Para que NÃO serve uma agência de fomento à pesquisa

Notícia do jornal Folha de S. Paulo on-line de hoje 14/02/2011:

Promotoria investiga bolsas para aliados de Roseana Sarney

O Ministério Público do Maranhão vai investigar supostas irregularidades no pagamento de bolsas de incentivo à pesquisa científica a aliados políticos da governadora reeleita Roseana Sarney (PMDB). Há suspeita de que a concessão das bolsas esconda um esquema para o pagamento de servidores temporários, contratados pelo Estado sem concurso público. Entre os supostos beneficiados está o secretário-geral do PT maranhense, Fernando Antonio Magalhães de Sousa, que é ligado ao atual vice-governador Washington Luiz de Oliveira (PT). Nomeado este ano assessor especial do vice, o dirigente petista recebeu cerca de R$ 32 mil no ano passado, quando trabalhava na Secretaria da Educação, então controlada pelo partido. Sousa assessorava o ex-secretário-adjunto da pasta e presidente do diretório do PT em São Luís, Fernando Silva.

Os R$ 32 mil foram pagos a ele pela Fapema (Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão), órgão vinculado à Secretaria da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Desenvolvimento Tecnológico.

A promotora que investiga o caso, Sandra Elouf, disse que a presidente da fundação, Rosane Guerra, será a primeira a ser ouvida, amanhã. “A partir daí vou decidir se ainda ouvirei outras pessoas e se pedirei uma auditoria das contas”, afirmou.

O presidente estadual do PT, Raimundo Monteiro, confirmou que a Fapema intermediava a contratação de funcionários temporários, mas negou qualquer irregularidade. Ele disse que um convênio entre a fundação e secretarias permitia isso.

“A Fapema cumpria essa tarefa, de contratar pessoas para trabalhos temporários, já que a secretaria não podia contratar profissionais assim”, afirmou Monteiro. “Estão esclarecidas as coisas.”

Procurada pela Folha, a presidente da Fapema não foi localizada. A fundação informou que só o governo do Estado poderia se manifestar sobre o caso. A assessoria do governo se comprometeu a enviar uma nota sobre o assunto, mas não o fez até o fim da tarde desta segunda.

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6 respostas

  1. Roberto, o coronelismo nunca acabou no Brasil. É o maior absurdo do ano. Abraço, Erick

  2. Pois é, pelo que me lembro a FAPEMA foi uma das últimas FAPs a serem estabelecidas e agora já está neste nível lamentável. Que vergonha! Bem, creio que agora cabe aos pesquisadores daquele estado se mobilizarem para cobrarem transparência e o real fomento à pesquisa, além de utilizarem bem os recursos concedidos, senão podem dar a chance para haver outros desvios. E viva a era Sarney, como está na Crônica Parlamentar de Roberto Pompeu de Toledo da revista VEJA de 9/2/11.

  3. Roberto,

    Há alguns anos havia um programa humorístico, O Planeta dos Homens, no qual o macaco perguntava ‘Mas sou só eu? Cadê os outros?’. Em um outro tópico, nesse mesmo blog, alguém classificou o CNPq como ‘máfia’. No ano passado, a imprensa mencionou que os CV Lattes do excelentíssimo ministro Aloysio Merrcadante, candidato derrotado ao governo de São Paulo, e premiado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, assim com o da ilustríssima senhora presidente, eram (são?) falsos. Alguém investigou? Não li mais nada a respeito
    Claro que não estou defendendo a falcatrua da família Sarney. Afinal, o que se pode esperar deles. Mas não posso deixar de perceber um fundo político nessa josta toda. Se forem investigar todo o nepotismo desse tipo, o trabalho será grande.

    Lucio

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