O ensino da Teoria da Evolução e a ficha que ainda não caiu

Em 2008 o jornalista do jornal Folha de S. Paulo Marcelo Leite levantou a discussão sobre o ensino de criacionismo em sala de aula de ciências, depois que foram encontradas evidências que o Colégio Mackenzie ensinava o criacionismo para explicar a diversidade do mundo vivo para seus alunos (veja aqui). Este assunto foi também anteriormente muito debatido quando a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, tentou introduzir o ensino de criacionismo em sala de aula nas escolas públicas do estado fluminense em 2004. Questionado em 2008, o Ministério da Educação manifestou-se dizendo não poder interferir no conteúdo programático oferecido pelas escolas, apenas recomendando que o criacionismo não deveria ser ensinado em aulas de ciências (veja aqui). O próprio ministro Fernando Haddad demonstrou descontentamento ao descobrir que a filha, então estudante do Colégio Mackenzie em Brasília, usava material didático com conteúdo criacionista (veja aqui).

O assunto gerou uma enorme discussão, tendo sido debatido quase que exclusivamente na imprensa escrita e digital. Uma série de textos abordaram este assunto no Observatório da Imprensa (veja aqui, aqui, aqui e aqui) e também na revista ComCiência, editada pelo Laboratório de Jornalismo da UNICAMP (veja aqui), mostrando o verdadeiro despropósito que é misturar ciência e religião para se explicar como se estabeleceu a diversidade biológica da Terra, e a intromissão de ensino religioso na educação científica, com consequências sociais nefastas.

Os mesmos problemas ocorreram de maneira muito mais intensa nos EUA, onde várias intervenções da justiça norte-americana foram necessárias para se “pôr ordem na casa”: todas as vezes em que houve querelas judiciais envolvendo defensores do criacionismo de um lado e educadores e cientistas sérios do outro lado, os julgamentos foram ganhos por estes últimos, com uma única exceção (há quase 100 anos atrás). Apesar disso, até hoje a maioria dos professores de biologia do ensino médio dos EUA não conseguem apresentar a Teoria da Evolução de maneira consistente para seus alunos. Isso apesar do último caso judicial envolvendo criacionistas X educadores e cientistas ter ocorrido há quase 6 anos. Segundo pesquisadores da Pennsylvania State University, a única maneira de se resolver este problema seria o oferecimento contínuo de cursos de formação sobre Teoria da Evolução para os professores de biologia do ensino médio.

Em artigo publicado no ultimo número da revista Science, Michael Berkman e Eric Plutzer analisaram dados coligidos pelo National Survey of High School Biology Teachers, de uma amostragem de 926 professores de biologia de escolas públicas dos EUA. Os resultados mostram que apenas 28% destes professores aplicam as recomendações do Conselho Nacional de Pesquisa (National Research Council) dos EUA, mostrando as evidências da evolução e utilizando a Teoria da Evolução como tema central para explicar os diferentes tópicos da biologia (sistemática, genética, anatomia, fisiologia e ecologia, dentre outros). Os autores do artigo da Science verificaram que 13% dos professores de biologia apresentam o criacionismo ou o design inteligente para explicar a vida. Destes últimos professores, muitos rejeitam as explicações do método científico sobre a origem das espécies, dizendo que tanto a Teoria da Evolução como o criacionismo ou o design inteligente não podem ser completamente provados ou desacreditados. Outros 60% dos professores de biologia do nível médio de escolas públicas não apresentam argumentos decisivos para explicar a Teoria da Evolução, de maneira a evitar controvérsias. Para isso, explicam a Teoria da Evolução somente no contexto da biologia molecular, e evitam relacionar a evolução à diversidade das espécies e às evidências científicas que a demonstram.

Uma outra estratégia utilizada pelos professores é alertar os alunos que eles devem saber sobre a Teoria da Evolução para passar nos exames, não sendo importante se os estudantes acreditarem ou não na evolução. Por fim, outros professores apresentam todos os possíveis pontos de vista, científicos ou não, deixando aos alunos a decisão final daquela que mais os agrada. O problema é, justamente, se misturar valores pessoais com fatos científicos comprovados. São dois aspectos distintos, que não podem ser igualmente considerados para se explicar fatos observados. Os autores demonstram que cerca de 60% dos professores de biologia de escolas públicas norte-americanas simplesmente falham ao não conseguir mostrar a importância da investigação científica aliada ao método científico, por minimizar a relevância das descobertas científicas feitas desde Aristóteles para se explicar a diversidade dos seres vivos, e também por dar legitimidade aos argumentos criacionistas.

