O óleo da lavanda de Portugal é anti-fúngico

Pesquisa realizada em Portugal mostrou que o óleo de lavanda, comumente utilizado em perfumaria, apresenta potente ação fungicida, inclusive contra fungos resistentes a substâncias anti-fúngicas. Os fungos que apresentaram susceptibilidade ao óleo de lavanda são dermatófitos, que causam problemas de pele, e também determinadas espécies de fungos do gênero Candida (que causam candidíase).

Os pesquisadores da Universidade de Coimbra verificaram que o óleo da planta Lavandula viridis, um arbusto que cresce no sul de Portugal, inibe significativamente o crescimento de fungos da pele, cabelos e unhas, responsáveis pelo surgimento do “pé-de-atleta”, e infecções do couro cabeludo (que muitas vezes causam caspa) e das unhas. No caso das infecções por Candida, estas podem ser particularmente sérias quando afetam pessoas com o sistema imunológico comprometido, como aquelas infectadas pelo vírus HIV.

Como atualmente existem poucos antifúngicos disponíveis comercialmente, sendo ainda que parte destes medicamentos apresentam efeitos coleterais, a descoberta de novos anti-fúngicos é muito importante. Os pesquisadores de Portugal demonstraram que o óleo da lavanda atua desestruturando a membrana das células dos fungos. Porém, mais estudos são necessários para se avaliar a eficácia do óleo de lavanda em animais, já que os testes foram realizados somente em culturas fúngicas isoladas (in vitro, ou seja, em meio de cultura artificial).

A lavanda no Brasil também é conhecida como alfazema. As espécies que aqui ocorrem não são a mesma do estudo realizado em Portugal: Lavandula angustifolia ( ou L. officinalis), L. stoechas, L. dentata, e L. multifida. O óleo destas plantas é rico em terpenos, substâncias comumente encontradas em muitas plantas, sendo que os terpenos dos óleos são usualmente monoterpenos e sesquiterpenos, como linalool, α-terpineol, γ-terpineol, borneol, iso-borneol, terpinen-4-ol, nerol e lavandulol (veja aqui, no item “composition”).

Uma planta brasileira da qual o óleo apresenta atividade antifúngica é a copaíba (Copaifera officinalis), que ocorre no norte do Brasil. A variedade de copaíba do cerrado se encontra em vias de extinção. Embora o óleo de copaíba seja popularmente utilizado no tratamento de infecções cutâneas, o mesmo ainda não é comercializado na forma de fitofármaco, pois muitos estudos são necessários antes que se utilize uma planta medicinal com segurança.

Um artigo interessante para aqueles que se interessarem sobre o uso de plantas medicinais, inclusive da copaíba, é o de Veiga e colaboradores (2005), em português.

Fonte da notícia, aqui.

ResearchBlogging.orgVeiga Junior, V., Pinto, A., & Maciel, M. (2005). Plantas medicinais: cura segura? Química Nova, 28 (3) DOI: 10.1590/S0100-40422005000300026



Categorias:química de produtos naturais

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1 resposta

  1. Quando pensamos que encontrar novos antifúngicos é muito difícil, ou imaginamos moléculas mirabolantes oriundas de fontes exóticas, eis que surge um fato inusitado como este. Pois é, temos que investigar tudo mesmo!

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