,
      Roberto

  8. Caro Roberto,
    Honrado pelo interesse, agradecido pelo registro sobre o Euro. Sobre a morte escolhi estes dois complementares, para atender seu pedido em troca de seu abalizado comentario. Espero que seja do agrado. Se impertinente, nao se constranja.

    http://allmirante.blogspot.com/2009/11/impossibilidade-da-morte.html

    http://allmirante.blogspot.com/2009/11/impossibilidade-da-morte-ii.html

    Renovo os votos de ventura a 2011.
    Aquele abraco.

  9. Ops, esqueci destes
    http://allmirante.blogspot.com/2009/08/arranjada-complexidade-cientifica.html
    http://allmirante.blogspot.com/2009/10/estoria-da-morte.html

    Todos sao complementares. No primeiro, substituo a famosa equacao de Einstein coilocando A de alma, no lugar de E de energia.
    Abraco

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