O resultado é o mais problemático que poderia se esperar: tais professores contribuem de maneira mais significativa para dar valor ao criacionismo (em suas diferentes vertentes, dentre as quais se inclui o design inteligente) do que os próprios criacionistas. E esta influência se torna ainda mais marcada pelo fato que a biologia é uma das ciências mais ensinadas nas escolas norte-americanas, senão a única, para muitos estudantes.

Os autores enfatizam a necessidade do ensino de ciências de qualidade no ensino médio e também a importância de uma boa formação para os professores de biologia, de maneira a que estes possam aprender e compreender os conceitos, o valor e as profundas implicações da Teoria da Evolução para a sociedade. Para isso, recomendam que universidades e faculdades devem oferecer cursos de formação específicos para professores de biologia a respeito da Teoria da Evolução.

Afinal de contas, como é possível se explicar de outra maneira aos estudantes de medicina que a utilização correta de antibióticos para se tratar infecções as mais diversas, inclusive a tuberculose, está diretamente relacionada à seleção natural? Como explicar de outra forma os órgãos vestigiais? Como é possível, de outra maneira, explicar a ocorrência de fósseis em diferentes estratos geológicos, que correspondem a terrenos cada vez mais antigos quanto mais profundos, fato demonstrado por medidas de datação isotópica? E muitos outros aspectos dos seres vivos que não podem ser explicados a não ser pela Teoria da Evolução?

Como criacionismo não é ciência ou científico, não pode ser ensinado em aulas de ciências, como as de biologia. E sim em aulas de religião, cultura e história, por exemplo. Isso deve ser obrigatoriamente válido tanto para o criacionismo bíblico como para o design inteligente.

Embora seus proponentes insistentemente afirmem e proclamem o contrário, a ideologia e a “teoria” do design inteligente são puro criacionismo. Na sua essência, o design inteligente (DI) é uma crença religiosa. O DI é caracterizado como “criacionismo progressista”, uma forma do criacionismo da Terra-antiga na qual Deus intervém periodicamente nos processos naturais de maneira a “produzir” sistemas vivos cada vez mais complexos. Isso porque os proponentes do DI argumentam que os processos naturais não podem originar sistemas complexos. Tais características tornam o DI a mais recente forma de criacionismo, sendo descendente direto da “ciência da criação”, um criacionismo bíblico literal.

O projeto do DI se iniciou com a publicação do livro The Mystery of Life’s Origin: Reassessing Current Theories, de Charles B. Thaxton, Walter L. Bradley e Roger L. Olsen. De acordo com William Dembski (membro sênior do CSC, Center for Science and Culture, a sede do DI), o livro de Thaxton, Bradley e Olsen é um dos dois livros mais importantes do movimento do DI. Em virtude do movimento criacionista dos EUA ter sofrido uma fragorosa derrota no processo Edwards x Aguillard de 1987, quando a suprema corte norte-americana deu ganho de causa contra a legislação de Louisiana que tentou limitar o ensino da teoria da evolução nas escolas estaduais, Thaxton decidiu, em 1988, que um novo movimento criacionista deveria ser denominado de “design inteligente”. Tal denominação foi claramente motivada pela derrota do julgamento Edwards x Aguillard, para que os criacionistas passassem despercebidos, e legalmente intocáveis, por juízes federais.

No entanto, os próprios proponentes do DI têm continuamente identificado seu movimento como sendo criacionista, e se referindo a si próprios como tal. Por exemplo, no documento-base do MDI, o documento “The Wedge” (A Cunha) é dito que

“The proposition that human beings are created in the image of God is one of the bedrock principles on which Western civilization was built” [“A proposta que seres humanos são criados à imagem de Deus é um dos princípios fundamentais sobre os quais a civilização Ocidental foi estabelecida”].

O CSC alinha-se especificamente ao movimento cristão, quando manifesta em seus ditames que “Design theory promises to reverse the stifling dominance of the materialist overview, and to replace it with a science consonant with theistic convictions” (A teoria do Design promete reverter a dominação sufocante da visão de mundo materialista, e substituí-la com uma ciência consoante com convicções teístas).

A apresentação de palestras é a principal forma do modus operandi do movimento do DI, de maneira a tornar as propostas de cientistas e intelectuais do MDI legítimas  e públicas, permitindo ao CSC construir uma fachada de legitimidade acadêmica para o propósito de estabelecer relações com o público em geral. Dembski e seus colegas do DI são considerados como intelectuais puramente religiosos.

O biólogo Dean H. Kenyon trabalhou duro para transformar criacionismo em DI. Tendo promovido muita agitação ao ensinar criacionismo em suas aulas de biologia, Kenyon trabalhou como co-autor do livro “Of Pandas and People”. Este livro serviu de base didática para os proponentes do DI tentar introduzir o ensino de criacionismo em salas de aula, sem sucesso. Em 2000 Kenyon assumiu que “o criacionismo científico, o qual na sua fase mais moderna surgiu nos anos 1960, é atualmente um dos antecedentes intelectuais do movimento do Design Inteligente”. Kenyon é assumidamente criacionista terra-jovem (que preconizam que a idade da Terra é de cerca de 6.000 anos, de acordo com o registro bíblico), tal como Paul Nelson, um dos importantes membros do MDI.

O livro “Of Pandas and People” forneceu provas contundentes que o DI é entendido por seus proponentes como criacionismo. Documentos obtidos por advogados que defenderam opositores ao MDI em diferentes processos mostram que o livro “Of Pandas and People” teve 5 versões diferentes redigidas entre 1983 e 1987, todas de co-autoria de Kenyon. Exceção feita à 5ª versão, todas as outras incluem os termos “criacionista” e “biologia da criação”.

Mesmo assim, os proponentes do DI vinculados ao Discovery Institute (outra “casa” do MDI) negam à mídia e às grandes audiências que eles consideram o designer inteligente como um ser sobrenatural. Afirmam que o DI não pode nem necessita determinar a identidade do designer inteligente. No entanto, os próprios proponentes do DI tropeçam ao afirmar e reafirmar a natureza sobrenatural e teísta da essência do design inteligente. Em sua conferência “The Incompleteness of Scientific Naturalism” (A Incompletude do naturalismo Científico) de 1992, Dembski afirmou que a natureza sobrenatural do designer é essencial:

“I want here to examine scientific naturalism. I am going to argue that this view has a serious defect—it is incomplete. As a consequence of this defect I shall argue that it is legitimate within scientific discourse to entertain questions about supernatural design. . . .

We are asking a transcendental question in the Kantian sense: What are the conditions for the possibility of discovering design (i.e., supernatural intervention, nonmaterial interference, divine meddling, call it what you will) in the actual world? This question must be answered at the outset. . . .

. . . By a super-intelligence I mean a supernatural intelligence, i.e., an intelligence surpassing anything that physical processes are capable of offering. This intelligence exceeds anything that humans or finite rational agents in the universe are capable of even in principle. (Dembski 1994; http://www.leaderu.com/orgs/fte/darwinism/chapter7.html)”

[Quero aqui examinar o naturalismo científico. Irei argumentar que esta visão tem um sério defeito – é incompleta. Como conseqüência deste defeito argumentarei que é legítima, no âmbito do discurso científico, a inclusão de questões sobre o design sobrenatural…

Estamos abordando uma questão transcedental no sentido de Kant: Quais são as condições para a possibilidade de se descobrir o design (i.e., a intervenção sobrenatural, interferência não-material, intromissão divina, chamem como quiserem) no mundo real? Esta questão deve ser respondida de início…

… Por uma super-inteligência que eu esclareço como uma inteligência sobrenatural, i.e., uma inteligência que ultrapassa qualquer coisa que os processos físicos são capazes de oferecer. Esta inteligência excede qualquer coisa que humanos ou agentes racionais finitos no universo são capazes de ser em princípio.]

O conceito de “mera criação” é tão importante para o movimento do DI que um dos encontros deste movimento foi dedicado a este tema. Intitulado “Mera Criação: Reivindicando o Livro da Natureza” (Mere Creation: Reclaiming the Book of Nature), foi realizado em 1996 na Biola University, anteriormente o “Instituto Bíblico de Los Angeles” (Bible Institute of Los Angeles). A Biola University emprega vários membros do CSC, que promovem eventos pró-DI, e oferece o curso “Master of Arts in Science and Religion” que inclui a ideologia do DI.

Juntamente com William Dembski, Philip Johnson defende os princípios sobrenaturais do DI e rejeita peremptoriamente a metodologia naturalista da ciência moderna. O ataque contínuo de Johnson ao naturalismo, em consonância à estratégia do documento The Wedge, é a sua principal contribuição para o MDI. Os proponentes do DI consistentemente – e portanto deliberadamente – confundem a metodologia da ciência com um compromisso metafísico com o naturalismo (e, supostamente, com o ateísmo) que leva para além da metodologia. Além de igualmente confundir naturalismo com materialismo.

No entanto, não se perdem nos próprios argumentos que deixam muito claro a essência religiosa da ideologia e do método do DI. Dembski afirma, textualmente que “without miracles, ID is incoherent” (sem milagres o Design Inteligente é incoerente). A mensagem de Dembski é clara: o Design Inteligente não pode ser bem compreendido sem que se invoque milagres, e a ciência não pode ser bem conduzida sem que se invoque o Design Inteligente (Dembksi WA. 1999. Intelligent design: The bridge between science and theology. InterVarsity Press, Downers Grove, IL).

Rejeitando a modernidade, “com seu compromisso com a racionalidade e a ciência”, e a pós-modernidade, a qual “oferece uma pluralidade de discursos distintos dos quais nenhum é melhor do que outro”, Dembski prefere o mundo pré-moderno, o qual é “rico o suficiente para acomodar um agente divino”. Seu objetivo é restituir tanto à ciência como ao DI fundamentos da lógica pré-moderna de sinais [divinos]:

“My aim in this book then is to take this premodern logic of signs and make it rigorous. In doing so, I intend to preserve the valid insights of modern science as well as the core commitments of the Christian faith.

The rigorous reformulation of the premodern logic of signs is precisely what intelligent design is all about. The premodern logic of signs used signs to identify intelligent causes. Intelligent design is the systematic study of intelligent causes and specifically of the effects they leave behind. . . “

[Meu objetivo neste livro é tomar esta lógica pré-moderna de sinais e torná-la rigorosa. Desta forma, minha intenção é preservar os “insights” válidos da ciência moderna bem como os compromissos essenciais da fé Cristã.

A reformulação rigorosa da lógica pré-moderna dos sinais é precisamente o que é o design inteligente. A lógica pré-moderna dos sinais faz uso de sinais para identificar causas inteligentes. O design inteligente é o estudo sistemático das causas inteligentes e da especificidade dos efeitos que as causas inteligentes deixam registradas…]

Em entrevista de 2007 concedida à organização Cristã “Focus on the Family” (Foco na Família), Dembski afirmou textualmente que “o Designer do design inteligente é, na verdade, o Deus Cristão”.

Em 2004, Paul Nelson concedeu entrevista ao periódico Touchstone. Foi argüido com a seguinte questão: “Para onde irá o MDI nos próximos 10 anos?” “Quais novos problemas o MDI tentará explorar, e quais novos desafios oferecerá ao Darwinismo?” às quais Nelson respondeu:

“Easily the biggest challenge facing the ID community is to develop a full-fledged theory of biological design. We don’t have such a theory right now, and that’s a real problem. Without a theory, it’s very hard to know where to direct your research focus. Right now, we’ve got a bag of powerful intuitions, and a handful of notions such as “irreducible complexity” and “specified complexity”— but, as yet, no general theory of biological design.”

[Facilmente o maior desafio da comunidade do DI é desenvolver uma teoria consistente do design biológico. Não temos uma tal teoria agora, e este é um problema real. Sem uma teoria, é muito difícil saber como dirigir o foco de sua pesquisa. Neste momento, conseguimos um saco de intuições poderosas, e um punhado de noções como a “complexidade irredutível” e a “complexidade especificada” – mas ainda não uma teoria do design biológico.]

Paul Nelson é bastante sincero em suas convicções. Anteriormente, manifestou-se contra o ensino do DI nas escolas, e afirmou: “Não é uma teoria consistente – não existe ainda o suficiente para ser ensinado” .

Philip Johnson é igualmente sincero em suas palavras, tendo admitido em 2006 que o julgamento Kitzmiller x Dover estava perdido desde o início (neste julgamento os defensores do DI foram literalmente aniquilados pelo juiz que promulgou a sentença – o texto integral da sentença pode ser encontrado em português, no livro “A Goleada de Darwin”, de Sandro de Souza, editora Record, 2009). Johnson afirmou:

“I also don’t think that there is really a theory of intelligent design at the present time to propose as a comparable alternative to the Darwinian theory, which is, whatever errors it might contain, a fully worked out scheme. There is no intelligent design theory that’s comparable. Working out a positive theory is the job of the scientific people that we have affiliated with the movement. Some of them are quite convinced that it’s doable, but that’s for them to prove. . . . No product is ready for competition in the educational world.”

[Eu também não penso que exista realmente uma teoria do design inteligente no momento presente para propor como sendo uma alternativa comparável à teoria Darwiniana, a qual é, apesar de erros que possa conter, um esquema totalmente elaborado. Não existe uma teoria do design inteligente que seja comparável. Elaborar uma teoria positiva é o trabalho dos cientistas que se juntaram ao nosso movimento. Alguns deles estão plenamente convencidos que isso é possível, mas é tarefa deles provar isso… Não há produto disponível para competir [com a teoria da evolução] no mundo educacional.]

Da mesma forma como os proponentes do DI confirmaram a essência religiosa do Design Inteligente, confirmaram sua deficiência científica.

O Design Inteligente e seus conceitos de “complexidade irredutível” e “informação complexa especificada” são meras quimeras, que absolutamente nada têm de científico.

Qual o peso e a influência do ensino do criacionismo em aulas de biologia no ensino médio no Brasil? Seria realmente imprescindível que tal pergunta fosse objeto de pesquisa por parte das secretarias de educação e do Ministério da Educação. O desconhecimento destas implicações pode ter consequências muito piores do que se imagina.

Referências

Forrest, B. (2009) “The Religious Essence of Intelligent Design”, Cold Spring Harbor Symposia on Quantitative Biology, Volume LXXIV, “Evolution – The Molecular Landscape”, 2009, Cold Spring Harbor Laboratory Press, ISBN 978-087969870-6.

ResearchBlogging.orgBerkman, M., & Plutzer, E. (2011). Defeating Creationism in the Courtroom, But Not in the Classroom Science, 331 (6016), 404-405 DOI: 10.1126/science.1198902



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16 respostas

  1. Ambas hipóteses já foram por demais falseadas, para permanecermos nesta disputa. É como discutirmos o que é melhor – o nazismo ou o comunismo. A rigor essas quatro concepções – as tres tomasas científicas, e aquela religiosa, são frutos da esperteza de Platão. Todas são materialístas, e dialéticas, segmentárias, razão pela qual o darwinismo pela ótica molecular tem que sofrer várias adaptações. A rigor é impossível darwinismo molecular, exceto como estratégia de combate à doenças. Minhas pesquisas conjugadas com algumas projeções indicam que se o Universo evolui por ondas, especialmente as gravitacionais-helicoidais, desenho que coincide com o formato ondulatório e helicoidal do DNA, isso comprova que para melhor compreendê-lo podemos utilizar a até agora irrefutável Teoria das Cordas para todos os átomos vivos ou mortos deste esplendor, inclusive os supostamente racionais.
    ” O universo é constituído de uma multiplicidade de sistemas ‘abertos’, todos em incessante interação com seu ambiente”. BEN-DOV: 149

    ” O ser humano é parte do todo, chamado Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele experimenta seus pensamentos e sentimentos como algo separado do restante – numa espécie de ilusão ótica de sua consciência. Essa ilusão é uma espécie de prisão para nós, e nos restringe às nossas decisões pessoais e aos afetos por algumas pessoas mais próximas de nós.” EINSTEIN, A., cit. LASZLO, E., A Ciência e o Campo Akáshico: 56

    http://allmirante.blogspot.com/2010/04/redencao-pelas-supercordas.html

  2. Roberto, esta semana vi no Youtube a entrevista do Fernando Reinach ao Roda Viva, e ele disse algo que eu concordo e que tem a ver com o tópico, ainda que desvie um pouco do assunto. O Reinach argumenta que não há muita diferença na maneira que ciência que é ensinada na escola (na minha opinião muitas vezes também no ensino superior) e do processo de aceitação de outros conteúdos/crenças não-científicas. Ele cita a própria teoria da evolução. A forma que o conteúdo é “empurrado” pros alunos tem claramente um status dogmático. Digo, o professor geralmente vai lá e simplesmente faz a “constatação de um fato” que, mesmo sendo estabelecido cientificamente, carece de evidência no contexto do ensino. Muito, mas muito raramente o conteúdo é discutido mais profundamente: como o problema surgiu, qual foi a metodologia pra resolver o problema e de que maneira chegaram à tal conclusão. Parece bobagem, mas pra mim ensino científico é basicamente isso: descrever e discutir a metodologia (se possível, reproduzi-la), discutir como tais conclusões foram obtidas. Simplesmente apresentar “verdades”, mesmo que sejam científicas, pelo menos pra mim não é ensino científico. É ensino dogmático. E 99% do conteúdo escolar é expresso assim, inclusive o que há as mais fortes evidências científicas.

    Não me surpreende que a aceitação do público para a o evolucionismo seja pequena. Acredito que crença por crença, simplesmente vomitando a teoria da evolução como verdade, a gente tem que admitir que de diversos pontos de vista, o criacionismo é bem mais palpável.

    O Fernando diz sucintamente: o sujeito deve ser convencido. Lembro de poucas vezes que me senti convencido com o conteúdo escolar, me parecia que muita coisa era de um chute sem tamanho. Acredito que em muitos aspectos não mudou muito no ensino superior que agora estou vivenciando.
    Na parte oposta, lembro perfeitamente de uma aula no ensino médio que no final tive a verdadeira sensação de aprendizado (e também lembrei pelo resto da minha vida). A aula foi super simples, era basicamente a descrição do experimento de Urey-Miller, mas eu tive ali uma vivência de que de alguma maneira aquilo havia sido pensado, elaborado e testado, e uma conclusão foi feita. Nada mais científico.

    Os vídeos da entrevista que isto é comentado:

    http://www.youtube.com/watch?v=KMiTf1O-Oz0&feature=related (mais pela metade)

    A revista Advances in Physiology Education tem um seção que considero brilhante, que são aulas baseadas em papers clássicos. Podem ser tanto da exposição do próprio paper, discutindo tabelas e figuras, até a replicação do experimento. Não vejo maneira melhor e mais simples de ensinar, e me parece que ainda é muito distante da realidade do ensino brasileiro.

    • Érico,

      Como você bem mostra, o problema não é o conteúdo e sim como este é ensinado. Este é o principal problema do ensino e da educação formal (não familiar) no Brasil. A forma como se ensina. Engana-se quem pensa que tais problemas só acontecem nas escolas públicas. Anos atrás um amigo meu me contou que o filho dele estava lendo “Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcellos. Ora eu li este livro na minha infância. Será que de lá para cá a literatura contemporânea brasileira não mudou (na época em que eu li o autor foi citado como um autor contemporâneo)?

      O criacionismo é “mais palpável”, como você diz, porque não há o que pensar, não há o que ser questionado. Você aceita e pronto. Fica tudo fácil. Mas é vomitado da mesma forma (ou alguém explica alguma coisa do criacionismo? Ou seja, como foram criados os animais, as plantas, etc.) que a Teoria da Evolução. Um ou outro, obviamente é o segundo que deve ser ensinado, não o primeiro. Mesmo porque o criacionismo não é ciência, é crença. Logo, não pode ser ensinado em aulas de ciência. De novo: o problema não é o conteúdo, e sim a forma como este é ensinado.

      “Convencer” é a pior forma de ensino, efetivamente. Mas a grande maioria dos professores não está preparada para o debate das hipóteses, das dos métodos, das evidências obtidas e das conclusões. Foi interessante: no semestre passado fazendo em sala de aula um exercício, chegamos a um resultado errado, a classe e eu. E eu disse: se a proposta de interpretação dos dados não está de acordo com os dados experimentais, a proposta de interpretação deve ser revista. Sendo assim, um dos alunos disse que deveríamos rever nossa proposta. Eu disse que é isso o que se espera. Refizemos a análise e chegamos à resposta correta.

      Se tiver oportunidade de assistir à série Cosmos, de Carl Sagan, em um dos episódios ele mostra o experimento de Urey-Miller no laboratório. É bem legal.

      Obrigado por fornecer os links à entrevista de Fernando Reinach.

      Quanto à utilizar artigos para ensinar, isso é mais comum na pós-graduação do que na graduação. Eu utilizei artigos da revista Química Nova há alguns semestres atrás em uma disciplina de química orgânica para alunos de engenharia ambiental. Forneci 6 artigos a eles e discutimos todos em sala de aula. Foi a primeira vez que fiz isso na graduação. Foi muito interessante.

  3. Acho que a teoria da evolução está errada, porém defendo que seja ensinada nas escolas. Essa maluquice de criacionismo perturba o raciocínio científico que deve ser preservado nas mentes das crianças. Me incomoda essa associação do DI com religião que os darwinistas procuram fazer. O DI é uma teoria alternativa baseada na complexidade irredutível, que não foi refutada. O DI não propõe a existência de deuses, embora seja útil aos crentes. Melhor separar as coisas.

    A questão envolve probabilidades, que é algo muito complexo até para mentes já formadas, quanto mais para as em formação. Hoje em dia, metade dos cientistas acreditam que o primeiro DNA veio do espaço.

    Há um mistério que não foi desvendado. Uma esponja não deveria ter 30 mil genes. Não deveria ter genes associados a nervos. Um verdadeiro cientista deve ter uma postura de humildade e cautela quando se depara com fatos desse tipo.

    Dizer eu não sei não deveria ser vergonhoso.

    • Caro Marco,

      O DI não é uma teoria, como dito pelos seus próprios membros, no texto da postagem. A complexidade irredutível como ideia, proposta ou hipótese não foi refutada por que não existe nada a ser refutado, uma vez que também não foi comprovada, para nenhum dos casos em que foi aplicada (flagelo, olho, DNA, etc).

      Me explique porque uma esponja não poderia ter 30.000 genes, uma vez que a aparente complexidade (ou simplicidade, neste caso) de um organismo não está diretamente relacionada ao tamanho de seu genoma (veja, por exemplo, o ítem “Variation in genome size and gene content” no artigo da wikipédia Genome size. Você deve estar se referindo ao artigo recente (publicado na Nature em 2010) “The Amphimedon queenslandica genome and the evolution of animal complexity”. Por favor, leia as conclusões do artigo com cuidado. Eu mesmo isolei durante meu doutorado neurotransmissores a partir da esponja Crambe crambe: colina, acetilcolina e sinefrina. O que isso quer dizer? Que esponjas têm nervos? Ou que possui substâncias que eventualmente podem ter alguma função de condução de impulsos nervosos (o que precisa ser demonstrado)? Existem esponjas que são especificamente carnívoras. O que significa isso? Que elas são potenciais ancestrais dos mamíferos carnívoros? É preciso muito cuidado nas interpretações apressadas, pois estas nos conduzem mais frequentemente a êrros do que a acertos.

      cordialmente,
      Roberto

    • Marco Polo, eu discordo quando diz que dizer eu não sei é vergonhoso. Se esse “eu não sei” vem acompanhado de um ponto final e não há busca por resposta, aí sim é vergonhoso. Mas muitas vezes esse “eu não sei” se segue do “mas quero saber”, e se inicia a busca por explicações e respostas. Ninguém sabe de tudo, até porque as perguntas e dúvidas nunca cessam, a todo momento novas formulações são feitas e novos problemas são criados. A principal característica de um pesquisador é apesar das dificuldades e das negativas não parar de buscar a prova científica, a comprovação por fatos e experimentos, que expliquem os eventos.

  4. Enfrentamos um problema parecido no ramo da informática. Muitos profissionais não aprenderam de forma correta alguns conceitos e o reflexo disso é prejuizos por defeitos em código, etc.

    Existem muitas iniciativas e uma delas é particularmente interessante: os Dojos de programação.

    Em um Dojo se estimula o pareamento, portanto os participantes formam uma fila circular e, 2 a 2, tentam resolver um problema proposto. A ideia é que passados X minutos um novo par assume a resolução do problema e assim vai até resolver por completo, dessa forma todos partiparam pelo problema e contribuiram de alguma forma. Talvez possamos adaptar esta ideia – se já não foi adaptada – para o ensino de ciências.

    Claro que alguns tipos de problemas são mais fáceis de resolver dessa forma, como problemas de física e matemática. Entretanto só de juntar alunos para estudar algo fora da estrutura de aula já vale a pena.

  5. Parabéns, Roberto.

    O artigo está excelente. Dá um background ótimo sobre as raízes do MDI e de suas ligações com o “criacionismo científico”. Um é a evolução do outro. Que ironia, não? (Dá até para usar o velho mote criacionista: “Se o MDI veio do criacionismo, por que ainda existem criacionistas”).

    Este tipo de informação é tremendamente pertinente já que mostra o que é o MDI, mas o que me assusta é que, mesmo com a admissão (por seus principais membros) de que o MDI é sim uma forma de criacionismo e que não existe um programa de pesquisa ou tem teoria científica robusta em seu cerne, muitos de seus simpatizantes preferem ignorar isso e repetir que MDI não é criacionismo, como um dos comentaristas faz.

    Parece que não receberam o “memorando” do Discovery Institute ou simplesmente não querem compreender como as ciências funcionam e o que as diferencia das pseudociências ou anticiências como o criacionismo, seja ele tradicional ou do Design Inteligente. Isso nos trás ao resto do post.

    Ensinar ciência, principalmente o “como se faz” é realmente o melhor caminho. As ciências são uma forma de compreender o mundo e envolvem várias heurísticas e procedimentos, mas que dependem de um posicionamento crítico e de uma disciplina rigorosa, ainda que não possa prescindir da criatividade. Atrair os alunos para estas questões e seduzi-los para este novo mundo aberto pela investigação científica deveria ser a nossa missão.

    Preparar melhor nossos professores e mantê-los antenados às novas descobertas e ao métodos de investigação e análise me parece essencial, assim como criar novas maneiras de explicar como as ciências funcionam para os alunos, fazendo que eles participem do processo de aprendizagem mais ativamente. Espero que consigamos fazer isso nos próximos anos, caso contrário movimentos como o criacionismo irão se proliferar e ganhar força. Eles têm um apelo óbvio já que apenas demandam aceitação cega. E como lembrou um dos comentaristas, não podemos deixar que o ensino de ciências vá pelo mesmo caminho.

    Abraços,

    Rodrigo Véras

    P

  6. Acho essa teoria de DI simplesmente intragável.
    Coisa de quem é religioso metido a cientista.
    Excelente texto.
    Até mais.

  7. Caro Roberto,

    muito bom o texto, parabéns.
    Só gostaria de registrar o susto que levei ao ler uma parte específica do texto, “os defensores do DI foram literalmente aniquilados pelo juiz”.

    Grato

  8. A ciência quer explicar tudo, buscar respostas para questões que só podem ser entendidas por meio da FÉ, e esse é o seu problema! Deus não pediu para ser estudado, e sim para ser seguido. Eu concordo quando afirmou-se que criacionismo não é ciência, é uma teoria da criação das espécies, da mesma forma que a evolução e o big bang também são teorias, hipóteses, suposições! Todos os pontos de vista devem ser ensinados aos alunos. Que tipo de educação é essa, que mostra o conteúdo sob uma única ótica, quando sabemos que as coisas seguem todo um percurso para se chegar a um consenso? Obrigada

    • Oi Mércia,

      A ciência não busca explicar questões que só podem ser explicadas pela fé. A ciência objetiva descrever e entender o mundo natural e seus fenômenos. A ciência nunca buscou saber se Deus existe ou não, pois este não é o objetivo da ciência. O seu entendimento do têrmo “teoria”, do ponto de vista científico, está errado. Teoria não é uma hipótese, é um conjunto de constatações, de conhecimento, que formam um conjunto de conhecimentos que explica vários fenômenos, como a teoria da relatividade, a teoria quântica e a teoria da evolução. Nenhuma destas são hipóteses ou suposições, mas resultam de constatações, fatos observados e experimentos realizados durante décadas. Os pontos de vista de criacionismo e teoria da evolução podem ser ensinados em aulas de história, de cultura, de religiões, mas nunca em aulas de ciência porque criacionismo não é científico, não pode ser provado nem refutado. Logo, não é científico.

      Tudo de bom,
      Roberto

  9. Acho engraçado que quem defende que criacionismo seja ensinado em aulas de ciência defende somente a criação cristã. Se é p/ ser ensinado, que seja em aulas sobre culturas ou história (como foi dito no artigo) e que sejam mostrados outros mitos de criação também. Afinal, várias religiões tem seu mito de criação e em nada o mito cristão é superior.

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